Y.

Vou negando as aparências, disfarçando as evidências.

  • Os Punheteiros de Entrecampos

    Aquilo que vou contar agora passou-se na segunda-feira, mas foi tal o meu choque que ainda estou com isto na cabeça.

    Na segunda saí mais cedo para começar a aproveitar o feriado e o aniversário da mulher amada. Chegado à estação de comboios de Entrecampos, vi-me afligido pela necessidade fisiológica mais comum e corri para uma das casas de banho. Estavam três “cavalheiros” e um urinol vago no meio, mas assim que chego mais perto do mesmo, noto que eles não estavam propriamente a urinar… estavam antes os três a masturbar-se, impávidos e serenos. Um deles fica a olhar para mim, mas continua com o serviço. É claro que dei dois passos atrás e tive que aguentar a bexiga até ao Pragal.

    Em conversa com amigos, descobri que é uma coisa absolutamente natural naquela estação. O que leva homens na casa dos trintas e quarentas a irem esgalhar o pessegueiro para uma casa de banho pública, às três horas da tarde, ultrapassa-me completamente, mas que os há, há. Desconhecia este nível de taradice em Portugal, mas sempre aprendendo…

  • Dançando com o diabo

    Ontem à noite deu este documentário de Jon Blair na rtp2.

    Não traz grande novidade, mas é interessante. Vão sendo mostrados diversos depoimentos de traficantes, moradores e polícias do Rio de Janeiro, tudo sob uma perspectiva voyeurista: não são mostradas perguntas, e deixam-se aos critérios dos espectadores as conclusões, que hão-de ser sempre ambíguas, dado que chegamos sempre às mesmas contradições e confirmações do ciclo de violência.

    Os elos condutores do filme são Dione, um pastor evangélico que luta para tirar os bandidos do tráfico e trazê-los para a igreja, e o Homem Aranha, um barão da droga que diz que quer largar essa vida, mas não sabe como. E é aqui que o documentário se mostra interessante: por mais que eu abomine a maior parte das igrejas evangélicas que florescem (e pro$peram) que nem cogumelos, aqui dá para notar a verdadeira força que a fé tem, quando bem direccionada.

    A confirmação (ou melhor, constatação) que é um problema horrendo e longe do fim, e que o caminho não pode passar somente pela violência, que maior violência gera.

  • Um mês e pouco

    Bom, faltam um mês e pouquíssimos dias para o grande dia, e vou dar aqui conta do que se passa aí na street.

    Na semana passada tivemos mais uma vez na quinta do pavão, e escolhemos a ementa, o bolo e a decoração das mesas. O serviço em si ainda não foi prestado, mas até agora estamos muito satisfeitos com o atendimento, disponibilidade e boa-vontade do Sr. Hélder e família, e temos quase a certeza que vai tudo correr bem.

    O tema vai ser cidades e locais que fazem parte da nossa história, com uns textos da minha autoria ou citações soltas em cada mesa.

    Ontem ligaram-me de uma transportadora a dizer que tinham uma entrega para mim mas não encontravam a minha rua no GPS. Eram os brindes do casamento, que já estão cá por Portugal mas só vão conseguir entregar no sábado. Eles estão relacionados com o post que fiz sobre a Unicef, e mais não digo.

    Alianças e fato do noivo servem às mil maravilhas, e na semana que vem a Irina tem a primeira prova do vestido. Eu já pareço um homemzinho.

    Fotógrafo não haverá. Ou melhor, não haverá fotógrafo profissional XPTO contratado para o efeito, mas haverá com certeza um fotógrafo mais ou menos amador em cada convidado (bring the fucking cameras). Entre eles estará um fotógrafo especial, munido de uma Kodak Junior II dos anos 50 e uma Praktica Super TL 1000 dos anos 70. E digo mais: funcionam.

    Íamos esperar até ao fim para tratar da lua-de-mel e ver se apanhávamos alguma pechincha de última hora, mas como o orçamento também não é muito grande não se justifica. Vamos para Paris. Soa a cliché? Soa, mas não vai deixar de ser espectacular.

    Faltam-nos um livro de honra, que eu pensava que fosse facílimo arranjar um moleskine e personalizar, e gravar umas músicas para o pessoal córtir.

    A lista de convidados parece ter estabilizado nos 83 convidados, salvo desistências ou aparições de última hora. A propósito, muita gente ainda nos tem perguntado o que oferecer, o que precisamos, se há lista de casamento, etc. Com toda a honestidade do mundo: não precisamos de mais nada senão guito. Dêem-nos GUITO. GUITO!

    Bom, faltam um mês e pouquíssimos dias para o grande dia, e vou dar aqui conta do que se passa aí na street.

    Na semana passada tivemos mais uma vez na quinta do pavão, e escolhemos a ementa, o bolo e a decoração das mesas. O serviço em si ainda não foi prestado, mas até agora estamos muito satisfeitos com o atendimento, disponibilidade e boa-vontade do Sr. Hélder e família, e temos quase a certeza que vai tudo correr bem.

    O tema vai ser cidades e locais que fazem parte da nossa história, com uns textos da minha autoria ou citações soltas em cada mesa.

    Ontem ligaram-me de uma transportadora a dizer que tinham uma entrega para mim mas não encontravam a minha rua no GPS. Eram os brindes do casamento, que já estão cá por Portugal mas só vão conseguir entregar no sábado. Eles estão relacionados com o post que fiz sobre a Unicef, e mais não digo.

    Alianças e fato do noivo servem às mil maravilhas, e na semana que vem a Irina tem a primeira prova do vestido. Eu já pareço um homemzinho.

    Fotógrafo não haverá. Ou melhor, não haverá fotógrafo profissional XPTO contratado para o efeito, mas haverá com certeza um fotógrafo mais ou menos amador em cada convidado (bring the fucking cameras). Entre eles estará um fotógrafo especial, munido de uma Kodak Junior II dos anos 50 e uma Praktica Super TL 1000 dos anos 70. E digo mais: funcionam.

    Íamos esperar até ao fim para tratar da lua-de-mel e ver se apanhávamos alguma pechincha de última hora, mas como o orçamento também não é muito grande não se justifica. Vamos para Paris. Soa a cliché? Soa, mas não vai deixar de ser espectacular.

    Faltam-nos um livro de honra, que eu pensava que fosse facílimo arranjar um moleskine e personalizar, e gravar umas músicas para o pessoal córtir.

    A lista de convidados parece ter estabilizado nos 83 convidados, salvo desistências ou aparições de última hora. A propósito, muita gente ainda nos tem perguntado o que oferecer, o que precisamos, se há lista de casamento, etc. Com toda a honestidade do mundo: não precisamos de mais nada senão guito. Dêem-nos GUITO. GUITO!

  • Benjamim

    Este, que foi o segundo livro escrito por Chico Buarque, não me entusiasmou particularmente. Estou fazendo o roteiro das produções literárias do Chico Buarque ao contrário, e dá para notar que enquanto escritor ele foi efectivamente evoluindo ao longo do tempo (como em Leite Derramado, de que já falei aqui).

    Benjamim Zambraia é um ex-modelo fotográfico que vive obcecado com o passado e com a enigmática morte da mulher da sua vida, que entretanto se materializa numa jovem que conhece ao acaso, e que em tudo lhe lembra a outra. A história é narrada tanto sob a perspectiva de Benjamim quanto de uma câmera invisível que o personagem utiliza desde a adolescência, e da qual já não consegue distinguir o que é seu e o que é gravado, o que é passado e o que é presente.

    Não chego a me fascinar com a história nem me compadecer da angústia de nenhum dos personagens principais do livro. É no entanto, bastante original e muito bem escrito, e consegue nos agarrar à leitura por aí,  ficando na retina parágrafos como este:

    A contragosto, Ali saiu da padaria e foi conduzido pelo primo até uma rua escura, transversal. “Olha as putas”, disse o primo, olhando aquelas mulheres que fumavam, cada qual dona de um poste. Gargalhou até ver sua mãe, apoiada no terceiro poste da calçada esquerda, de piteira. Ainda tentou recusá-la, porque aquele vestido de lantejoulas não era dela, nem ele nunca vira sua mãe fumando, mas o primo olhava para ele e para a mãe ao mesmo tempo, e ria de um modo tão forçado, que a Ali só restou cerrar os punhos e partir para cima dele e chutá-lo e xingá-lo de veado. O primo não sentiu a violência das porradas, muito menos do insulto;  entortou uma perna sobre a outra, espetou o queixo com o indicador, depois armou um biquinho que condensou o seu buço, fazendo com que ele parecesse uma mocinha de bigodes negros. O primo gostou do insulto porque era veado mesmo, conforme Ali ficou sabendo tempos depois. Ali tinha então cinco anos e não sabia muito bem o que significava ser veado. Tampouco sabia o que fazia de errado uma puta, fora fumar no poste. Mas já tinha a certeza de que, no mundo inteiro, pior que veado, maconheiro, dedo-duro e tudo o mais, a pior situação na vida é ser um filho-da-puta.

    Fica a curiosidade para assistir ao filme homónimo, que proporcionou a estreia da Cléo Pires como actriz, e logo num enredo pesadíssimo destes, com violação pelo meio e tudo o mais. Até é de esperar que, dada a narrativa, a coisa funcione melhor em ecrã. Fica pra pensar.

  • The Rum Diary

    Gosto muito quando tenho a oportunidade de ler um livro antes da sua adaptação cinematográfica, e neste caso isso aconteceu por pouco.

    Tinha-o na prateleira há algum tempo, e acelerei a sua leitura assim que notei que The Rum Diary vai estrear no ano que vem, com Johny Depp mais uma vez à cabeça de um filme originário de um livro de Hunter S. Thompson, depois do alucinante Fear and Loathing in Las Vegas.

    A história é relativamente simples e, como de costume, em parte baseada na experiência do próprio autor: Paul Kemp, um jornalista freelancer trintão que já percorreu meio-mundo sem conseguir encontrar o seu caminho, aterra em Porto Rico e consegue emprego num jornal de língua inglesa de meia-tigela, constantemente à beira do abismo. Tudo o que se segue são descrições da decadência, imoralidade e loucura que povoam o estilo de vida da ilha (e a mente do autor). O livro tresanda a álcool de uma ponta à outra, sempre narrado num ritmo frenético, tanto cativante e sarcástico quanto perturbador.

    Acho estranho que tenha havido tanta relutância da parte do autor em publicar este livro (escrito em 1959, viu a luz do dia em 1998), dada a quantidade de talento (e de loucura) expressa em todas as suas páginas. De notar que só tinha 22 anos quando o escreveu, mas captou com uma grande mestria todo o pessimismo das suas personagens.

    Na minha imaginação, este livro dá um grande filme. É de estranhar a ausência de Yeamon no casting listado no IMDB, dado ser uma das suas personagens principais, mas vou esperar para ver. Não conheço o trabalho deste Bruce Robinson, esperemos que não decepcione com este material brilhante nas mãos (ficava mais descansado com o Terry Gilliam a dar continuidade ao Fear and Loathing, mas fica pra pensar).

    Gosto muito quando tenho a oportunidade de ler um livro antes da sua adaptação cinematográfica, e neste caso isso aconteceu por pouco.

    Tinha-o na prateleira há algum tempo, e acelerei a sua leitura assim que notei que The Rum Diary vai estrear no ano que vem, com Johny Depp mais uma vez à cabeça de um filme originário de um livro de Hunter S. Thompson, depois do alucinante Fear and Loathing in Las Vegas.

    A história é relativamente simples e, como de costume, em parte baseada na experiência do próprio autor: Paul Kemp, um jornalista freelancer trintão que já percorreu meio-mundo sem conseguir encontrar o seu caminho, aterra em Porto Rico e consegue emprego num jornal de língua inglesa de meia-tigela, constantemente à beira do abismo. Tudo o que se segue são descrições da decadência, imoralidade e loucura que povoam o estilo de vida da ilha (e a mente do autor). O livro tresanda a álcool de uma ponta à outra, sempre narrado num ritmo frenético, tanto cativante e sarcástico quanto perturbador.

    Acho estranho que tenha havido tanta relutância da parte do autor em publicar este livro (escrito em 1959, viu a luz do dia em 1998), dada a quantidade de talento (e de loucura) expressa em todas as suas páginas. De notar que só tinha 22 anos quando o escreveu, mas captou com uma grande mestria todo o pessimismo das suas personagens.

    Na minha imaginação, este livro dá um grande filme. É de estranhar a ausência de Yeamon no casting listado no IMDB, dado ser uma das suas personagens principais, mas vou esperar para ver. Não conheço o trabalho deste Bruce Robinson, esperemos que não decepcione com este material brilhante nas mãos (ficava mais descansado com o Terry Gilliam a dar continuidade ao Fear and Loathing, mas fica pra pensar).

  • A ponte dos que não foram

    Sentimentos ambíguos me assolam quando penso na Câmara de Almada.

    Se o concelho sofreu uma evolução brutal desde que vim para cá, e dando de barato que o ritmo não foi nem de perto nem de longe o mesmo em todas as freguesias, há certas coisas que me custam compreender.

    Estudei 6 anos na FCT, e antes disso estive nos 3 anos que estive na EPED, já lá ia almoçar. Fui trabalhar para o Madan Parque logo após a sua abertura.

    Sempre tive que atravessar o pedaço que liga a actual localização do Madan Parque à porta lateral que dá entrada à FCT. Sem passadeira e com carros a circular dos dois sentidos, o trajecto não é propriamente seguro, de facto. Decidiram fazer uma ponte pedonal a ligar a FCT ao Madan; até aqui tudo bem.

    Agora, expliquem-me uma coisa: como é que uma ponte que liga a faculdade ao Madan Parque… não vai dar ao Madan Parque? Ninguém que trabalha no Madan Parque e se desloca à FCT vai dar uso a essa ponte. A ponte beneficia um ou dois alunos que estejam alojados nos prédios que estão virados para a ponte e pouco mais.

    A figura acima (em que ainda não existia a dita ponte) ilustra o cenário: os círculos verdes identificam as portas da faculdade e do Madan, e a linha verde o caminho normal. A linha vermelha representa a ponte, que vai dar nas traseiras do edifício de informática, e termina nos prédios da entrada do Monte, não no Madan.

    Ainda que possam existir argumentações a favor desta ponte, ou dificuldades de ordem técnica que impedissem que a ponte que liga a FCT ao Madan Parque fosse mesmo dar ao Madan Parque, então… para quê fazer ainda assim a ponte, se ela não cumpre o objectivo a que se destina? Pintar uma passadeira no chão não teria o mesmo efeito e seria muito mais barato? (Nomeadamente mais barato que os 125.366,47 € da execução + os 12.500€ do estudo)

    Mesmo que existam respostas às perguntas anteriores, e em relação à ponte ter estado trancada vários meses após a sua conclusão? Tirei a foto acima a um cidadão que experimentava a ponte uns dias após a conclusão da obra, em Janeiro deste ano, e a seguir a isso… trancas nas portas. Porquê vedar um acesso acabado e disponível?

    A esta pergunta eu acho que consigo responder: na revista municipal deste mês, é dado imenso destaque às iniciativas da semana verde. Entre elas estão… a inauguração da ponte FCT-Madan Parque, à qual foi dado o pomposo nome de “bicilink”. Impede-se a já de si fraca utilização que a ponte teria durante meses, para fazer uma inauguração de encher chouriços, em mais uma inócua iniciativa da apregoada mobilidade/sustentabilidade/verdura whatever.

    Fica pra pensar.

  • Indian Grill House

    Eu adoro comer, em geral, e gosto muito de comida indiana, em particular.

    Há um restaurante indiano aqui na Costa, o Indian Grill House. A comida é excelente, desde as entradas às sobremesas, e tem variadíssima oferta (inclusive vegetariana, e boa). É acolhedor, os indianos são muito simpáticos e vemos tudo o que se passa na cozinha. Fazem também sempre descontos no take-away. Até entregas em casa fazem, sub-contratadas (e com preço acrescido) pelo no-menú.

    No entanto, o marketing deles é particularmente pródigo em situações caricatas.

    Entre outras coisas, no ano passado, tinham um cartaz na Rua dos Pescadores a anunciar uma promoção de “partos” por 6€. Agora andam a distribuir o seguinte folheto:

    Quem conhece a Costa percebe logo que, infelizmente, a foto ilustrativa de baixo está mais próxima do Dubai do que deste burgo. Talvez num futuro distante…

    Não deixem de visitá-los!

  • Diferenças

    Tentei contactar a UNICEF portuguesa a semana passada. Enviei um e-mail há mais de uma semana, para o e-mail geral da sede. Não me responderam. Tentei então enviar o mesmo e-mail para o centro da UNICEF em Lisboa. Também não me responderam.

    Contactei então a UNICEF espanhola. Responderam-me em uma hora. Desde então troquei diversos e-mails com a pessoa que me respondeu, e fiquei com o assunto resolvido, em dois dias.

    Não vou revelar já o assunto, mas era tanto do meu interesse quanto da Unicef (ou mais). Mesmo que não fosse, fica muito mal a uma associação com uma responsabilidade deste nível. Entretanto a “desculpa” de ser Agosto já se esgotou.

    Eu não gosto de falar mal podendo cair no risco de criticar injustamente, mas… é Portugal, ninguém leva a mal.

  • Quem Quer Ser Fábio Paim

    “Quem Quer Ser Fábio Paim” é o título de uma reportagem transmitida ontem pela Sporttv.

    Quem não se lembra de jogar o antigo Championship Manager e ter lá o Fábio Paim com estatísticas mirabolantes aos 14 anos de idade? Desde cedo aliciado pelos maiores clubes do mundo, e com um contrato de fazer inveja a muitos jogadores da primeira liga, Paim deslumbrou-se e foi ficando pelo caminho.

    É certo que o hype que se gerou e a actual situação em que se encontra podem dar a entender que tudo não passava de um bluff, mas quem o viu no seu “auge” (antes da febre dos vídeos do youtube poderem servir de prova), e todos os treinadores pelos quais passou são quase unânimes, nunca viram um talento assim à frente. Muitos destes treinadores tem uma vida dedicada ao futebol e não hesitam em dizer que o seu talento era bastante superior ao do Cristiano Ronaldo (tendo trabalhado com os dois, alguns deles). Chegou-se ao cúmulo de, aos quinze anos, a federação francesa querer oferecer-lhe casa, contrato e emprego para a família de modo a jogar futuramente pela selecção de França!

    Eu e o meu pai vimos-lhe jogar algumas vezes, mas não muitas, mesmo na altura em que éramos mais assíduos no futebol de formação. Era muito estranho para quem via um diabo à solta no campo como aquele vê-lo tantas vezes no banco, ou mesmo fora dos convocados. Lembro-me particularmente bem de um derby contra o benfica em que, (mais uma vez) saído do banco, finta praticamente o meio-campo e a defesa adversária toda (com todo o tipo de fintas à mistura) e, à saída do guarda-redes, com um ligeiro toque faz-lhe um chapéu a bola embate na trave. Não sendo golo, conseguiu levar toda a multidão ao delírio. Conhecendo agora a história toda (que já circulava pelos corredores da academia), faz todo o sentido que estivesse frequentemente “de molho”: atrasos, faltas aos treinos, indisciplina, e posteriormente o pacote completo: carros, noitadas, mulheres…. queimou tudo e hoje em dia ganha 1000 euros no Torreense.

    Com 22 anos apenas, não é impossível que venha ainda a renascer dos cinzas, mas será porventura altamente improvável. Seria o perfeito filme de Hollywood. Torço para que aconteça, e espero bem que não traia a confiança do pessoal do Torreense dado que, se não tivessem decidido apostar nele, estava neste momento no desemprego.

    Fábio Paim é um exemplo de tudo aquilo que um jovem aspirante a jogador de futebol não deve fazer, e este documentário devia ser uma das lições primárias dadas aos jovens da Academia. É a prova viva que ter um talento extraordinário não é suficiente, no futebol como em tudo na vida.

  • 5x Favela

    Tenho ouvido maravilhas do outro lado do oceano, do filme “5x Favela, Agora por Nós Mesmos”.

    5 curtas-metragens escritas, interpretadas e realizadas (sob a batuta do produtor Cacá Diegues) por oficinas de actores das favelas do Rio; segundo consta, subvertendo estereótipos, pela vontade dos próprios (a favela dos moradores, não a dos bandidos ou dos polícias, como diz o trailer).

    Não consigo descortinar quando, ou mesmo se, terá estreia em Portugal. Fico a aguardar novidades oficiais ou dos fornecedores do costume. Fica o trailer abaixo para referência futura.