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  • Indian Grill House

    Eu adoro comer, em geral, e gosto muito de comida indiana, em particular.

    Há um restaurante indiano aqui na Costa, o Indian Grill House. A comida é excelente, desde as entradas às sobremesas, e tem variadíssima oferta (inclusive vegetariana, e boa). É acolhedor, os indianos são muito simpáticos e vemos tudo o que se passa na cozinha. Fazem também sempre descontos no take-away. Até entregas em casa fazem, sub-contratadas (e com preço acrescido) pelo no-menú.

    No entanto, o marketing deles é particularmente pródigo em situações caricatas.

    Entre outras coisas, no ano passado, tinham um cartaz na Rua dos Pescadores a anunciar uma promoção de “partos” por 6€. Agora andam a distribuir o seguinte folheto:

    Quem conhece a Costa percebe logo que, infelizmente, a foto ilustrativa de baixo está mais próxima do Dubai do que deste burgo. Talvez num futuro distante…

    Não deixem de visitá-los!

  • Diferenças

    Tentei contactar a UNICEF portuguesa a semana passada. Enviei um e-mail há mais de uma semana, para o e-mail geral da sede. Não me responderam. Tentei então enviar o mesmo e-mail para o centro da UNICEF em Lisboa. Também não me responderam.

    Contactei então a UNICEF espanhola. Responderam-me em uma hora. Desde então troquei diversos e-mails com a pessoa que me respondeu, e fiquei com o assunto resolvido, em dois dias.

    Não vou revelar já o assunto, mas era tanto do meu interesse quanto da Unicef (ou mais). Mesmo que não fosse, fica muito mal a uma associação com uma responsabilidade deste nível. Entretanto a “desculpa” de ser Agosto já se esgotou.

    Eu não gosto de falar mal podendo cair no risco de criticar injustamente, mas… é Portugal, ninguém leva a mal.

  • Quem Quer Ser Fábio Paim

    “Quem Quer Ser Fábio Paim” é o título de uma reportagem transmitida ontem pela Sporttv.

    Quem não se lembra de jogar o antigo Championship Manager e ter lá o Fábio Paim com estatísticas mirabolantes aos 14 anos de idade? Desde cedo aliciado pelos maiores clubes do mundo, e com um contrato de fazer inveja a muitos jogadores da primeira liga, Paim deslumbrou-se e foi ficando pelo caminho.

    É certo que o hype que se gerou e a actual situação em que se encontra podem dar a entender que tudo não passava de um bluff, mas quem o viu no seu “auge” (antes da febre dos vídeos do youtube poderem servir de prova), e todos os treinadores pelos quais passou são quase unânimes, nunca viram um talento assim à frente. Muitos destes treinadores tem uma vida dedicada ao futebol e não hesitam em dizer que o seu talento era bastante superior ao do Cristiano Ronaldo (tendo trabalhado com os dois, alguns deles). Chegou-se ao cúmulo de, aos quinze anos, a federação francesa querer oferecer-lhe casa, contrato e emprego para a família de modo a jogar futuramente pela selecção de França!

    Eu e o meu pai vimos-lhe jogar algumas vezes, mas não muitas, mesmo na altura em que éramos mais assíduos no futebol de formação. Era muito estranho para quem via um diabo à solta no campo como aquele vê-lo tantas vezes no banco, ou mesmo fora dos convocados. Lembro-me particularmente bem de um derby contra o benfica em que, (mais uma vez) saído do banco, finta praticamente o meio-campo e a defesa adversária toda (com todo o tipo de fintas à mistura) e, à saída do guarda-redes, com um ligeiro toque faz-lhe um chapéu a bola embate na trave. Não sendo golo, conseguiu levar toda a multidão ao delírio. Conhecendo agora a história toda (que já circulava pelos corredores da academia), faz todo o sentido que estivesse frequentemente “de molho”: atrasos, faltas aos treinos, indisciplina, e posteriormente o pacote completo: carros, noitadas, mulheres…. queimou tudo e hoje em dia ganha 1000 euros no Torreense.

    Com 22 anos apenas, não é impossível que venha ainda a renascer dos cinzas, mas será porventura altamente improvável. Seria o perfeito filme de Hollywood. Torço para que aconteça, e espero bem que não traia a confiança do pessoal do Torreense dado que, se não tivessem decidido apostar nele, estava neste momento no desemprego.

    Fábio Paim é um exemplo de tudo aquilo que um jovem aspirante a jogador de futebol não deve fazer, e este documentário devia ser uma das lições primárias dadas aos jovens da Academia. É a prova viva que ter um talento extraordinário não é suficiente, no futebol como em tudo na vida.

  • 5x Favela

    Tenho ouvido maravilhas do outro lado do oceano, do filme “5x Favela, Agora por Nós Mesmos”.

    5 curtas-metragens escritas, interpretadas e realizadas (sob a batuta do produtor Cacá Diegues) por oficinas de actores das favelas do Rio; segundo consta, subvertendo estereótipos, pela vontade dos próprios (a favela dos moradores, não a dos bandidos ou dos polícias, como diz o trailer).

    Não consigo descortinar quando, ou mesmo se, terá estreia em Portugal. Fico a aguardar novidades oficiais ou dos fornecedores do costume. Fica o trailer abaixo para referência futura.

  • Roupa Nova

    Novo theme no blog, cortesia de freebiesdock. Gosto mais, tem verde.

    Não se assustem com bugs nos próximos dias, ando a mexer.

  • Um Ano de Paz

    Dei-me agora conta que fez no passado dia 21 de Agosto um ano desde que arranquei as amígdalas. No ano passado, por esta altura, ainda andava eu em agonia, a comer calippos ao pequeno-almoço, almoço e jantar.

    Posso dizer que apesar da recuperação custosa, essa operação mudou completamente a minha vida, para melhor. Apanhei uma constipação ou duas nesses 365 dias que passaram, e isso para alguém que tinha que ir levar injecções de penicilina mês sim/mês sim é, além de uma evolução assombrosa, qualidade de vida.

    Os tópicos que dizem respeito às minhas amigdalites e aos caseums ainda são, de longe, os mais populares aqui do blog. É impressionante a quantidade de e-mails que ainda recebo de pessoas que sofrem do mesmo flagelo.

    Dia 31 tenho consulta de rotina com o meu otorrino; cada vez que lá vou, parece que vejo Deus à frente.

  • Agosto acaba amanhã

    Final de férias. Amanhã volto ao trabalho. Nem o meu Sporting ter finalmente, a duras penas, conseguido ganhar um jogo (e logo contra o campeão das ilhas!) atenua essa pequena tristeza.

    No início do mês me perguntei se Agosto continuava sendo Agosto sem fazer nenhuma viagem, mas foi dos Agostos mais saborosos que já passei, e em casa. A descompressão de um ano escrevendo uma tese e me multiplicando em tarefas e, claro, a nova etapa que precede o casamento.

    Nem eu nem a Irina conseguimos dizer com precisão se já estamos nesta casa há um mês: éramos para vir para cá apenas a 31, a anterior inquilina saiu uma semana antes, fomos mudando aos poucos e entretanto também houve a confusão da data entrega da tese pelo meio. Arredondemos. Um mês no novo covil.

    Um mês é claramente pouco para avaliar o que quer que seja, mas arrisco-me a dizer que o balanço é muito positivo, sim senhor. Não cozinho tão mal quanto pensava. Dormir ao lado da Irina todos os dias é tão bom quanto pensava. É muito fácil habituar-me a esta vida, tendo esta mulher do meu lado.

    Toda a gente nos pergunta dos preparativos do casamento, mas o nosso casamento será de uma simplicidade tal que os preparativos não nos tiram o sono, relaxem. Em breve darei mais novidades, preocupem-se é em confirmar as presenças!

  • The Two Escobars

    Em mais uma incursão televisiva dominical, apanhei um grande documentário na ESPN, The Two Escobars. Quem tiver esse canal fique atento, que tem sido repetido.

    Como o título indica, o filme aborda a história dos dois Escobars colombianos mais famosos dos anos 90: o barão da droga Pablo Escobar, e o capitão da selecção de futebol, Andrés Escobar, assassinado após marcar um auto-golo no mundial de 94.

    Eu já conhecia o trágico fim do Andrés, mas a história tem contornos muito mais complicados. O documentário é muito objectivo: mostra o trajecto de Pablo e a sua ascensão como maior traficante à escala mundial (chegou a ser o sexto homem mais rico do mundo), o trajecto brilhante de Andrés e da sua selecção até à copa, e desvenda como os dois mundos estavam relacionados: o dinheiro da droga era investido (e lavado) nos clubes e em campos de futebol, e chegou-se ao cúmulo da selecção ser obrigada a fazer um jogo contra a equipa do estabelecimento prisional onde Pablo estava “alojado”. Alojado é mesmo o termo: La Catedral era uma prisão de luxo, mandada construir segundo as indicações do próprio Escobar.

    A péssima imagem internacional da Colômbia era atenuada pelos feitos da sua selecção de futebol, e o povo acorria em massa aos estádios para aclamar os seus heróis, o seu único vislumbre de alegria em meio à escalada de violência que irrompia pelas ruas. O assassinato de Pablo Escobar pela milícia Los Pepes (Perseguidos por Pablo Escobar), ao invés de atenuar essa violência, aumentou o caos nas ruas. Sem o líder da mão firme, surgiram em toda a parte pequenos cartéis e passou-se a viver um clima de verdadeira guerra civil. À altura, a taxa de assassinato suplantou a do Kosovo como a maior à escala mundial.

    Um dos efeitos colaterais desse caos foi o próprio desnorte da selecção nos Estados Unidos e o assassinato de Andrés à saída de uma discoteca, perpetrado por dois traficantes pertencentes aos Pepes. Andrés tinha casamento marcado para o mês seguinte, e um contrato assinado com o AC Milan.

    É estranho pensar na alegria que eu senti ao ver o Brasil campeão mundial depois de 24 anos de jejum, e da tristeza paralela que assombrou a Colômbia. Tudo podia ter sido bem diferente, pois a selecção colombiana tinha legítimas aspirações de ser campeã, tendo se apresentado com um futebol de sonho e apenas uma derrota em 28 jogos, incluindo uma vitória de 5-0 sobre a Argentina nas qualificações. Nunca mais conseguiram participar num mundial desde então.

    Não conhecia os dois realizadores, Jeff e Michael Zimbalist, que ao que parece também possuem um documentário passado na minha terra natal muito aclamado, Favela Rising. A ver.

  • Vendendo a alma à Google

    E pronto, agora também tenho um telemóvel bué inteligente. Com Andróide. Mongolóide. It’s the mothafuckin nigga double G, Vodafone 845.

    Este é o quarto telemóvel da minha vida. O primeiro foi no 8º ou 9º ano, um Nokia 3210, que tive até dar o berro, quase a entrar na faculdade. Seguiu-se um Siemens M55 laranja que tinha um toque de SMS de um gato selvagem que fazia furor na FCT (nunca mais encontrei esse toque); foi roubado em Cacilhas, substituído por um igual (portanto aqui só conto um), e também funcionou até dar o berro. O último foi o Nokia n70, que tenho há quase 3 anos e me acompanhou até há dois dias atrás.

    O N70 foi o único que não permaneceu até dar o berro: continua aí para as curvas, apenas quase completamente descascado e arranhado, mas além de sentir a necessidade de evolução, este novo bicho sai baratinho com os pontos do clube Viva.

    Eu sou completamente google-based, vendo a minha alma a esses gajos. O meu webmail é o gmail, marco tudo o que é data no google calendar, leio as minhas merdas no google reader, mantenho os meus álbuns no picasa, and so on. Nesse aspecto, o Android é espectacular. Mal liguei o telemóvel e inseri os dados da minha conta, ficou tudo sincronizado bonitinho na agenda, nos contactos, etc. Dá-me um jeitão do caraças.

    A interface é muito simples, e bonita q.b., mas o teclado de origem é uma merda. Instalei o Swiftkey, que além de melhorzinho tem um sistema de dicionário/aprendizagem engraçado apesar de, para mim, continuar não substituindo um teclado “com teclas”. Tenho para mim que toda a gente que fala muito bem disto está a mentir: um gajo adapta-se, mas nunca há-de ser melhor que sentir as teclas.

    A market de apps é viciante, sendo praticamente tudo gratuito. Além de mamar logo as cenas inúteis todas das redes sociais onde estou, ainda não parei de instalar cenas. Umas úteis, outras nem tanto. Como o Shazam, que ouve uma música e descobre qual é. Yeah!

    Em relação ao telemóvel em si, é uma agradável surpresa, dado o preço que paguei por ele. É pena não vir com nenhum cartão de memória, mas mais uma vez, pelo preço… De resto, o desempenho do telemóvel num todo parece-me bastante aceitável, com os seus breaks aqui e ali. Noto alguma lentidão na mudança de orientação vertical/horizontal, mas nada que chateie. A resolução do ecrã e da máquina também são fraquitas, mas esta parte já esperava.

    Falta esperar que os tarifários de internet no telemóvel em Portugal tornem-se aceitáveis. Ou então fugir para outro país. Fica pra pensar.

  • S.F.W / Filhos do Carnaval

    Neste domingo apanhei por acaso um filme e uma mini-série na TV que, sendo fracos, possuem alguns pontos de interesse.

    O primeiro é uma tentativa de filme de culto de 1994, S.F.W (So Fucking What). É uma merda de filme. Eu gosto de chamar aos filmes de série B filmes de merda, e gosto de ver um bom filme de merda de vez em quando, quando são deliberadamente filmes de merda, descompromissados e pobres por natureza. Este é mesmo uma merda de filme, daqueles que tenta assumir uma importância e uma profundidade tais que não chega a lado nenhum.

    Durante 36 dias, cinco pessoas são mantidas como reféns por um grupo terrorista, numa loja de conveniência. A única exigência dos terroristas é que a situação fosse transmitida ao vivo pelas estações de televisão nacionais. Dois adolescentes Spab (Stephen Dorff, o vampiro mauzão do Blade) e Wendy (Reese Whiterspoon) são os únicos sobreviventes e, ao saírem em liberdade, são elevados ao estatuto de super-estrelas. A irreverência e a atitude do Spab são pouco mais que enervantes e a mensagem, a existir, não passa.

    Fora tudo o que se possa filosofar acerca de reality shows (bem antes do conceito alcançar popularidade internacional), o principal ponto de interesse é ser co-protagonizado por uma Reese Whiterspoon na candura dos seus 18 aninhos de idade, o que serve de ponto de partida para uma interessantíssima questão: ela era mais fofa como barely legal, ou agora como barely milf? Eu ainda não consegui chegar a nenhum consenso.

    Creep aparece na banda sonora, bem antes de sonharmos existir o facebook e um coro qualquer a cantá-la para um filme do David Fincher em honra do dito. O insonso do Tobey McGuire também entra durante cerca de 2 minutos, fazendo o papel de um adolescente drogado que é a melhor performance que já lhe vi na vida.

    A outra parte do domingo que já referi é uma mini-série da minha terra, Filhos do Carnaval, e está a ser transmitida na RTP2. Tecnicamente muito bem filmada e fotografada (a paisagem carioca ajuda muito), não me parece ter estrutura, profundidade nem sal. Se nos próximos episódios continuar assim fraquita é pena, porque gira à volta de uma história interessante, a de um ricaço dono de uma escola de samba e barão do jogo do bicho. E o que é o jogo do bicho, perguntam os tugas?

    O jogo do bicho é um centenário jogo de apostas ilegal muito popular no Brasil, mas principalmente no Rio de Janeiro; resumidamente, neste jogo existem 25 bichos, e a cada um é atribuído um número e 4 “dezenas” (por exemplo, ao Veado, é atribuído o nº24 e as dezenas 93,94,95,96). Podem-se fazer vários tipos de apostas com os números de cada bicho e há um sorteio semanal que dita o bicho premiado.

    Os “bicheiros”, os manda-chuvas do jogo, são em geral homens muitíssimo poderosos (aqueles que estão no topo da hierarquia, claro). Em cada esquina carioca há um ponto de jogo, cada vez que alguém sonha com um animal vai correndo apostar no dito, é impressionante. Sendo uma coisa tão intrínseca e tão enraizada na cultura carioca, penso que deveriam ser feitos esforços para legalizar o jogo, mas isso deve ser uma teia muito complicada de interesses, que nem vale a pena tentar perceber.

    Quanto à mini-série, esperar para ver como desenvolve.