Y.

Vou negando as aparências, disfarçando as evidências.

  • Gentileza Gera Gentileza

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    Já ouvi esse ditado ou mantra em Portugal, mas creio que poucos por aqui sabem da sua origem, e da incrível história do seu autor, o Profeta Gentileza.

    O Profeta Gentileza foi uma das personagens mais folclóricas e conhecidas do Brasil até à sua morte, em 1996.

    Nascido José Datrino, tornou-se Gentileza após uma alegada visão sobre o fim dos tempos, no início dos anos 60. Outrora empresário, deixou crescer a barba e decidiu percorrer o país espalhando mensagens de bondade e amor, e amaldiçoando o dinheiro, condutor do abismo.

    Seguindo esse estilo, ao sistema financeiro dominante a nível internacional ele se referia como Capetalismo, numa tirada de génio.

    A ironia da história é que, contrariamente à filosofia de vida que o Profeta pregava, a sua frase-chave deu origem a inúmeros produtos de marketing extremamente lucrativos, desde meros ímanes de frigorífico até ténis All Star de 100 reais.

    Não sei se esse fenómeno tem nome “científico”, mas se não tem merecia, pois assim de repente me vem logo à cabeça os nomes Bob Marley e Che Guevara.

    Do seu legado persistem as suas famosas 55 inscrições, pintadas no Viaduto do Caju, sendo a mais ilustre a tal, a própria, “Gentileza Gera Gentileza”. E gera.

  • Pontovet

    Caso tenham animais domésticos e necessitem de cuidados/serviços veterinários, na zona da Amadora, Lisboa e arredores, recomendo vivamente que experimentem o Pontovet.

    É o projeto de grandes amigos que se aventuraram a seguir o sonho de terem o seu espaço próprio, e garanto que de tanta confiança, poucos veterinários devem haver.

    O site é da autoria deste que vos escreve.

  • Mytable

    Odeio os sites que “oferecem” descontos, experiências, vouchers. Começou com o péssimo serviço que o Clube Fashion me prestou há uns tempos, prosseguiu com as dificuldades de arranjar datas para as prendas recebidas nos vida é bela’s e groupons desta vida.

    Este MyTable não é nada disso. É um serviço muito simples e despretensioso: marcação de mesas em restaurantes. Sem vouchers nem truques, é marcar, receber uma sms a confirmar, e chegando ao restaurante é só dar o nome que eles estão avisados. E não sendo da categoria dos sites que referi antes, me deu um dos melhores descontos que tive nos últimos tempos: 50% de desconto numa jantarada de peixe n’O Barbas (sim, eu não me recuso a comer nesse antro benfiquista, até gosto).

    Fiquem atentos às promoções dos gajos.

  • Recado para Alguém no Futuro #7

    Filha, ontem à noite vimos-te outra vez. Cortesia da Mariana e do Cláudio, que inauguraram a clínica. Era um ecógrafo para bichinhos, mas conseguimos ver-te muito bem.

    Já sabíamos que te andavas a mexer muito, mas no ecrã ainda impressionas mais. E parece que já estás naquela posição, tipo um míssil. Nós já temos tudo a postos para o impacto, mas não dispares já, tá bem? Obrigado!

  • Scam City

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    Em regra geral, apanham-se séries boas no National Geographic, em zapping. Esta Scam City (Burlar Turistas,na tradução do canal português) é mais uma delas.

    O apresentador tem um daqueles trabalhos que eu adoraria ter: ser pago para viajar. No caso, é pago para viajar e ser roubado, procurando e explicando os esquemas de roubo e vigarice das cidades que visita.

    Ao mesmo tempo que gostei de imediato da série, me senti meio envergonhado no segundo episódio que peguei: Rio de Janeiro. Em época de Carnaval.

    Logo no primeiro dia, na praia, é roubado de todas as formas possíveis. É distraído na praia e roubado, é enganado por um taxista malandro que esconde nota de 5 em troca de nota de 50, de noite tem prostituta querendo oferecer caipirinha temperada com “boa noite cinderela”.. Nos dias seguintes continua, com incursão em macumba falsa e investigação de jogo do bicho.

    O que meio me envergonha não é a realidade retratada, sabendo o que a propicia; é o orgulho com que os personagens vão gabando a malandragem (o taxista é o expoente máximo do falastrão).

    No entanto, é esse mesmo jeito Carioca de ser dos personagens que faz o apresentador exclamar no fim que adorou a experiência, e que não hesitará em voltar. O mesmo encanto que faz o meu pai e muitos outros não cariocas dizerem que só querem morrer lá.

    Fica pra pensar.

    Notas:

    Um apontador para o episódio em questão é disponibilizado neste site cultural.

    A foto que ilustra o post foi tirada do site Travel and Escape.image

    Lately, I’ve been catching some quality series on National Geographic. This Scam City (“Burlar Turistas” is the Portuguese translation) is one of them.

    The host has one of those jobs I would die to be hired to: be payed to travel. In his case, he is payed to travel and get robbed, searching and explaining all kind of scams of theft and robbery in each city he visits.

    The second episode I saw caused me mixed feelings: whilst confirming it was a very watchable (and useful) show, it also made me really ashamed about my origins. Yes, it was about my hometown, the wonderful city of Rio de Janeiro.

    At the very first day, at the beach, he is robbed in each and every possible way. He is distracted by thieves and picpocketed at the beach, he is fouled by a smart ass cab driver who magically turns his 50 bills into 5 ones, he goes out at night and some prostitute try to drug him with “Good Night Cinderella” caipirinhas and it goes on and on, with excursions to fake “macumba” (black magic) rituals and illegal gambling investigations.

    What makes me ashamed are not the facts shown, because I know the whole context behind them; it’s the pride the characters show, bragging every time their rascal skills (the cab driver is the ultimate loudmouth).

    But at the same time, is that Carioca way of life that makes the host state, at the end of the episode, that absolutely loved the experience, and won’t hesitate to get back to Rio. The same magic spell that makes my own father and many other non-native Cariocas declare that don’t want to die elsewhere.

    Be aware. You’ll say the same.

     

     

    Nota: um apontador para o episódio em questão é disponibilizado neste site cultural.

  • Carrinhos na Pixmania

    Vou contar esta história aqui mais para me precaver e para deixar registo, porque quando a esmola é muita até da Pixmania se desconfia.

    Os carrinhos do passeio para bebés são das coisas mais caras com que temos que arcar, e já andávamos há uns bons dois meses pesquisando e chutando para canto a compra.

    Sucede que por acaso encontrei um dos modelos de trio (carrinho + ovo + alcofa) de que mais gostamos dando sopa na Pixmania, por 280€, quando custa cerca de 410€ nas lojas.Como 130€ nos tempos que correm não são brincadeira, antes sequer de pestanejar carreguei no botão de comprar, e no seguinte e no etc e no etc, compra feita, boa noite e um queijo.

    Estranhamente, uma hora e pouco mais tarde, indo a mãe da criança ir buscar o link para mostrar a bela compra aos amigos, o produto estava dado como temporariamente esgotado, e… ao lado foi colocado um produto exatamente igual, pela módica quantia de 430€, mais condizente com os que tínhamos visto aí no mercado.

    Descubra as diferenças:

     

    Não estando ainda a encomenda expedida e nos meus braços, vamos aguardar para ver e dizer qual é a moral da história. Fica pra pensar.

    EDIT: Tudo está bem quando acaba bem. O carrinho chegou atempadamente e em perfeito estado. Das melhores compras que já fiz na vida! A moral da história é ter paciência e pesquisar bastante antes de uma compra destas. E a pixmania é amiga.

     

  • Cemitério de Pianos

    Demorei demais para ler um livro do José Luís Peixoto, e não precisaria ler mais para dizer que este Zé é dos melhores escritores da sua geração, da atualidade e de toda a língua portuguesa.

    Cemitério de Pianos parte de uma história real, a de Francisco Lázaro, maratonista português que desfalece em Estocolmo depois de untar o corpo com sebo, e magica todo um intrincado e recursivo enredo familiar à sua volta, todo ele a saltar constantemente entre a leveza da vida e o peso da morte (ou a leveza da morte e o peso da vida). Confudem-se narradores, tempos e histórias, mostrando que no fim de contas, tudo se mistura ou se repete.

    A originalidade da história é complementada com a originalidade do estilo da escrita do artista, que é arcaica sendo moderna, cheia de jogos de linguagem que tanto nos deixam desorientados quanto nos desarmam, culminando numa prosa comovente, de tão bela.

    Fica pra ler mais.

  • Recado para alguém no futuro #6

    Hoje pintamos o teu quarto. O pintamos é abuso de linguagem, porque quem fez o “trabalho sujo” foi o teu avô Armando. Hás-de ver que o talento do teu pai escapou para outras áreas.

    A Dyrup diz que a cor é rosa morango; não sei onde entra ali o morango, mas que está lindo, está.

    Preciso muito de ti lá dentro. Mas não te apresses. Eu espero.

  • Rockabye Baby

    Um bom pai deve tentar incutir algum gosto musical na sua filha.

    Já tinha ouvido falar da coleção Rockabye Baby há algum tempo, mas só agora, por motivos óbvios, é que prestei a devida atenção ao assunto.

    Ficam aqui, até agora, algumas das minhas preferidas. Filha, já ouviste Guns’n’roses e aparentemente gostaste!

    Guns’N’Roses – Sweet Child O Mine

     

    Metallica – Nothing Else Matters

     

    Kanye West – Stronger (o estilo do urso da capa deste arrebenta)

    Queen – Bohemian Raphsody

    Red Hot Chili Peppers – Under the Bridge

    Led Zeppellin – Stairway to Heaven

  • Recado para Alguém no Futuro #5

    Chamas-te Carolina de Oliveira Cardoso. Espero que gostes do nome, vai te acompanhar por toda a vida.

    Tens mesmo qualquer coisa de especial, porque meteste os teus pais, os mais forretas das respetivas famílias, com uma ânsia de ir correndo ao centro comercial comprar prendas para ti.

    PS: Muito obrigado por teres acedido ao pedido do recado anterior!