Y.

Took a drop of the pure.

  • O Ginjal

    Visto que perdemos duas peças que queríamos ver ultimamente (as duas últimas do Gonçalo Waddington), ontem houve um rebuçado para compensar: fomos ver uma peça de teatro amador, na Faculdade de Ciências Médicas da UNL. O Ginjal, de Tcheckov, pelo Grupo de Teatro Miguel Torga.

    Não vou fazer uma crítica habitual minuciosa das minhas nem destacar ninguém, mas posso dizer que foi uma boa surpresa. Apesar de ter sido a primeira peça de Tcheckov que vi in loco, estou mais ou menos familiarizado com a obra, e esperava uma versão mais light da coisa, mas nada disso, o pessoal entrega-se mesmo de corpo e alma a um texto que não é pêra doce, proporcionando momentos muito bem conseguidos, dadas as limitações. Não limitações de talento (que claro que existem, uns com mais outros com menos), mas de ser levado a cabo por pessoal que dá no duro nos seus regular jobs.

    Isto tudo feito por mero amor à arte, mais que bonito é uma lição.

  • Rio

    Não é preciso muito para levar-me a arrastar a minha sobrinha (enquanto não há filhos aqui no ninho) para ver bons filmes de animação; sendo um novo filme com o dedo da Blue Sky e tendo como mote um bicho que foi arrancado do Rio de Janeiro ainda pequeno e levado para uma terra fria, este era mais que obrigatório.

    Blu é uma arara azul carioca que vive feliz e domesticada no Minesotta, sem nunca sequer ter aprendido a voar. Certo dia, descobre-se que Blu é o único macho da sua espécie,e a sua dona é dissuadida a levá-lo à terra natal para acasalar com uma fêmea; pelo meio, as duas aves são roubadas por traficantes e toda uma aventura típica é desencadeada.

    Portanto, não sou azul mas nunca serei completamente isento numa viagem pessoal e naïf como esta, assim como o próprio realizador (Carlos Saldanha, carioca mago do CGI) não o foi. Coração de parte, o filme está muito bem conseguido, toda a envolvente paisagística carioca está espectacular, ainda que nem sempre realista (o que não era o objectivo, as favelas por exemplo estão pitorescas, não degradantes),  sendo cerca de hora e meia de muita cor e alegria, apresentadas de forma simples.

    Não posso deixar de implicar com enfiarem os Black Eyed Peas pelo meio; até nem atrapalham nem desvirtuam muito a coisa, mas os momentos musicais verdadeiramente brasileiros são imensas vezes superiores aos que eles apresentam, mas compreendo a jogada.

    Doesn’t take much for me to grab my niece to catch a good animation movie; being a Blue Sky movie about an animal that was stolen from Rio de Janeiro in tender age and taken to a cold land, this one was definitely mandatory.

    Blu is a carioca Blue Maccaw that lives happy and domesticated in Minnesota, without even ever learning to fly. Someday, a scientist discovers that Blue is the only male of his specie, and convinces her owner to take him to Rio to copulate with a female Maccaw; meanwhile, the two birds are stolen by smugglers, and a whole typical adventure begins.

    So, I’m not blue, but obviously I’ll never be impartial enough in such a personal and naïf trip like this, as even the director Carlos Saldanha (carioca CGI guru) wasn’t. Heart apart, the film is very well achieved, all the carioca landscaping and surroundings are gorgeous (although not always realistic, but that was not the point, the slums for example are picturesque rather than degrading), and its a one hour and a half full of color and joy, presented in a simple fashion.

    Personally, I don’t like the way they stick the Black Eyed Peas on it; although they make no harm, the truly Brazilian musical moments are way superior, but I have to understand the option.

  • Fica pra pensar

    A pedido de muitas famílias, venho por este meio explicar a frase que está no título do blog, que é também a punchline com que encerro muitos dos posts, com uma ou outra adaptação pelo meio.

    Sucede que, nos meus ainda não longínquos tempos de faculdades, tive um professor, do qual obviamente não revelarei o nome (nem o sexo) que invariavelmente, a cada dúvida que colocássemos, atirava-nos a resposta “isso fica pra pensar”; assim, a seco e com ar de superioridade. Nunca desarmava, nunca admitia falta de capacidade ou de traquejo, ficava sempre pra pensar, em jeito de aparente desafio.

    Até hoje, tudo o que foi dado naquela cadeira ficou pra pensar e, mais do que achar graça ao lema (e acháva-mos imensa, numa de rir para não chorar), percebi que encaixa em toda e qualquer situação. Concordam? Fica pra pensar.A pedido de muitas famílias, venho por este meio explicar a tagline que está no título do blog, que é também a punchline com que encerro muitos dos posts, com uma ou outra adaptação pelo meio.

    Sucede que, nos meus ainda não longínquos tempos de faculdades, tive um professor, do qual obviamente não revelarei o nome (nem o sexo) que invariavelmente, a cada dúvida que colocássemos, atirava-nos a resposta “isso fica pra pensar”; assim, a seco e com ar de superioridade. Nunca desarmava, nunca admitia falta de capacidade ou de traquejo, ficava sempre pra pensar, em jeito de aparente desafio.

    Até hoje, tudo o que foi dado naquela cadeira ficou pra pensar e, mais do que achar graça ao lema (e acháva-mos imensa, numa de rir para não chorar), percebi que encaixa em toda e qualquer situação. Concordam? Fica pra pensar.

  • Open Day

    É amanhã, dia 7, que a Viatecla vai abrir as portas ao mundo para dar a conhecer os nossos produtos actuais, visão de negócio e perspectivas de futuro.

    Apareçam, a qualquer altura durante as 9 e as 19h30.Tomorrow, 7th April, Viatecla is opening its doors to the world, in a opportunity to take a peek at our current products, business vision and some perspectives about the future.

    Come on in, anytime between9h and 19h30.

  • Balanço

    Antes de mais, muito obrigado a quem respondeu e ajudou a divulgar o meu apelo anterior; o formulário vai estar disponível por pelo menos mais duas semanas, portanto, quem ainda não respondeu ou não divulgou, tenha a bondade.

    A título de curiosidade e de balanço, até à data deste post, tivemos 311 respostas de:
    – 29 países
    – 4 continentes
    – 119 cidades
    – 8 programas de intercâmbio

    A distribuição geográfica das mesmas é a seguinte:


    Esta iniciativa teve mais adesão do que eu esperava e isso é extremamente positivo, pois sendo este um projecto embrionário, aquilo que mais necessitamos neste momento são dados concretos, para avaliar a viabilidade de meter as mãos na massa.

    É prematuro desenvolver mais, mas tão cedo quanto possa revelarei os frutos que espero que isto venha a dar.
    First of all, I would like to thank all the people that answered and published this initiative of mine; the questionnaire will be up for two more weeks, so whoever did not have the time or opportunity to answer it before, be my guest.

    By the time of this post, we had 311 answers from:
    – 29 countries
    – 4 continents
    – 119 cities
    – 8 interchange programs

    The geographical distribution of the answers is the following:


    It had a lot more adhesion than expected and that’s extremely positive, since this is an embryotic project and the most important thing about it right now is to have data to play on.

    It’s premature to tell more about this project for the moment, but as soon as possible I expect to get into details about its future.

  • Azul Longe Nas Colinas

    Quase que me escapava falar um bocado sobre esta peça que finalmente fui ver com a mulher amada no passado sábado. Não é particularmente relevante, visto já não estar em cena, mas sabem como eu gosto de mandar a minha laracha.

    Portanto, isto foi uma encenação de Beatriz Batarda sobre um texto de Dennis Potter, no Teatro Nacional D. Maria II. A peça versa sobre um grupo de crianças, com a particularidade destas serem inteiramente representadas por adultos, só sendo denunciados pela linguagem utilizada e, claro, pelas situações em que se envolvem, completamente infantis apesar da crueldade que aqui e ali despontam.

    Posso começar por dizer que o texto é muito bom e não acredito que tenha perdido muito na tradução; é de muito mérito assentar toda uma narrativa em linguagem infantil e mesmo assim manter um enredo interessante. Mais meritório ainda é, dadas as cenas, que os actores não caiam em overacting, e tal também não acontece, estão todos impecáveis, sem excepção, com realce para o Dinarte Branco (que é brilhante na sua simplicidade) e para o Albano Jerónimo (que eu não conhecia e que mete nojo e cospe e baba-se muito bem).

    Posto isto, e apesar de tanto mérito e de passar bem a (perversa) mensagem, para mim faltou uma pitada qualquer que fizesse com que a peça cativasse, não sabendo bem o quê. Fica pra pensar.

     

  • Mini-Maratona

    As minhas pernas não me deixam mentir: foi ontem que pela primeira vez corri na mini-maratona da ponte 25 de Abril. E espero que venha a ser uma experiência a repetir, pois adorei, tudo. Gosto muito de correr aqui no paredão da Costa, mas em meio àquele povo todo (e ao ver de vez em quando os brutos da meia-maratona passarem que nem flechas ao lado), com aquele caminho e um objectivo definido, dá outro feeling. By the way, fiz o percurso em 42 minutos, e o meu parceiro Francis Valentim em 38.

    Este ano demorei a carburar, mas neste momento sinto-me no topo da minha forma física e mental. Espero vir a capitalizar isso em breve.

    Aviso desde já que quem não gosta de lamechices pode parar no parágrafo anterior, mas não posso deixar de dizer que para esse momento muito contribui ter a meu lado uma grande mulher, a mulher que amo, e noto isso em cada pequeno detalhe. Assim que entrei na Avenida de Brasília, e já completamente à rasca e em esforço depois de andar a jardar na ponte, o que me motivou a continuar a correr não foi pensar que faltava pouco para a meta, foi pensar na Irina e tentar imaginá-la lá à frente.

    Fica pra amar.

  • Viatecla

    É oficial, vou juntar-me à equipa da Viatecla.

    Eu já sabia que ia mudar de rumo, mas não sabia especificamente qual seguiria, e sequer se continuaria em Portugal.

    Para já, continuarei, e fá-lo-ei porque mais do que a oferta que me foi feita, agradam-me a postura e a mentalidade da empresa, porque sei que posso ser útil e ao mesmo tempo continuar aprendendo e, ouro sobre azul, porque neste momento a Viatecla encontra-se em expansão e essa expansão inclui a minha terra natal, o que me pode trazer boas perspectivas num futuro próximo.

    Em relação à ITDS, não fiz tudo aquilo que gostaria de ter feito na empresa, mas saio plenamente satisfeito com o meu trabalho e acreditando plenamente ter deixado boas sementes, que o futuro ditará se serão semeadas.It’s official, I’m joining the Viatecla team.

    I already knew I was going to change my route, just didn’t know to where.

    The offer was good, I like the company attitude and, last but not least, they are expanding and that expansion contemplates my beloved Brazil, which may bring me good perspectives in the near future.

    Regarding ITDS, although I have not fulfilled everything I wished and planned to, I’m leaving completely satisfied with my work, and believing I left very good seeds. Future will tell if they’ll be grown.

     

  • True Grit

    O segundo filme do fim-de-semana foi o excelente True Grit, com a enfadonha tradução portuguesa “Indomável”. Sendo grande fã de westerns e grande fã dos manos Cohen (e já agora de histórias de vingança), não havia muito por onde correr mal, e assim foi.

    Na verdade, é muito menos um western que um filme dos Cohen e menos um filme dos Cohen que… um filme dos Cohen. Passo a explicar. Apesar de não seguir absolutamente a linha dos clássicos, não é propriamente uma reinvenção do género, é simplesmente uma história do género contada à moda dos Cohen, com tudo de bom que isso acarreta: crueza, imprevisibilidade e humor onde supostamente não existiria. Isto tudo sendo muito mais seguro e consensual que a maior parte dos seus filmes, e daí o sucesso comercial que vem tendo.

    Difícil dizer muito mais, sendo que a cereja no topo do bolo e aquilo que confere o sal ao filme são as interpretações brutais do Jeff Bridges, como habitual, e da “imberbe” e transcendente Hailee Steinfeld que, tendo ou não futuro, tem aqui um início do caraças. Vão vê-los que vale a pena.

     

    Second movie of the weekend was the excellent True Grit. Being both a western’s and a Cohen Brother’s fan (and a revenge story’s fan by the way), nothing could go wrong. And it didn’t.

    Actually, it is less a western than a Cohen’s film, and less a Cohen’s film than… a Cohen’s film. I can explain. Although it doesn’t follow the classics, it isn’t sort of a reinvention of the genre either. It’s simply a story of the genre told with the Cohen’s style, with all the good ingredients it carries: rawness, unpredictability and humor where it wasn’t supposed to. All of this in a much secure and consensual fashion, hence its commercial success, I guess.

    On top of the cake and giving the movie its true strength, the brutal performances of old Jeff Bridges, and the vernal Hailee Steinfeld; her future is unknown, but this is a hell of a start. Go watch them!

  • The Fighter

    Este fim-de-semana tínhamos bilhetes para ir ver a peça Azul Longe das Colinas, mas uma das actrizes aleijou-se, a coisa foi cancelada e deram-nos bilhetes para dia 19 de Março. Restou-nos fazer duas cinemadas em vez de uma.

    A primeira foi esta, em cuja pré-produção de certeza que o Mark Wahlberg andou a emborcar batidos da carne que se esvaiu do carocho do Christian Bale. E que carocho do caraças, mas já lá vamos. Começo por dizer que gostei mais do filme do que à partida esperava. Sem demasiadas pretensões, tem tudo no sítio: bem escrito, bem realizado e bastante bem interpretado por todos, até pelos personagens mais insignificantes, como as chulas das irmãs que os lutadores levam a reboque, conseguindo tirar o melhor partido possível de um género de história relativamente batido.

    É como se estivéssemos a assistir a dois documentários em paralelo, um a acompanhar a decadência de Dicky Ecklund, que em tempos derrotou Sugar Ray Leonard e era conhecido como “The Pride of Lowell” mas agora vive entregue ao crack, e o irmão mais novo, Micky Ward, que por mais que lute não consegue sair da cepa torta graças às trapalhadas da família. Às tantas a paciência chega ao limite, motivado por uma nova namorada que não papa grupos (Amy Addams também em grande plano) e pela perspectiva de ser um falhado por toda a vida.

    Não sei até que ponto Bale deveria ser considerado actor principal do filme, porque é ele o fio condutor da história e quem efectivamente rouba a cena, com a entrega do costume. Deliciosas as cenas em que canta “I started a joke” dos Bee Gees (e mais tarde dos Faith no More), e principalmente “Here I Go again” dos whitesnake, com o mano.

    Uma nota também para as cenas dos combates em si, brutalíssimas, utilizando os comentários, cameras e operadores originais dos combates antigos na HBO, recriando o verdadeiro ambiente do desporto.

    Não é brilhante, mas entretém bastante. A rima não é intencional, mas fica aí.

    This weekend we were supposed to go to the Theater, but one of the actresses of the play got injured and they got us tickets for 19th March. The alternative was catching two movies instead of one.

    The first one was The Fighter, in which pre-production Mark Wahlberg surely has eaten huge meat chops of his junky colleague Christian Bale. And what a junky! I enjoyed this movie more than expected. Without being to pretentious, it took the most of a usual and sort of commonplace history; great direction, argument and portrayal from each actor, even the most insignificant ones, like the useless bunch of sisters the brothers share.

    Its like watching two documentaries in parallel, the first one about the decadence of Dicky Ecklund, who defeated Sugar Ray Leonard in the past and was know as “The Pride of Lowell” but now is totally devoting to ruining his life with crack, and his little brother, Dicky Ward, who fights really hard but never goes nowhere, because of the constant fuck-ups the family makes. At some moment he reaches the boiling point, motivated by his new “take no shit” girlfriend (also a great job by Amy Addams) and the perspective of being a looser his whole life.

    I guess Ecklund should be considered the lead character, since he leads the story and Bale definitely steals the show with his usual commitment. Delicious moments singing “I Started a Joke” from the Bee Gees (and later on from Faith no More) with his mommy and, especially, “Here I Go Again” from Whitesnake with his little brother.

    Not brilliant, but very, very entertaining.