Y.

Toma o comprimido que isso passa.

  • London, Day 5

    Hoje o dia prometia, fez sol que se fartou, para os London Standards.No entanto, o dia não correu assim tão bem: a estação mais próxima de nós estava fechada, além de duas linhas inteiras do metro, e amanhar-mos-nos com o bus é um bocado mais complicado. Além disso, demos uma caminhada do caraças para encontrar a pizzaria italiana La Porchetta, que é só a melhor do mundo e arredores, e chegamos lá… e não servem almoços aos sábados! Maledettos!

    Ainda assim, deu para irmos ao British Museum visitar as múmias, os gregos com as pilas de fora e coçar a barba em sinal de sapiência, faz parte.

    Este rapaz que está acima não foi mumificado, mas está conservadinho há milhares de anos devido a ter secado naturalmente de andar a bulir no deserto. O pessoal que anda no ginásio a mamar água destilada devia era pôr os olhos nele e ir encher para o Saara.

    O resto foi andar a ver as montras na Oxford Street (só ver, que o dinheiro já não estica) e descansar um bocado, que também merecemos. Amanhã comemoraremos pela segunda  vez o reveillon, no espaço de dois meses: é o ano novo chinês, com celebrações chinocas em Trafalgal Square e Chinatown (óbvio).

  • London, Day 4

    Nesta manhã demos granda passeio pelo Hyde Park; mesmo assim, não conseguimos percorrê-lo todo. Andamos a dar comida aos patos, gansos, esquilos, a tudo o que se mexia menos aos pombos, que é proibido.

    À tarde fomos passear para os lados da Tower of London e fomos ao London Dungeons, depois de uns bons 30 minutos na fila: neste a compra online não adianta nada, é tudo ao molho e fé em Deus.

    Não é bem o que estávamos à espera: nem aos putos mete medo, e dos actores, poucos se aproveitam, apesar do makeup. É, no entanto, muito interessante do ponto de vista da recriação histórica, de ficar a saber mais sobre o tempo da peste negra, das torturas que se infligiam aos infiéis e traidores, das histórias do Jack the Ripper, etc. Sentar na cadeira do Sweeney Todd também tem um efeito interessante: ficamos às escuras enquanto vamos ouvindo as tesouras e as giletes a cortarem e o bafo do gajo no pescoço.

    Esta noite estiveram -5 graus na rua. Aperta!

  • London, Day 3

    Neste dia fomos visitar a Madame Tussauds logo pela manhãzinha. Fiz a reserva dos bilhetes pela net, e é a melhor coisa que se pode fazer: a fila para as entradas normais dava a volta a vários bilhares grandes. Lá dentro é que foi pior, estava difícil até para respirar, com tanta gente.

    Deu no entanto para ver o essencial, tirar foto com a mão no rabo da Jennifer Lopez, dar soco no Muhammad Ali, a Irina aganfar-se ao Brad Pitt, etc.

    A tarde foi dedicada a andar à chuva, e isto é sina: sempre que eu vou andar no London Eye, chove pra caraças, não falha. Mas vale sempre a pena.

    Me Love no Eye com o tio Ben ao fundo

    Amanhã vamos ver se apanhamos um cagaço no London Dungeons, mas pelo pouco que a Irina sofreu no Chamber of Horrors do Madame Tussauds, não sei não. Fica pra pensar.

    BÓNUS: A próxima foto é dedicada a todos os meus amigos que praticam Krav Maga. Eles sabem quem são e o porquê.

  • Liverpool & London, Day 2

    Ainda não ficamos com autoridade para dizer que conhecemos verdadeiramente Liverpool; aquilo que fizemos durante a manhã deste dia, até à partida do comboio do tio Richard Branson, foi uma espécie de speed tour pela cidade. Deu para ver aquilo que nos disseram que era o principal: Albert Dock, St George’s Hall e o tal do mítico pub “The Cavern”, onde os Beatles tocaram no tempo da avó cachucha.

    Ygor Cardoso e John Lennon

    Pode ser que um dia lá voltemos para conhecer melhor, mas honestamente, a cidade não me pareceu tão interessante quanto isso.

    De regresso a Londres, e depois de um passeio por Oxford e Picadilly Circus, fomos experimentar assistir um musical no West End Londrino; assim a olho e numa decisão rápida, aquele com o qual mais nos identificamos foi o “Thriller Live”, um tributo ao MJ que nem é bem um musical, é mais um debitar das canções do gajo ao longo dos diversos períodos da sua vida (Jackson 5, Thriller, McCaulay Culkin, etc), pela voz e pelas pernas de diversos performers, masculinos e femininos.

    Não é tão lamechas quanto seria de esperar (até porque já está em cartaz desde antes da morte) e o elenco é bastante talentoso, apesar de exagerarem no overacting de vez em quando; há, no entanto, grandes momentos de música e coreografia (smooth criminal à cabeça) e gostei do facto de utilizarem bastantes músicas das menos conhecidas. Bom entretenimento.

    Ficou definido que a música oficial desta viagem é “Can You Feel It”, do tempo dos J5, grande pinta. Fica pra dançar.

  • Liverpool, Day 1

    Neste dia viemos até Liverpool apoiar o Sporting contra o Everton, em jogo a contar para a Liga Europa (taça UEFA). Conhecer Liverpool a sério ficou reservado para a manhã seguinte; foi chegar do comboio, meter as coisas no hotel, enfardar um buffet chinês e partir para o estádio. Só deu para sentir que ali o frio faz jus a São Ramalho.

    A rivalidade entre Liverpool e Everton está sempre a pairar no ar; por todo o caminho fui ouvindo palavras de incentivo dos adeptos dos Reds, incluindo do taxista que nos levou até à porta do estádio: um gajo com um sotaque indecifrável, uma gargalhada à Moura dos Santos, e que passou o tempo todo a fazer piadas com “Lisbons” e “Lesbians”, a dizer que estava a levar-nos para o meio da merda e a barafustar com a proximidade que o futuro estádio do Liverpool terá com o Goodison Park.

    Eu tinha prometido que independentemente do resultado, ia me abster de comentar as incidências futebolísticas em si, e isto vale até ao final da temporada. Em relação à envolvência do jogo, saí do estádio plenamento satisfeito, e com a sensação de dever cumprido.

    O Goodison Park é dos estádios mais antigos do mundo (1892), tendo sido palco de, por exemplo, o célebre Portugal-Brasil de 1966 em que arrumaram com o Pelé; só daí já valia a pena tê-lo conhecido. É um estádio acolhedor, à moda antiga, com catracas de rodar e bancadas assentes em madeira.

    Dois Grandes Leões no Goodison Park

    Os leões que lá estiveram foram grandes, tendo apoiado a equipa durante todo o jogo, conseguindo calar os muitos toffees presentes (estes eram bastante fraquitos, diga-se de passagem). Entre nós estava o grande Ricardo Sá Pinto, a quem tive a oportunidade de dar um palmadão. Foi uma grande, grande lição do sportinguismo que não se deixa morrer.

    Amanhã conto mais.

  • England, Day 0

    Bom, cá estamos nós outra vez em Londres, e lá vou eu ver a bola outra vez. Pode-se pensar que todas as minhas visitas ao Reino Unido são por esse motivo, mas desta vez calhou o Sporting tar cá ao mesmo tempo que eu. Boa desculpa para conhecer a cidade dos Beatles e etc.

    Ainda tou à espera que me expliquem porque é que sinto menos frio com 2 graus aqui do que com 6 ou 7 na Caparica, tá bué leve.

    Apertem!

  • Cota Gil

    Antes de mais: FÉRIAS!

    É bom ter tempo para ler as coisas com olhos de gente; quase que me ia passando despercebido no Público de ontem que o velho Gil Scott Heron está aí com um álbum novo, 16 anos depois.

    Do pouco que conheço do homem, muito gosto: é dos verdadeiros. Diz que foi ele um dos inspiradores do nascimento do hip-hop, mas não tenho grande conhecimento para falar sobre isso (e sempre achei que esse fosse um dos motivos para ele desaparecer, desiludido com toda a merda que anda por aí).

    Fica aí o clássico poema cantado “The Revolution Will Not Be Televised” (o vídeo não é dele) e uma música do tal novo álbum, cuja análise fica para quando efectivar a sua aquisição (o Manuel Machado não diria melhor).

  • God Save the Football

    Este post é só para eu me mentalizar que para a semana começo finalmente a coçar: esta semana ainda é carregada, culminando com a apresentação da primeira fase da tese, na sexta-feira.

    No ano passado, em Fevereiro, fui a Londres ver um grande Brasil-Itália. Semana que vem vou a Liverpool, ver um não tão grande Everton-Sporting.

    Falando assim até parece que todas as minhas visitas ao Reino Unido se devem a motivos futebolísticos, mas desta vez foi pura coincidência: já estava marcada uma viagem para a Irina conhecer Londres e eu descomprimir da tese, por pouco que seja.

    Uma boa oportunidade para conhecer a cidade dos Beatles e o Goodison Park, um dos mais antigos estádios do mundo. Eu não conseguiria estar no mesmo país que o meu Sporting e não ir dar o meu apoio. Ainda que este não seja verdadeiramente o meu Sporting, aquele que eu aprendi a amar, eu não viro a cara ao meu clube, por pior que a situação esteja.

    Um pint de Guiness preta, à vossa!

  • Parque da Gorongosa

    Sempre que ouvia o Manuel João Vieira a falar na “Rádio Gorongosa” na música “Dr. Bayar” ficava com curiosidade para ver onde seria, a existir, essa localidade, mas nunca cheguei a googlar sobre isso.

    Depois de ler uma notícia qualquer acerca dos destaques de Moçambique na BTL, fez-se um clique na minha cabeça, num daqueles momentos onde eu vejo o quão ignorante realmente sou.

    O Parque Nacional da Gorongosa está localizado na região centro moçambicana, tem uma área de cerca de  3.770 km2 e inclui o vale e parte dos planaltos circundantes. Os rios que nascem no vizinho Monte Gorongosa, que atinge os 1.863 metros de altura, irrigam a planície.

    Outrora este parque englobava uma das mais densas populações de vida selvagem de toda a África, incluindo carnívoros carismáticos, herbívoros e cerca de 500 espécies de pássaros. Por cortesia atroz da guerra civil moçambicana, os grandes mamíferos foram brutalmente reduzidos para mais de 95% e os ecossistemas foram largamente afectados. Neste momento, está em curso um programa tendo em vista a sua recuperação.

    No dia 7 de Fevereiro vai estrear o documentário “Africa’s Lost Eden”, na National Geographic. Fica pra ver, e pra visitar um dia:

  • Futebol e Fascismo

    Ora bem,

    Vários amigos meus adeptos daquela instituição que se intitula a maior do mundo e arredores tem andado entretidos a enviar e-mails a chatear-me com a seguinte imagem do tempo do Estado Novo:

    Segundo consta, esta onda de euforia surgiu num desses programas de entendidos da bola que não percebo muito bem para que é que existem. Compreendo a utilização desta imagem num “picanço” entre amigos; em utilização como argumento de um programa que se diz de debate, sem contexto, é no mínimo desonestidade intelectual.

    Obviamente que nenhum dos meus compinchas tem autoridade moral para falar sobre esses tempos, mas sabe-lhes bem. Eu também não a possuo, nem de perto nem de longe, mas já agora sinto-me igualmente no direito de mandar as minhas bocas:

    Qualquer clube era obrigado a fazer essa saudação, assim como eu seria obrigado a ter pertencido à Mocidade Portuguesa e usar aquela farda parva com aquele cinto com um “S” na fivela e tudo o mais (ainda não consegui perceber se o rumor de que aquilo significava “Salazar” é verdade ou não).

    Apesar de acreditar piamente que sim, vou dar de barato e não dizer com certeza absoluta que o clube do regime era o da luz, porque nenhum dos clubes há-de poder lavar as mãos em relação a esse período negro (ao que parece, o fóculporto incrivelmente era o menos beneficiado); mas que o Estado Novo usou e lambuzou das façanhas do clube “encarnado” (vermelho não podia ser, que era conotado com o comunismo), ninguém pode negar, tanto mais quanto vindo da própria boca suja do pantera escura (“património nacional” impedido de deixar o país) e do antigo capitão Coluna.

    pantera e o papá antónio em amena cavaqueira

    O próprio “desvio” da pantera preta, que vinha do Sporting de Lourenço Marques com destino à casa mãe,  tem contornos duvidosos, tal como o desvio de Di Stefano do Barcelona para o Real Madrid, na época do franquismo.

    Andam para aí a dizer que o clube do regime era o Sporting, porque “em 1954/55 O Benfica apesar de campeão não foi indicado para a Taça dos Campeões Europeus porque naquela altura os clubes eram sugeridos pelas entidades nacionais responsáveis e o Benfica, mesmo sendo campeão, foi preterido em favor do Sporting.”. Uma simples consulta ao site da UEFA mostra o quão falso é esse argumento:

    Lisboa, berço de campeões
    (…) O Sporting, vencedor do campeonato português na época 1953/54, e ainda campeão em título quando decorreu o sorteio da prova, acabaria no terceiro posto, em 1955 (…)

    outro argumento que diz que a instituição em causa não era beneficiada pelo regime, porque dominou os campeonatos após o 25 de Abril. Este de tão parvo, nem vou contrapor, que só me dá para rir.

    Ainda em relação a saudações, até a própria democrática Inglaterra tem a sua história desportiva manchada no que ao fascismo diz respeito (aqui ainda andavam numa onda de tentar acalmar o Hitler, em 38):

    E por aqui poderia continuar, mas o que concluo é que o que há é a fazer é deixarmo-nos de merdas e esperar que estes tempos não voltem mais.

    Saudações leoninas!