Y.

No me gusta cueca cuela.

  • Dies Natalis

    Hoje presto aqui homenagem a uma pessoa que por vezes se julga esquecida, mas que nunca deixará de ser das pessoas mais importantes da minha vida.

    É uma pessoa cheia de defeitos e manias, e que já tomou muitas opções erradas, mas ainda assim teve o dom de conseguir por vezes se substituir no papel de mãe e pai no meu crescimento, por motivos vários.

    Completa hoje uma bonita e simétrica idade, que não vou revelar mas que só pode lhe orgulhar, pela discrepância entre o número e a carne.

    Ela é inteligente e é linda, e conseguiu a façanha de por no mundo uma pessoa ainda mais linda do que ela.

    She’s my sister and I love her.

  • Estômago

    Estômago, Uma História Nada Infantil Sobre Poder, Sexo e Gastronomia. Das melhores surpresas cinematográficas que tive nos últimos tempos.

    Nonato é um emigrante nordestino que chega à cidade com uma mão à frente e outra atrás, e que descobre num boteco de esquina que tem um talento inato para a culinária. O dono de um requintado restaurante italiano do bairro oferece-se como seu mentor, mas o seu amor por uma prostituta e algumas peripécias pelo meio levam-no à prisão, onde mete os seus dotes de aprendiz de chef a serviço da sua sobrevivência.

    Humor negro, de timing exacto e alguns twists muito bons, bem acompanhados por cinematografia, banda sonora e actores a serviço de personagens que se movem num ambiente de uma inocência que no fundo não existe em nenhum deles.

  • That’s my woman

    No mês passado a Irina deixou para trás 5 anos de Minipreço. Meteu ela própria a carta, instigada um bocado por mim e muito pela desorganização da empresa, falta de adequação às condições físicas (hérnias) dela e falta de consideração pelo seu trabalho. Paralelamente, dedicou-se ao sonho de entrar na faculdade e candidatou-se à Licenciatura em Psicologia, na Universidade Lusíada, de Lisboa.

    Temos total consciência de que foi uma jogada arriscada, mas muitas vezes só arriscando é que mudamos para melhor. Mais que isso, o que quer que acontecesse tínhamos e temos um ao outro, e essa é a chave.

    Bom, sem mais demora, depois de muito stress por estar parada em casa (mesmo por pouco tempo) e não ver nada acontecendo, ela teve na quinta-feira a notícia de que efectivamente vai ser psicóloga e ter plenos poderes para tratar do maluco que tem em casa, e que vai ter um emprego em part-time passível de conciliar com os estudos, aqui perto de casa.

    A haver moral da história, e depois de termos passado ambos um início de ano complicado, não é que se tivermos fé e formos positivos as coisas melhoram; isso ajuda mas não chega. Se corrermos atrás as coisas melhoram, e se não estivermos satisfeitos, temos mesmo que correr atrás. E, last but not least, amar assim ajuda imenso.

  • Zoolanders

    Aproveitando o feriadão, eu e a mulher amada agarramos nos sobrinhos e cumprimos uma visita ao Zoo de Lisboa que já estava prometida há muito tempo.

    O objectivo era, além de matar saudades e proporcionar um dia bonito aos putos, ver in loco as tais remodelações que andaram por lá a fazer há relativamente pouco tempo. Não saímos defraudados, pois  nota-se um esforço em proporcionar um espaço mais agradável e mais “natural” aos animais, apesar de ainda por lá haver umas quantas jaulas mais deprimentes ou um tanto exíguas.

    Bons exemplos são o “templos dos primatas” e o “vale dos tigres” que, mais do que serem amplos e bem bonitos esteticamente, dão a impressão de serem desenhados mais em função dos animais do que do público, além de incluírem também bastante informação didáctica e de iniciativas de consciencialização, de uma forma simples.

    Uma nota especial para os animais que andam fora da jaula; como nós, muita gente teve a mesma ideia, e o zoológico estava particularmente cheio. Como nós, muita gente levou farnel para aproveitar o parque de merendas, e o parque estava cheio. Mas não estava cheio de gente a comer, estava cheio de malas. Na típica mentalidade tuga, o pessoal chegou lá de manhã e “reservou” as mesas e foi passear, ao invés de partilhar e ir rodando. Fica pra… qualquer merda.

  • Terras do Sem-Fim

    Fazia um bom tempo que eu não lia um clássico, na verdadeira acepção da palavra. Este foi emprestado, em edição antiga, com textura, cor e cheiro a clássico. Terras do Sem-Fim é mais um excelente romance de Jorge Amado que, como Tieta ou Gabriela Cravo e Canela, deu em novela.

    O livro retrata o desbravamento e expansão de parte do território do estado da Bahia, com a chegada da “febre” do cacau à região, no início do século XX. De uma era em que a escravidão já havia sido abolida formalmente mas em que o visgo do cacau e a perspectiva de um futuro melhor mantinham presos e obcecados diversos homens, e em que imperava a lei da bala e do facão dos coronéis.

    Dois coronéis são o centro da narrativa, Horácio da Silveira e Sinhô Badaró, que disputam de forma acirrada cada palmo de terra da mata de Sequeiro Grande, mas o verdadeiro personagem central do livro é a própria terra, a mata que enfeitiça e consome as mais diversas e rocambolescas personagens e o próprio leitor, pela pena do mestre. Com muita história de amor e de sangue pelo meio.

    Depois de Capitães de Areia (este no topo) e Gabriela, confirma-se que não há livro de Jorge Amado de que eu não goste.

  • The Code of Y

    Quem me conhece sabe que, além de espectador activo de milhentos desportos, também gosto de meter a minha fé nas apostas, e de quando em vez até amealho uns cobres.

    Ao longo dos anos em que o faço, desenvolvi uma espécie de código de conduta desta minha faceta de apostador, que é um bocado de senso comum adaptado à minha pessoa, mas passo a partilhar.

    Nunca apostar no clube do coração
    Por experiência própria de algumas banhadas que levei do Sporting e da selecção brasileira, apostar com o coração é sempre, sempre má política. Em melhor forma que o nosso clube esteja, estamos sempre a ser tendenciosos, e a determinada altura isso vai se virar contra nós.

    Take a break
    Apostar é extremamente viciante, quer estejamos a ganhar dinheiro ou não. O que faço é intercalar períodos em que aposto com regularidade, com hiatos de um, dois ou mais meses. É difícil definir o momento certo de fazê-lo, mas eu diria que é ou quando estamos em alta, quando estamos na lama ou… quando pensamos demasiado no assunto.

    Não fazer múltiplas com mais de 3 apostas
    Até com duas é complicado, mas a ideia é que a regra geral das apostas múltiplas é: há sempre uma que nos lixa o esquema, e quanto mais apostas combinamos, maior é a probabilidade disso acontecer.

    Não apostar às cegas
    Só devemos apostar sobre realidades que conhecemos ou acompanhamos minimamente. Às vezes é aliciante meter dinheiro no futebol feminino do Uzbequistão ou da conquilha na Guiné Conacri, em apostas ao vivo de jogos que estão quase a acabar e em que o dinheiro parece quase certo… não vale a pena, o lucro na maior parte desses casos é irrisório para se correr o risco de apostarmos às cegas.

    Ler e reler e reler e reler os bónus das casas de apostas
    Por mais aliciantes que possam parecer à primeira vista, há bónus com regulamentos exasperantes, em que o dinheiro do bónus tem que rodar quatrocentas mil vezes antes de podermos levantá-lo. Muito cuidado com eles.

    Só apostar o que podemos apostar
    Isto dito assim parece um bocado parvo, mas muitas vezes só pensamos na falta que nos vai fazer aquilo que apostamos… quando o perdemos. E aí entra o desespero e as decisões parvas, e tentar apostar para “compensar”, o que dá sempre barraca. Uma boa táctica é definir um budget e nunca fugir dele.

    A Bwin tem as piores odds
    Apesar de ser a mais conhecida (em Portugal), a que tem um site mais apelativo e com uma interface mais agradável, regra geral é mesmo a casa com piores odds, e piores aqui é no sentido das menos lucrativas. Há diversos sites que comparam as odds de cada casa, o google é amigo.

    E é isso, fiquem bem e joguem muito. 🙂

  • Palavra (En)cantada

    Acabou de passar na RTP2 Palavra (En)cantada, um documentário musical que faz uma pequena retrospectiva histórica da música brasileira, utilizando depoimentos e antigas gravações de alguns dos grandes nomes que a compõem (como Chico, Caetano e Bethânia) e de outros menos conhecidos (Lirinha, Black Alien ou Ferréz, por exemplo).

    Essa retrospectiva difere das habituais no sentido de que não entra em homenagens ou bajulações aos monstros sagrados da MPB, nem despeja meras constatações e cronologias do que foi acontecendo na música brasileira ao longo dos tempos, optando simplesmente por utilizá-los como veículo para falar da música enquanto personagem principal e elemento de ligação e difusão da literatura, poesia e língua portuguesa.

    Ensina-nos bastantes curiosidades e deixa-nos a pensar em questões essenciais da nossa cultura e de como, mais uma vez, uma arte popular se substitui ao estado numa tarefa fundamental. De forma leve, prazerosa e muito recomendável.

  • Atlético x União

    Hoje fiz uma coisa que adoro e que este ano ainda não tinha tido oportunidade (ou vontade) de fazer: ver a bola com o meu pai.

    E lá fomos nós para o Estádio da Tapadinha, nesta tarde de condições perfeitas para a prática do desporto rei, assistir ao jogo que opôs o Atlético Clube de Portugal e o União da Madeira, em jogo a contar para o playoff de acesso à Liga de Honra.

    Alcântara estava ao rubro, em grande parte devido ao facto da entrada ser livre, como forma de incentivo à possível subida de um clube que, à imagem do União, já viveu melhores dias mas mantém uma massa adepta fiel. Infelizmente, a vitória acabou mesmo por sorrir aos da casa, fruto de um belo pontapé de bicicleta (!) de Rudi.

    Tão estranhando? Eu sou do União desde pequenino! Mais do que um clube da terra do Cardoso mais velho, era o clube do coração do Cardoso mais velho ainda. Ficou para lembrar.

  • Há sempre um mas

    Este vídeo que anda por aí espalhado em todo o lado é espectacular, bem montado, esgalhado e tudo mais mas… borra a pintura toda ao minuto 5:53. Nunca foi nem nunca será.

    There’s only one Ronaldo.

  • Meio Ano

    Diz que uma imagem vale por mil palavras, mas eu vou acrescentar mais algumas à de cima, a minha preferida do evento em causa.

    Faz hoje 6 meses desde que fizemos a boda na Quinta do Pavão. Quem lá esteve, sabe que foi de longe o dia mais feliz da minha vida. Estava escrito na testa. Não escrevi aqui nada sobre a festa nem sobre a lua-de-mel, porque pela primeira vez foram acontecimentos e tempos que transcenderam a minha capacidade de síntese, perfeitos exemplos da beleza dos momentos efémeros.

    A esses 6 meses somar-se-ão muito em breve 4 anos juntos; com alguns baixos, mas altos altíssimos, incomparáveis com qualquer coisa que já tenha sentido.

    Amo essa mulher dos olhos azuis, caraças.