Y.

Choose life.

  • Kindle em Português

    Na minha opinião o maior ponto fraco do Kindle (para nós, amantes da lusofonia), é a escassez de conteúdos em português. Eu até agora encontrei o seguinte:

    Quem souber mais que se chibe.

  • Australian Rules

    Antes de mais, Australian Rules é um desporto que não é rugby, não é futebol, não é futebol americano; nem sei bem explicar o que é, apesar de volta e meia assistir quando apanho um jogo a dar na Eurosport. São 18 para 18 num campo oval com uma bola oval, todos de manga cava, 4 traves (3 balizas) de cada lado e porrada de meia noite durante todo o jogo.

    Este é um filme australiano que retrata uma equipa de juniores de Australian Rules numa pequena vila piscatória do outback, fortemente dividida entre brancos e aborígenes. Aparentemente os putos não são afectados pela tensão racial, sendo os protagonistas (do filme e da equipa) amigos inseparáveis, apesar de cada um pertencer a uma etnia diferente.

    No entanto, quando o aborígene não recebe (injustamente) o prémio de melhor jogador da final do campeonato, a sua revolta despoleta uma série de eventos trágicos que põem a nu a tensão e a paz podre que existiam.

    Uma boa e pertinente história, que peca por ter sido realizada de forma um bocado ingénua (as cenas de jogo por exemplo são ridículas, de tão amadoras). Tem, no entanto, bons desempenhos por parte dos miúdos e o condão de chamar a atenção para um problema que durante muito tempo foi negligenciado na Austrália (o filme é de 2002).

  • Natalício

    Está naquela altura do ano, em que este blog fica cheio de caspa.

  • A vida não é bela

    Não falo da vida em si, que por mais austera que seja, merece ser vivida, mas dos vouchers d’A Vida é Bela.

    Quem diz d’A Vida é Bela diz das outras empresas que por aí andam. Não me ofereçam mais prendas do género, que eu também não o farei. É um embuste.

    Já recebi duas vezes vouchers do estilo, e já mandei 17 (!) vezes e-mails a tentar reservar alojamentos com os mesmos, e nunca, nunca há disponibilidade. Eles servem para escoar dias mortos (que tipicamente ou não tenho ou gasto em outros sítios), ou quartos de menor qualidade; de outra forma não sugerir-me-iam constantemente que tentasse daqui a não sei quantos meses, em dias da semana ou em um quarto superior pagando mais uma taxa.

    Prefiro que me entreguem o dinheiro, façam um donativo para uma ONG ou me dêem um abraço. Obrigado.

  • Midnight in Paris

    Não sou dos maiores fãs do Woody Allen, mas gostei bastante deste, talvez por me identificar um bocado com essa história de querer ter vivido no passado (ainda que a minha onda fosse mais um Rio Antigo).

    O ambiente parisiense é excelente e todos os “cameos” das figuras do passado são muito bons, destacando-se o Hemingway e a muita breve mas deliciosa aparição do Salvador Dali, no corpo do Adrien Brody.

    Fiquei irritado comigo mesmo, pois não sabia que o “Façamos” do Chico Buarque é uma adaptação do “Let’s Do It” do Cole Porter. Agora sei.

  • The Sunset Limited

    Dois velhos e uma sala de estar. É tudo o que é necessário para fazer um grande filme.

    Protagonizado por Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones e realizado por este último para a televisão americana, é imensamente superior a 90% dos filmes que estreiam comercialmente nas salas de cinema. Para isso muito contribui o brilhante texto de Cormac McCarthy que lhe dá origem e que opõe Black, um preto cristão evangélico, a White, um pessimista professor ateu.

    White é salvo à última hora de um suicídio na linha do metro por Black, que o leva para o seu apartamento, sucedendo-se uma série de intensos diálogos entre os dois sobre o sentido da vida e da morte, os valores da sociedade e das religiões, e demais trocas de argumentos sobre a visão completamente oposta que os dois possuem do mundo. Por vezes dramáticas, outras divertidas, em todos os momentos estas conversas são lições de inteligência e de interpretação.

    Ver isto ao vivo, num teatro, seria um privilégio e tanto.

  • Fiz greve aos transportes

    Vi o autocarro passar e vim a pé.

  • Diogo Infante demitido do D. Maria II

    Mais um português que, com provas de competência dadas, com um trabalho de qualidade à vista de todos (e a favor de todos), é obrigado a entregar os pontos, por não estar disposto a compactuar e a pagar por erros que não cometeu. Como eu e como tu, no fundo.

    Triste, é muito triste é demasiado triste.

  • Drive

    Este é um filme de acção como já não via há algum tempo. A sua realização é deliberadamente puxada aos anos 80, a todos os níveis; banda-sonora, ambiente e planos aéreos à Michael Mann, cena de entrada a preceder a sequência de créditos cheia de cores garridas sob escuro e neón. Mas tudo feito com muito estilo.

    Ryan Gosling, um actor da moda (com mérito), assume o papel “Eastwoodesco” de um mecânico e stunt driver de filmes de acção, que ocasionalmente presta serviços de fuga em assaltos. O personagem não tem nome, e dele ouvimos pouquíssimas falas, limitando-se  desempenhar meticulosamente as suas tarefas e a seguir o seu caminho.

    A determinada altura sai do seu isolamento e estabelece uma relação de amizade com uma vizinha e o seu filho, cujo pai está na cadeia. Quando este regressa, mete a família sob ameaça de mafiosos e envolve-o num suposto último assalto que acaba por ser muito mais complexo do que se imaginava, gerando uma espiral de perseguição e violência.

    Talvez seja erróneo promover o filme como sendo de acção; apesar de tê-la, é muito mais um “character movie“, com um herói enigmático e ambíguo, por vezes nobre, outras perturbador na faceta sombria que tão natural quanto repentinamente demonstra.

    Simples, minimalista e muito bem esgalhado.

  • 50/50

     

    50/50 conta a história de um escritor de rádio de 27 anos que é diagnosticado com um tipo de cancro raro, que lhe confere 50% de hipóteses de cura. Partir desta premissa poderia levar-nos a supor um drama, mas é antes uma comédia, que relata com (bom) humor a sua luta pela sobrevivência.

    Além de demonstrar que podemos e devemos fazer humor (não-fácil) com este tipo de coisas, o que mais gostei no filme foi a forma como, tratando do assunto que trata, consegue esquivar-se completamente a lamechices, lições de moral e dramatismos fáceis. As emoções são extremamente contidas durante grande parte do tempo, culminando num momento com uma carga emocional brutal, mas despoletada de forma bastante simples.

    Não é um grande filme, mas é honesto, engraçado e inspirador.