Y.

Words like violence, break the silence.

  • Brisa Maracujá

    Hoje bebi um golinho de Brisa Maracujá, à pala do meu amigo Falso.

    Para quem não sabe, é um refrigerante muito, muito bom, da Madeira, a terra do meu pai. Diz-se que foi o primeiro refrigerante no mundo à base de sumo de maracujá puro. No meu ranking pessoal, os melhores refrigerantes do mundo, por esta ordem, são: Guaraná Antarctica, Fanta Uva, Brisa Maracujá, Sumol de Ananás.

    Ao Brisa, só o bebo quando lá vou, ou quando o meu pai dá um saltinho ao Supermercado Sá, no Campo Pequeno; assim sendo, cada gole é uma alegria imensa, e senti-me na necessidade de partilhá-la com o mundo.

    Com esse golinho veio a notícia de uma nova lata, e da futura produção no continente, o que é excelente. Assim sendo, fica a faltar  as padarias começarem a fabricar Bolo do Caco, os restaurantes fazerem milho frito, o 500 deixar o Ruben Micael vir para o grande Sporting, e o restaurante Madeirense do Almada Fórum deixar de ser uma valente merda.

    Fica pra pensar.

  • Wireless “Grates” da MEO

    Não era de todo meu desejo que o meu primeiro post do ano fosse relacionado com informática, mas fica pra pensar.

    O que aconteceu é que andava aí algum cabrão da Rua Mestre Manuel ou arredores a aceder à minha rede wireless da MEO. Tal sucede devido ao facto de ter mantido a chave de segurança WPA de origem, e dessa chave ser calculada através do SSID do router, tal qual já anda aí publicado nas internets e eu não sabia.

    Ora bem, como eu sou amigo e sei que toda a gente tem vizinhos que não prestam, quem for cliente da MEO, tiver o router bonitinho branco Thomson tg787 e quiser se precaver de tal maldade que faça o seguinte:

    Aceda à administração do router (o programinha de ir às internets) través do browser, através do seguinte endereço: http://192.168.1.254

    Quando o programinha de ir às internets lhe pedir username e password meta username=Administrator password=3!play

    Como essa pass que metemos também é uma pass por defeito, há que mudá-la indo a caixa de ferramentas, gestão de utilizadores, alterar a minha senha (para todos os users que houverem):

    Em relação à rede WIFI em si, o que há a fazer é o seguinte:  logo na página inicial da administração, há que clicar onde diz “wireless”:

    No ponto de acesso sem fios, é ir a “detalhes”:

    E aqui clica-se em configurar e faz-se o que se tem a fazer, que é alterar o SSID, a tal da chave de segurança que vem por defeito e mudar o versão de WPA para WPA2, que diz que é um bocado mais seguro. Por “chave-manhosa” entenda-se alguma coisa aleatória com uma rebaldaria de números, letras maiúsculas e minúsculas e símbolos à mistura.

    Depois disto há-de ter que se ligar à rede novamente, já com a tal nova chave de segurança, e passar bem.

  • 2009

    Toca a fazer balanço de 2009. Para mim, o ano da crise foi um grande ano.

    Revisitei a Serra do Gerês com a mulher amada.

    Assisti ao vivo a dois jogos dos meus sonhos: Brasil-Itália, em Londres, e Costa-Sporting, em Belém.

    A Eye View Design mudou-se enfim para o Madan Parque.

    Representaram uma obra-prima do Chico Buarque em Portugal.

    Oficializaram a morte do Michael Jackson.

    Revisitei as minhas origens na ilha da Madeira com a mulher amada.

    Vi-me livre do meu principal algoz: as minhas amígdalas assassinas.

    O Bento XVII, que era forever, finalmente foi corrido do Sporting. O Barça limpou tudo o que havia para limpar.

    Comecei a fazer a tese de mestrado. Ganhei, em consequência, uma bolsa de investigação.

    Eu e a Irina ganhamos mais um belo sobrinho.

    Vi o Sérgio Godinho, o Fausto e o Zé Mário Branco juntos.

    O Tarantino lançou um filme valente. A propósito, morreu o Carradine com uma corda enrolada aos tomates. Morreu muita gente este ano, como em todos os outros.

    Foi bom, não me posso queixar. Já tenho ideia do que espero escrever no fim de 2010, resta saber se terá corrido igualmente bem.

    Inté!

  • Desafio de fim de ano

    Beber dois pints de Guiness e cantar isto sem enganos:

    In the merry month of June from me home I started,
    Left the girls of Tuam so sad and broken hearted,
    Saluted father dear, kissed me darlin’ mother!
    Then drank a pint of beer, tears and grief to smother
    Then off to reap the corn, leave where I was born,
    Cut a stout black thorn to banish ghosts and goblins!
    Bought a pair of brogues rattling o’er the bogs
    And fright’ning all the dogs on the rocky road to Dublin!

    (Chorus):
    One two three four five,
    Hunt the hare and turn her down the rocky road
    And all the way to Dublin, whack follol de rah!

    In Mullingar that night I rested limbs so weary
    Started by daylight next morning bright and early
    Took a drop of the pure to keep me heart from sinking;
    That’s a Paddy’s cure whenever he’s on drinking
    See the lassies smile, laughing all the while
    At me darlin’ style, ‘twould set your heart a bubblin’
    Asked me was I hired, wages I required
    Till I was almost tired of the rocky road to Dublin,

    (Chorus)

    In Dublin next arrived, I thought it’d be a pity
    To be soon deprived a view of that fine city.
    So then I took a stroll, all among the quality;
    Me bundle it was stole, all in a neat locality.
    Something crossed me mind, when I looked behind,
    No bundle could I find upon me stick a wobblin’
    Enquiring for the rogue, they said me Connaught brogue
    Wasn’t much in vogue on the rocky road to Dublin,

    (Chorus)

    From there I got away, me spirits never failing,
    Landed on the quay, just as the ship was sailing.
    The captain at me roared, said that no room had he;
    When I jumped aboard, a cabin found for Paddy.
    Down among the pigs, played some hearty rigs,
    Danced some hearty jigs, the water round me bubblin’;
    When off Holyhead wished meself was dead,
    Or better for instead on the rocky road to Dublin,

    (Chorus)

    The boys of Liverpool, when we safely landed,
    Called meself a fool, I could no longer stand it.
    Blood began to boil, temper I was losing;
    Poor old Erin’s Isle they began abusing.
    “Hurrah me soul!” says I, shillelagh I let fly.
    Some Galway boys were nigh and saw I was a hobblin’,
    With a loud “hurray!” joined in the affray.
    We quickly cleared the way for the rocky road to Dublin,

    (Chorus)

  • Sherlock Holmes

    Ora bem,

    É um facto que é coisa rara blogar alguma coisa ultimamente; outro facto é que é coisa rara eu me dedicar aos prazeres da cinefilia ultimamente. Juntando a sede à vontade de beber, mato dois cajados com uma coelhada só e junto o inútil ao agradável.

    O parágrafo anterior é coisa parva, e não tem ponta por onde se lhe pegue. Este filme que vi ontem até que nem é coisa muito parva, e pode eventualmente suscitar imensa ponta, mas assenta sob o mesmo princípio: o da adaptação livre.  Gosto de uma boa adaptação livre que se esteja a cagar para os puristas, e esta até nem é má.


    exemplo suscitador de ponta, à direita

    É uma adaptação divertida quanto baste, tem acção, comédia (nem sempre de bom gosto), gajas boas e gajos bons, estilo (ritchie) e uma bela banda sonora. É entretenimento bem feito, que também é coisa rara nos dias que correm. Ainda não é o tal do great comeback do Ritchie (que também não foi com RocknRolla,) mas cheira bem, não cheira a Madonna. Ficamos à espera.

    Não, não tenho vontade nenhuma de ver o Avatar.

  • Só porque sim

    Santa T

    Andaram aí hoje a reclamar que eu não tenho blogado nada ultimamente. Para assinalar a quadra natalícia, aqui fica a informação inútil: cai neve no meu blog. Hohoho!

    E mais informo que as pizzas da Maritaca são as melhores de Lisboa e arredores. Sou capaz de matar por um bom catupiry.

  • RIP Herbert Richers

    Herbert_richers
    Já foi a semana passada, mas parece-me que esta notícia passou em claro cá em Portugal.

    Ele mesmo, o próprio: “Tradução brasileira, Herbert Richers”. Essa frase é imortal.

    Kitt, Esquadrão Classe A, Tartarugas Ninja… A nossa infância tá a morrer.

  • Football Against the Enemy

    Football Against the Enemy

    A tagline na capa deste livro diz “If you like football read it. If you don’t like football read it“, e é bem verdade. Sempre fui um bocado desconfiado em relação à mistura entre estes dois mundos (o futebol e a literatura), mas este livro é muito, muito bom.

    O autor, Simon Kuper, é um jornalista desportivo que percorreu 22 países no início da década de 90 tentando perceber de que modo o futebol influenciou os aspectos políticos e culturais de cada país (e vice-versa). Foi uma altura boa para fazê-lo, pois ainda estavam bem frescas as quezílias entre os países dos balcãs, a queda do muro de Berlim, o fim do apartheid, os resquícios da ditadura argentina, e etc.

    Obviamente que o futebol é o protagonista e o livro tem mais valor para quem o ama, mas aprende-se tanto sobre a história mundial que o futebol acaba por ser um “extra”. Vou dar só uma pequena achega.

    Ficamos a saber, por exemplo, a origens dos clubes da união soviética: O Dynamo era o clube do KGB, o CSKA do exército, o Torpedo da Zil, o Lokomotiv dos caminhos de ferro e o Spartak de quem pretendia permanecer neutro, pois não possuía nenhum apoiante oficial. Era o clube do povo. O seu fundador, Nikolai Starostin, foi jogador e campeão de hóquei no gelo e futebol, capitaneou e treinou o seu país nos dois desportos e era o ódio de estimação de Lavrentiy Beria, chefe da polícia secreta de Estaline e um dos presidentes do Dynamo.

    Após anos de espera, Starostin foi finalmente preso, sob a acusação de planear o assassinato de Stalin. Foi ilibado das acusações de tentativa de assassinato, mas ainda assim condenado, com os 3 irmãos, a 10 anos de confinamento na Sibéria, onde tinha uma vida privilegiada e foi se safando por diversas vezes de ser executado por ser o treinador de futebol dos Gulags por onde passava.

    Outra história interessante, mais tarde mas ainda a leste. Quando o Muro de Berlim foi erguido, o estádio do Hertha ficava a poucos metros do mesmo, e o pessoal do leste que era fã pendurava-se lá para ouvir os golos. Obviamente que os guardas começaram a carregar neles, até que o próprio Hertha mudou-se para o mais afastado estádio olímpico. Não os dissuadiu. Foi criado um clube de adeptos clandestino para obter informações e tentar acompanhar alguns jogos de equipas ocidentais mais a leste. Durante anos estes fãs foram perseguidos, torturados e encarcerados pela Stasi nestas desventuras.

    Depois que o muro caiu, o primeiro jogo do Hertha em casa levou 60000 pessoas, mesmo estando na segunda divisão. O seguinte, apenas 16000. O motivo? Os adeptos que tão humilhados foram ao longo dos anos, depararam-se com os chefes da Stasi e do Partido Comunista que lhes perseguiram na bancada VIP do estádio, e sentiram-se defraudados.

    Há muito mais para contar, das experiências científicas do fortíssimo Dinamo Kiev dos anos 70 e 80, em que a equipa era escolhida pelo professor Zelentsov e os seus rigorosos testes psicotécnicos, a origem do catenaccio italiano com Helenio Herrera, as ligações do Real Madrid ao regime Franquista, os rituais macabros e meandros obscuros do futebol africano, os milhões gastos pelos militares argentinos para organizar o mundial de 78 (e tentar desviar as atenções das atrocidades que cometiam), o fanatismo dos católicos e dos protestantes na defesa do Celtic e do Rangers e por aí vai.

    Read it! Now!

  • Há dias perfeitos

    DSC02229

    Desde que me conheço como gente que esperava que calhasse o Costa em sorteio ao Sporting. Palavra de honra. Mais um sonho concretizado.

    Pastéis de belém, Sporting a jogar com o Costa, benfinca a ser encavado na luz. Há dias perfeitos.

  • O que se leva desta vida

    594x247_1254325470

    Esta peça compensa plenamente o dinheiro do bilhete e uma tremenda molha na baixa. É a primeira peça portuguesa em que saio do teatro satisfeito.

    É impressionante como uma ideia tão simples consegue ser tão bem desenvolvida. Dois chefs numa cozinha, o frenesim da busca do prato perfeito e uma divergência entre o tradicionalismo da natureza e da arte e a mecânica da ciência e da tecnologia (tanto poderia ser culinária quanto outra coisa qualquer). Uma hora e tal de magia, tanto na escrita quanto na interpretação.

    Que o Gonçalo Waddington era um actor do caraças já eu sabia, do Tiago Rodrigues sequer tinha ouvido falar. Dois monstros. Há lá 10/15 minutos de discussão (e de humor) entre os dois de uma entrega tal que até arrepia, do melhor que já vi.

    Acho graça a certas pessoas saírem do teatro ofendidas quando se intensificam os caralhos e os foda-se. Quando bem empregue, o vernáculo é sempre digno e justificado.

    Até dia 22 no São Luiz, e tá barato. Conselho de amigo.