Y.

Women are more dangerous than shotguns.

  • Recado Para Alguém no Futuro #4

    Ontem ouvimos o teu coraçãozinho a bombar, mais uma vez, na consulta da Dra. Emília. É sempre lindo.

    Andas a conquistar o teu espaço: a barriga da tua mãe cresceu 7cm desde a última vez. Já senti mais que uma vez os teus primeiros pontapés, mas tipicamente páras quando meto a mão. Peço-te que em vez de parares, ainda dês com mais força, pode ser?

    O teu país cada vez merece menos a tua vinda, mas por enquanto permanecemos teimosos, e és tu o nosso alento.

    Não vejo a hora de chegar a próxima segunda-feira, para poder dizer o teu nome no próximo recado..

  • RIP Michael Clarke Duncan (1957-2012)

    Proporcionaste-me um momento único, no The Green Mile: foi das poucas vezes que vi a minha mãe chorar.

  • Aprendendo

    Na semana passada obtive o ccp (antigo cap), no centro de formação Nova Etapa. No geral o curso foi bastante positivo, sendo de destacar o talento e a dedicação do excelente formador Nuno Silva, e as diversas dicas que foi dando nas entrelinhas. Deixo aqui um excelente texto de Agostinho da Silva com que ele nos brindou, na despedida:

    Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus.

    Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence.

    São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.”

    Fica pra pensar.

  • MPB-3

    No dia 8 deste mês morreu o Magro, um dos eternos integrantes do grupo vocal MPB-4.

    Empobrecidos, no sábado seguinte cantaram pela primeira vez em público sem o amigo, no que Miltinho definiu “como um salto sem rede”, que abriu com a magnífica “Porto”, de Dori Caymmi.

    Os meus quatro momentos preferidos do percurso dos MPB-4 são estes:

    Roda-Viva, de (e com) Chico Buarque, uma das mais belas músicas já escritas em português. Tem a particularidade de ter sido escrita para a peça com o mesmo nome, que na altura teve o seu cenário destruído e seus atores espancados pelo CCC, apesar de nem ter nada a ver com comunismo.

    Partido Alto, também de Chico Buarque e já reavivada por muitas outras vozes, mas que ganha derradeiro sentido na interpretação dos quatro magníficos.

    A belíssima e simples Lua, de que me lembro sempre que está lua cheia, e que vai ser muito boa para cantar para a minha filha.

    E De Frente pro Crime, de João Bosco, uma brilhante e animada narração de um assassinato e da indiferença que provoca nos que o presenciam.

    Obrigado, Magro.

  • The Dark Knight Rises

    Como nos anteriores, tinha muitas expectativas para este último filme do Nolan sobre a mitologia do Batman, e só não o acho um grande filme porque há meia hora a mais nas 2h30 que o compõem.

    Essa meia-hora a mais são alguns devaneios de acção, deixas “cómicas” demasiado forçadas e uns twists que não o chegam a ser, mais para o final. Serve para agradar de forma transversal a mais tipos de audiência, mas a mim deixa um certo amargo de boca.

    Tirando essas picuices, o filme tem argumentos de sobra para prender a atenção do espectador, abordando simultaneamente diversos temas angustiantes que afligem a nossa sociedade, como o terrorismo e os falsos messias, o declínio económico e o potencial incendiário que os 1% causam (em nós) nos outros 99, a inversão dos nossos valores morais, e por aí vai.

    Gotham vive em paz há quase uma década, e durante esse período o Batman nem precisa sequer dar as caras (nem convém, porque é acusado de homicídio do Harvey Dent). Esta paz está alicerçada numa lei repressiva e com falsos pressupostos, que permite que todo e qualquer suspeito de crime seja colocado atrás das grades.

    Como toda a paz podre, esta é deitada por terra com a entrada em cena de um vilão, Bane, que além de portador de um tremenda força bruta é extremamente inteligente e um líder carismático, capaz de incitar os seus seguidores à morte, de sorriso nos lábios.

    O meticuloso plano de Bane para fazer ruir Gotham inclui a libertação dos seus criminosos e o cárcere dos seus policiais, a destruição da fortuna dos seus milionários através da apropriação da bolsa de valores, e a manipulação das massas, tentando-lhes fornecer uma ilusão de “devolução do poder ao povo”, uma espécie de Robespierre dos tempos modernos. Pelo meio o Batman, além de vencido, é torturado com a não-morte, e a obrigação de presenciar impotente a queda da cidade que protegia.

    Não fornecendo um veículo de interpretação tão poderoso quanto o que propiciou a encarnação do Joker no Heath Ledger no último filme, temos um vilão muito competente e coadjuvantes excelentes, como a ladra profissional e o polícia novato a quem o Batman tem que se agarrar no meio do caos, nomeadamente a Hathaway numa excelente Catwoman e o Gordon-Levitt como Blake.

    Mais uma vez, este realizador encontrou mesmo a fórmula para isto, de encontrar equilibrio entre agradar às massas e ao mesmo tempo fazer filmes de qualidade, metendo-as a pensar. Isso é que é preciso.

  • The Raid Redemption

    Este filme serve para quebrar um bocado o tom lamechas que tem imperado por aqui, sendo uma brutal demonstração de acção e violência levada a cabo por uns indonésios que nos fazem o imenso favor de demonstrar que ainda há lugar para os bons e velhos filmes de artes marciais.

    A premissa é simples: uma força policial especial é chamada a intervir num edifício onde impera a lei de um barão da droga, mas descobre rapidamente (e da pior forma) que está entregue à sua própria sorte, pois a missão é tudo menos oficial e visa apenas servir o seu mandante, que é corrupto até ao tutano.

    De andar em andar a acção vai se centrando em Rama, um policial honesto prestes a ser pai, e que vai se valendo dos seus dotes de lutador para garantir a sobrevivência. E que lutador! O maior elogio às cenas de luta é que elas doem, e muito, só de serem vistas. Pelo meio ainda um enredo clássico de dois irmãos do lado errado da lei, e a dita cuja redenção.

    Completamente diferente do filme de que falei antes, mas que também me prende pela originalidade num género maltratado. Aguarda-se o remake parvo americano.

  • Ted

    Tenho andado a falhar nas reviews de filmes, já vi este há quase um mês e nada disse. Mas muito gostei, como há já algum tempo não gostava de uma comédia à americana.

    Nesta em particular, a história centra-se à volta da amizade entre um rapaz e o seu urso de peluche, que ganha vida após o puto fazer um pedido. Os dois vão crescendo juntos, e às tantas são dois trintões que se recusam a crescer, sendo o urso o expoente máximo da vadiagem e do politicamente incorrecto, atrapalhando a todo o momento a já problemática vida amorosa e profissional do comparsa.

    Primeiro que tudo, não sou fã do Family Guy. Os desenhos enervam-me e noto que muitas vezes as situações são semelhantes a outras que vi nos Simpsons. O humor aqui empregue segue de forma mais ou menos óbvia a mesma linha, mas parece-me mais original, mais certeiro, e estranhamente mais plausível (!).

    É preciso coragem para arriscar uma ideia destas dada o panorama das comédias que fazem sucesso atualmente, e só pela originalidade o filme já ganha muitos pontos. Mas o seu forte principal é a forma como rapidamente “desprende” o enredo do urso. Podia ser um gajo qualquer que ali estava, mas é um urso.

    Bom devaneio.

  • Recado Para Alguém no Futuro #3

    Pode-se dizer que a tua história começou há 5 anos atrás.

    Mais ou menos por volta desta hora, exatamente neste ponto geográfico da cidade de Setúbal, a tua mãe pregou-me um beijo. A verdade é que eu também me pus a jeito, e ainda bem. Mudou a minha vida, e agora dá origem à tua.

    Dizem que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Eu quero a minha é do meu lado, sempre.

  • Ajuda a Gaula

    Tipicamente tendo a duvidar deste tipo de iniciativas, mas esta foi-me dada a conhecer por uma pessoa de confiança, da minha família.

    Os meus tios vivem em Gaula, e felizmente conseguiram combater com os seus próprios meios o fogo antes que este inflingisse algum dano à sua casa.

    Várias pessoas da Freguesia não tiveram a mesma sorte, tendo visto desaparecer casas, carros, hortas, animais… em alguns casos, o seu único meio de subsistência.

    Quem quiser ajudar com um euro que seja, pode fazê-lo através do NIB 0038 0000 4009 1856 77197, de uma conta criada pela Junta de Freguesia para esse efeito. Por mais que a vida custe, ajudar não custa.

    Quem estiver na Madeira e quiser apoiar com o seu trabalho, com entrega de roupa, comida ou outros pode fazê-lo contactando a Junta de Freguesia, pelo telefone 291526262. Quem quiser simplesmente partilhar isto, pode fazê-lo através deste evento do Facebook.

  • Recado Para Alguém no Futuro #2

    Cresceste bem desde a última vez que nos vimos, estás com 66mm agora.

    Lembras-te quando eu disse que não te parecias com nada? Agora já dá para ver que és uma pequena pessoa. Bracinhos, perninhas, mãos, pés… está tudo no sítio.

    Também já conseguimos ver que te mexes bem, mas já estavas a chatear o Doutor quando não quiseste ficar de perfil para ele medir a translucência da nuca. Depois de muito te sacudir, lá se entenderam. Talvez tenhas a timidez do pai, ou quem sabe não gostes de fotos. Vai ficar pra pensar. O pai diz muito esta frase, sabias? Aprendeu com um senhor chamado Joaquim. Um dia te conto.

    Ah, e é verdade, o palpite do médico é que és uma menina, portanto agora espero mesmo que o sejas e que este post não te embarace no futuro.

    De qualquer das formas, te amo. Até já.