
Na semana passada, a grande Rosalía passou por Lisboa com a tour do seu mais recente álbum, Lux, e estivemos lá na MEO Arena, no primeiro dia, para prestigiar o momento.
Nós e uma multidão devota! Sou fã dela, mas não ao ponto de saber as músicas de cor e salteado ou de ir com a indumentária a rigor, de acordo com a artista. Fico sempre impressionado ao ver tamanha devoção – homens e mulheres de branco e de véu, com toda a espécie de estilos inspirados no imaginário dela. Vê-los em lágrimas e em êxtase transmite sempre uma emoção especial.
O espetáculo em si foi bastante cénico, mas ao mesmo tempo muito simples, nunca desviando a atenção da potência que é ela própria e do quão pouco precisa para chamar a si as atenções. Mesmo no meio de trocas de roupa, efeitos de luzes e aumentos de decibéis estardalhaçónicos (no meio da habitual péssima acústica do pavilhão), o que sobressai sempre, sempre, é a presença incrível dela em palco, e a forma como o faz como se nada fosse.
Todas as músicas eram legendadas, o que percebo que não seja consensual, mas que eu, pessoalmente, gostei. Um pouco como nos filmes em que domino a língua (aka inglês), na maior parte do tempo abstraí-me delas; já noutras partes, foi interessante perceber melhor o significado das letras, até porque ela mistura muita coisa, seja catalão ou japonês.
O concerto teve vários pontos altos, mas para mim foi “Yugular”. Não dá para descrever o impacto que a segunda parte desta música teve em mim ao vivo. Incrível.
Fiquei mais fã ainda.“La sangre y la suerte, aquí me han arrastra’o”. A sorte de ter testemunhado isto valeu cada segundo.





