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  • Horrible Bosses

    Quem nunca teve vontade de assassinar um patrão?

    Sessão da meia-noite de sexta com a mulher amada para ver esta comédia de Seth Gordon (começo a perder a conta aos Seths na moda em Hollywood), que é bastante comestível.

    Muito resumidamente, três amigos possuem três patrões terríveis, cada qual à sua maneira (mas destacando-se claramente em todos os aspectos Kevin Spacey). Fartos de stress e de humilhação, decidem planear limpar o sebo a cada um, recorrendo para o efeito a um “consultor de homicídios” (Jamie Foxx num curto mas bem esgalhado personagem chamado Motherfucker Jones) .

    O resto são trapalhadas para ver e descontrair um bocado.

  • Rio

    Queria que quando chorasses,
    te tornasses um rio,
    que jorrasse um brio
    da cor dos teus olhos.

    E em ti nadando, errante,
    seria eu peixe,
    Tudo esquecendo, a todo o momento
    me apaixonando por ti, a cada instante.

    Mordesse eu um anzol,
    Ou me esventrasse um urso,
    Alterasses teu curso,
    E te tornasses sol.

    E queimasses-me, inerte,
    e queimasses tudo ao redor,
    E em chamas, meu corpo
    Fosse resgatado pelo teu amor.

  • VIPs

    Mais um da terra natal.

    Este filme é uma espécie de Catch Me If You Can brasileiro, baseado na história real do paranaense Marcelo Nascimento da Rocha, que de pequenos golpes em pequenos golpes vai viajando pelo Brasil de graça na adolescência, obtém brevet de piloto, se torna piloto do narcotráfico entre o Brasil e o Paraguai e, por fim, engana durante algum tempo a nata da sociedade se fazendo passar por um dos filhos do dono da companhia aérea Gol.

    A (principal) diferença entre este impostor e o interpretado pelo Di Caprio é uma certa esquizofrenia que o filme dá a entender,  sendo que o personagem se recusa a negar o papel das várias personalidades que vai assumindo, ficando no ar se efectivamente por patologia ou por medo de encarar a realidade.

    Outra diferença é o modo desprendido e apatetado com que ele vai levando as suas tramóias avante, sendo de realçar aqui mais uma excelente interpretação do Wagner Moura, que carrega o filme nas costas fazendo o papel de alguém que, sendo narcisista, não faz a mínima ideia de quem realmente é. A realização (a primeira de Toniko Melo) é firme, mas sem essa interpretação não sei o filme deslanchava.

  • Lemmy

    Uma das grandes vantagens deste documentário é não ser uma homenagem póstuma. Foi filmado com a lenda ainda viva, e são basicamente cerca de duas horas a ser a sua sombra, a seguir os seus passos e a absorver a aura de misticismo que o envolve.

    A primeira meia-hora do filme chega a ser algo entediante, consistindo basicamente na recolha de depoimentos de diversos rockers da nova e velha guarda que vão declamando o quanto o veneram, o quanto foram influenciados e o modo como davam o cú e oito tostões para ser como ele. A seguir de lambidelas várias, a coisa melhora bastante.

    Enquadramento histórico do seu percurso desde os Rockin’Vickers em Inglaterra até aos Motorhead, diversas histórias de palco e de backstage, desmistificação de outras tantas (corrige que não comeu mais de duas mil mulheres, foram só mil) e testemunho dos seus hábitos de vida demolidores, que levam a crer que com 66 anos já deve alguns à cova.

    O badass que ao ser expulso dos Hawkind comeu as mulheres de três dos colegas de banda, que colecciona memorabilia de guerra e que quando o filho único fez 17 anos proibiu-o de consumir cocaína (aconselhou-o a tomar speed, que era bem melhor), é ao mesmo tempo um gajo simples e cativante, um purista que vive verdadeiramente para o que faz, que nunca se furta a um pedido de um fã e que vive no mesmo cortiço desde que veio para Los Angeles, aproveitando o facto de a renda não poder subir mais de 6% ao ano.

    Para sintetizar, nada melhor que esta citação do Dave Grohl:

    Fuck Keith Richards, fuck all those dudes who survived the sixties. Flying around in private jets, living up their gunslinger reputation as they fuck supermodels in the most expensive hotel in Paris. It’s like: you know what Lemmy is doing? Lemmy is… probably drinking Jack’N’Cokes and writing another record!

    Fica para ver, admirar… e headbangar.

  • Dies Natalis

    Hoje presto aqui homenagem a uma pessoa que por vezes se julga esquecida, mas que nunca deixará de ser das pessoas mais importantes da minha vida.

    É uma pessoa cheia de defeitos e manias, e que já tomou muitas opções erradas, mas ainda assim teve o dom de conseguir por vezes se substituir no papel de mãe e pai no meu crescimento, por motivos vários.

    Completa hoje uma bonita e simétrica idade, que não vou revelar mas que só pode lhe orgulhar, pela discrepância entre o número e a carne.

    Ela é inteligente e é linda, e conseguiu a façanha de por no mundo uma pessoa ainda mais linda do que ela.

    She’s my sister and I love her.

  • Estômago

    Estômago, Uma História Nada Infantil Sobre Poder, Sexo e Gastronomia. Das melhores surpresas cinematográficas que tive nos últimos tempos.

    Nonato é um emigrante nordestino que chega à cidade com uma mão à frente e outra atrás, e que descobre num boteco de esquina que tem um talento inato para a culinária. O dono de um requintado restaurante italiano do bairro oferece-se como seu mentor, mas o seu amor por uma prostituta e algumas peripécias pelo meio levam-no à prisão, onde mete os seus dotes de aprendiz de chef a serviço da sua sobrevivência.

    Humor negro, de timing exacto e alguns twists muito bons, bem acompanhados por cinematografia, banda sonora e actores a serviço de personagens que se movem num ambiente de uma inocência que no fundo não existe em nenhum deles.

  • That’s my woman

    No mês passado a Irina deixou para trás 5 anos de Minipreço. Meteu ela própria a carta, instigada um bocado por mim e muito pela desorganização da empresa, falta de adequação às condições físicas (hérnias) dela e falta de consideração pelo seu trabalho. Paralelamente, dedicou-se ao sonho de entrar na faculdade e candidatou-se à Licenciatura em Psicologia, na Universidade Lusíada, de Lisboa.

    Temos total consciência de que foi uma jogada arriscada, mas muitas vezes só arriscando é que mudamos para melhor. Mais que isso, o que quer que acontecesse tínhamos e temos um ao outro, e essa é a chave.

    Bom, sem mais demora, depois de muito stress por estar parada em casa (mesmo por pouco tempo) e não ver nada acontecendo, ela teve na quinta-feira a notícia de que efectivamente vai ser psicóloga e ter plenos poderes para tratar do maluco que tem em casa, e que vai ter um emprego em part-time passível de conciliar com os estudos, aqui perto de casa.

    A haver moral da história, e depois de termos passado ambos um início de ano complicado, não é que se tivermos fé e formos positivos as coisas melhoram; isso ajuda mas não chega. Se corrermos atrás as coisas melhoram, e se não estivermos satisfeitos, temos mesmo que correr atrás. E, last but not least, amar assim ajuda imenso.

  • Zoolanders

    Aproveitando o feriadão, eu e a mulher amada agarramos nos sobrinhos e cumprimos uma visita ao Zoo de Lisboa que já estava prometida há muito tempo.

    O objectivo era, além de matar saudades e proporcionar um dia bonito aos putos, ver in loco as tais remodelações que andaram por lá a fazer há relativamente pouco tempo. Não saímos defraudados, pois  nota-se um esforço em proporcionar um espaço mais agradável e mais “natural” aos animais, apesar de ainda por lá haver umas quantas jaulas mais deprimentes ou um tanto exíguas.

    Bons exemplos são o “templos dos primatas” e o “vale dos tigres” que, mais do que serem amplos e bem bonitos esteticamente, dão a impressão de serem desenhados mais em função dos animais do que do público, além de incluírem também bastante informação didáctica e de iniciativas de consciencialização, de uma forma simples.

    Uma nota especial para os animais que andam fora da jaula; como nós, muita gente teve a mesma ideia, e o zoológico estava particularmente cheio. Como nós, muita gente levou farnel para aproveitar o parque de merendas, e o parque estava cheio. Mas não estava cheio de gente a comer, estava cheio de malas. Na típica mentalidade tuga, o pessoal chegou lá de manhã e “reservou” as mesas e foi passear, ao invés de partilhar e ir rodando. Fica pra… qualquer merda.

  • Terras do Sem-Fim

    Fazia um bom tempo que eu não lia um clássico, na verdadeira acepção da palavra. Este foi emprestado, em edição antiga, com textura, cor e cheiro a clássico. Terras do Sem-Fim é mais um excelente romance de Jorge Amado que, como Tieta ou Gabriela Cravo e Canela, deu em novela.

    O livro retrata o desbravamento e expansão de parte do território do estado da Bahia, com a chegada da “febre” do cacau à região, no início do século XX. De uma era em que a escravidão já havia sido abolida formalmente mas em que o visgo do cacau e a perspectiva de um futuro melhor mantinham presos e obcecados diversos homens, e em que imperava a lei da bala e do facão dos coronéis.

    Dois coronéis são o centro da narrativa, Horácio da Silveira e Sinhô Badaró, que disputam de forma acirrada cada palmo de terra da mata de Sequeiro Grande, mas o verdadeiro personagem central do livro é a própria terra, a mata que enfeitiça e consome as mais diversas e rocambolescas personagens e o próprio leitor, pela pena do mestre. Com muita história de amor e de sangue pelo meio.

    Depois de Capitães de Areia (este no topo) e Gabriela, confirma-se que não há livro de Jorge Amado de que eu não goste.

  • The Code of Y

    Quem me conhece sabe que, além de espectador activo de milhentos desportos, também gosto de meter a minha fé nas apostas, e de quando em vez até amealho uns cobres.

    Ao longo dos anos em que o faço, desenvolvi uma espécie de código de conduta desta minha faceta de apostador, que é um bocado de senso comum adaptado à minha pessoa, mas passo a partilhar.

    Nunca apostar no clube do coração
    Por experiência própria de algumas banhadas que levei do Sporting e da selecção brasileira, apostar com o coração é sempre, sempre má política. Em melhor forma que o nosso clube esteja, estamos sempre a ser tendenciosos, e a determinada altura isso vai se virar contra nós.

    Take a break
    Apostar é extremamente viciante, quer estejamos a ganhar dinheiro ou não. O que faço é intercalar períodos em que aposto com regularidade, com hiatos de um, dois ou mais meses. É difícil definir o momento certo de fazê-lo, mas eu diria que é ou quando estamos em alta, quando estamos na lama ou… quando pensamos demasiado no assunto.

    Não fazer múltiplas com mais de 3 apostas
    Até com duas é complicado, mas a ideia é que a regra geral das apostas múltiplas é: há sempre uma que nos lixa o esquema, e quanto mais apostas combinamos, maior é a probabilidade disso acontecer.

    Não apostar às cegas
    Só devemos apostar sobre realidades que conhecemos ou acompanhamos minimamente. Às vezes é aliciante meter dinheiro no futebol feminino do Uzbequistão ou da conquilha na Guiné Conacri, em apostas ao vivo de jogos que estão quase a acabar e em que o dinheiro parece quase certo… não vale a pena, o lucro na maior parte desses casos é irrisório para se correr o risco de apostarmos às cegas.

    Ler e reler e reler e reler os bónus das casas de apostas
    Por mais aliciantes que possam parecer à primeira vista, há bónus com regulamentos exasperantes, em que o dinheiro do bónus tem que rodar quatrocentas mil vezes antes de podermos levantá-lo. Muito cuidado com eles.

    Só apostar o que podemos apostar
    Isto dito assim parece um bocado parvo, mas muitas vezes só pensamos na falta que nos vai fazer aquilo que apostamos… quando o perdemos. E aí entra o desespero e as decisões parvas, e tentar apostar para “compensar”, o que dá sempre barraca. Uma boa táctica é definir um budget e nunca fugir dele.

    A Bwin tem as piores odds
    Apesar de ser a mais conhecida (em Portugal), a que tem um site mais apelativo e com uma interface mais agradável, regra geral é mesmo a casa com piores odds, e piores aqui é no sentido das menos lucrativas. Há diversos sites que comparam as odds de cada casa, o google é amigo.

    E é isso, fiquem bem e joguem muito. 🙂