Y.

Do you like samba?

Autor: Y.

  • Madeira, day 1

    Esta manhã serviu para passear um bocado. Não conhecia ainda Ribeiro Frio, que fica no meio de uma floresta Laurissilva que é património mundial da Unesco e tem um parque aquícola com um viveiro de trutas de todos os tamanhos e feitios. Tive pena de não me embrenhar no meio da floresta e das belas levadas que por lá devem haver, mas hei-de lá ir. Tive pena também de não comer uma daquelas trutas de seguida, mas ainda não tínhamos fome.

    Almoçamos em Santana, num restaurante simpático chamado “Os Bragados”, recomendo completamente; não se paga muito e enfardam-nos como a um porco antes da matança: granda pratada de milho cozido e um valente atum à escabeche, ainda tou a arrotar. Para acompanhar, claro, o meu clássico Brisa Maracujá.

    A caminho de casa passamos em Machico só para ver as vistas e assentamos para descansar, no caso do meu pai, e para trabalhar um bocado na tese, no meu caso. Por acaso a produtividade aqui nesta calmaria é elevada, curtia que os voos fossem de graça.

    À noite, como não podia deixar der ser… ia estar aqui o Sporting e não o iríamos apoiar, que ideia estapafúrdia é essa? Ainda que pobrezinho e em obras, o Estádio dos Barreiros não deixou de me deslumbrar com a sua maravilhosa vista sob a baía do Funchal (que infelizmente vai ser tapada com as novas bancadas). Jogo de merda para não variar um bocado, mas valeu a pena para conhecer os Barreiros e rir um bocado com os adeptos do Marítimo, em particular os do Esquadrão Maritimista e essa curiosa raça que são os xavelhas (naturais de Câmara de Lobos), que não me sinto capaz de descrever com palavras.

  • Gaula

    Boa noite a todos. Tou outra vez na Achada de Cima, até segunda. Na paz, a descansar, a ver o atlântico, mas a tentar trabalhar também.

    Ainda não vi bem o alcance dos estragos da chuva, vai ficar pra pensar.

  • Num dia igual aos outros

    Foi complicado conseguir assistir esta peça! Tínhamos bilhetes para sexta, chegamos aos Restauradores mesmo em cima da hora marcada mas… e estacionar? Ardemos. As próximas sessões estavam esgotadas até ao domingo da outra semana, mas no sábado liguei para lá e não tinham sido levantadas as reservas de 5 bilhetes, lá nos safamos.

    Para começar, a Sala Estúdio do Teatro D. Maria é pequeníssima, o que ajuda a criar uma boa atmosfera e “entrar” na cena, um gajo fica ali mesmo a sentir o cheiro do suor dos actores (tá um calor do caraças), é fixe.

    A peça trata do reencontro de dois irmãos de uma família disfuncional após vários anos separados. Um deles não saiu da casa da família, e apodreceu junto com ela; o outro aparentemente é melhor sucedido e não se percebe bem porque é que voltou, mas à medida que vão desfiando as memórias e revelando os seus percursos a trama vai se adensando.

    É complicado falar mais sobre a peça sem revelar as surpresas que ela reserva; apesar de saber que quem está a ler isto mais que provavelmente não irá vê-la… epá, vão vê-la! Não é caro, tem uma boa oportunidade para ver dois actores do caraças ao vivo e uma excelente trama psicológica com alguns bons momentos de humor à mistura.

    Muito provavelmente não tem nada a ver, mas a representação do Waddington nesta peça ganha todo um novo sentido aos olhos do espectador depois de ouvir este excelente manifesto nesta entrevista do gajo (primeiros 4 minutos). Fica pra pensar.

  • Sporting 2 – Atlético 2

    Andaram para aí uns rumores que eu não escrevi sobre este jogo por azia ou maleita parecida, mas não foi nada disso, simplesmente não houve tempo para tal: esta foi uma semana verdadeiramente infernal a nível de trabalho, e tenho testemunhas que podem confirmar que até ontem à noite as minhas órbitas estavam prestes a saltar pelos olhos afora, que a minha pele tinha assumido um tom assustadoramente pálido e que se eu soprasse no balão acusava alguns 4g de cafeína no sangue.

    Aparte este choradinho, lá consegui estar em Alvalade na noite de quinta-feira. Foi um ambiente à antiga, estado de sítio em toda a zona do Campo Grande, petardos, tochas e muita, muita tensão no ar. Não me vou dar ao trabalho de pesquisar e colocar aqui todos os diversos vídeos e notícias que fizeram à volta do assunto porque isso já está mais que falado, fica este para os mais distraídos se contextualizarem.

    Como muito bem disse um determinado leão, se em Madrid estávamos rodeados de cavalos, aqui tivemos rodeados de burros. É completamente inadmissível que apareçam “do nada” centenas de macacos de uma claque organizada e desatem à pedrada indiscriminadamente sobre quem passava. Cerca de 20 bravos da Juve chegaram para eles, e fica aqui o meu grande aplauso para esses senhores. Estes meninos da Frente Atletico tinham feito estragos com os super dragões, mas cá em baixo a coisa pia mais fino.

    Quanto ao jogo em si, levei um dos maiores baldes de água fria da minha vida: entrei aos 5 minutos sem perceber que já perdíamos por 0-1, e festejei os nossos dois golos como se estivéssemos a ganhar! Só me abriram os olhos ao intervalo, e quase que me caíam os tomates ao chão. Penso que não tendo feito um jogo por aí além, o Sporting saiu de uma forma digna, de cabeça erguida. A grande diferença entre estas duas equipas deu pelo nome de Kun Aguero, este filho da mãe é mesmo jogador da bola. Esse factor combinado com uma dupla de centrais composta por Polga e Caneira… fica pra pensar.

    Acaba assim com muita pena minha esta temporada europeia, em que acompanhei a equipa em todas as deslocações da fase final (eu sei que foram só dois jogos, mas não tou a dizer nenhuma mentira), e em que ficou a vontade de continuar esta demanda: numa das piores épocas de que tenho memória, assisti a alguns dos melhores momentos de união e de espírito sportinguista de sempre. Quando nos unimos somos inigualáveis. Fica pra pensar.

  • Invasão: Halla Madrid!

    Bom, se a ida a Liverpool já me tinha deixado extasiado, nesta a Madrid fiquei completamente fora de mim!

    Vamos por partes então. Pela primeira vez voei pela Iberia. O avião não tem muito que se lhe diga, a simpatia do pessoal é que, pela primeira vez, deixou muito a desejar. Sempre tive a impressão que a simpatia fosse requisito primordial para andar nestas lides aéreas, mas aí está a excepção à regra. A viagem em si não tem história, porque de Lisboa a Madrid é um tiro.

    Chegados àquela enormidade que é o Aeroporto de Barajas, apanhamos o metro até Nuevos Ministerios, de onde mudamos de linha para sair em Tribunal. Ao longo desse percurso, fomos ouvindo várias palavras de incentivo, de adeptos do Real, como não podia deixar de ser. Como já tinha constatado em Inglaterra, sentimo-nos sempre mais apoiados no estrangeiro do que no nosso próprio país.

    Seguimos a pé por esse centro comercial a céu aberto que é a Calle Fuencarral até Puertas del Sol, onde estava uma feira gastronómica em que aproveitamos para nos aviar com uma bela sandes de Presunto (Jamon!) Pata Negra de Salamanca e um copito de vinho, de oferta. Uma coisa que me impressionou foi a quantidade das chamadas profissionais do prazer, vulgo putas, que por lá andavam ao ataque, às portas das lojas, logo de manhã cedo, não tinha essa ideia da última vez que por lá andei.

    Prosseguindo a jornada, assentamos arraiais na Plaza Mayor, que era o ponto de encontro dos sportinguistas para receber a escolta policial até ao estádio. Encontramos um supermercado refundido que vendia a cerveza a 60 cêntimos, enquanto os nossos compatriotas desembolsavam 2 euros para abrirem a pestana. O ambiente começava a animar aos poucos, com apenas algumas dezenas de leões e algum pessoal do directivo a ensaiar a festa que se seguiria.

    Por volta das quatro horas a Plaza Mayor já era completamente nossa, e a chegada do autocarro da Torcida Verde deu o mote para nos juntarmos todos para a descida até ao estádio Vicente Calderón. E essa, meus amigos, foi qualquer coisa de indescritível! Dois quilómetros percorridos com cerca de duas milhares de almas (dizem que no estádio éramos cerca de cinco mil) a gritarem em uníssono e cheios de orgulho o seu amor ao clube. Os espanhóis assomavam às janelas completamente surpreendidos por tamanha invasão.

    Já a chegar ao estádio, o único ponto negativo da história: a determinada altura, devido a uma picardia entre meia dúzia de pessoal e um carro com adeptos do atlético, a Guardia Civil decidiu varrer a rua toda à bastonada, agredindo indiscriminadamente quem passava. Eu levei uma cacetada em cheio na “nalga” direita, para abrir a pestana (agora já posso dizer que, entre outras coisas, já levei no rabo pelo Sporting…), comecei a fugir, caí, e para não me armar em parvo de tropeçar assim à toa levei mais uma na perna, de borla.

    Belos animais esses senhores, mas enfim, lá chegamos e fizemos a festa dentro do miserável Calderón, um estádio do piorzinho que já vi, ao nível de um Paços de Ferreira, sem desprimor para os castores. Há muito tempo em que não passava os 90 minutos de pé à molhada, foi engraçado. Uma nota para o grande Sá Pinto, que mais uma vez marcou a sua presença no meio da multidão. À parte do que quer que se tenha passado, um coração de leão destes faz imensa falta lá dentro, mas isso fica pra pensar.

    Quem quiser confirmar uma pequena reportagem deste dia (completamente toldada pela euforia),  é só clicar aqui. Até onde mais irei por este clube?

  • Alice

    Ora bem, lá fui eu ver uma das minhas histórias favoritas contada por um dos meus realizadores favoritos. Não desgostei, o filme é… giro, mas acho que isto não é propriamente um elogio dadas as expectativas que eu tinha.

    Visualmente, o filme é muito bom, mas isso era talvez o mínimo que se podia exigir, dado o gabarito do senhor nesse quesito em particular e o imaginário que tinha à sua disposição.

    O que é que eu queria mais? Já nem digo mais darkness, ainda que apreciasse, mas essencialmente mais loucura, mais irreverência da parte dos personagens, mais ousadia na abordagem à história, não há nada que surpreenda realmente. Dou o exemplo do Johny Depp: faz de Mad Hatter, mas pouca madness se vê, o gajo parece mais maníaco-depressivo que outra coisa. A única parte em que tenta extravasar com uma dança manhosa, falha completamente, pelo menos para maiores de 10 anos.

    O gato tá fixe, a rainha de copas também, os gémeos podiam ser melhor aproveitados e dos restantes nada a dizer.

    Quanto ao 3D, eu dispenso. Ou essa maravilhosa técnica  não está afinada para os meus míopes olhinhos, ou a propalada “experiência” que aquilo proporciona ainda é mesmo só para inglês ver: com muitos elementos no ecrã não se percebe a ponta dum corno do que se está a passar.

    Quem lê isto há-de pensar que odiei o filme ou assim, mas até gostei, o problema é mesmo esse “até”. Para desanuviar, deixo-vos este remix que algum maluco pôs no youtube. Fica pra fritar.

  • Onde andava este Sporting?

    Eu tinha dito que não ia mais comentar as prestações da minha equipa dentro de campo esta época, não tinha? Pois que se foda a coerência!!! Mas alguém ainda acredita que isso existe no futebol?

    Sei que alegria de pobre dura pouco, mas este jogo deixou-me extasiado! Ainda mais por ser o culminar de uma jornada que iniciei em Liverpool, e por nem contar estar presente no estádio hoje: o bilhete caiu do céu, de oferta tirada da cartola pelo meu grande comparsa Torre.

    Os ingleses eram mais que as mães no metro, todos podres de bêbados, a ensaiar uns cânticos panisgas: em casa deles, andavam caladinhos que nem uns ratos, aqui queriam festa. O que vale é que a bebedeira passou-lhes depressa; como eu tinha dito, estes adeptos do Everton devem ser do mais macio que há no Reino Unido.

    Isto  é uma prova de que os choradinhos do orçamento e do plantel e da arbitragem e de júpiter não estar alinhado com vénus não colam, o Sporting tem potencial para muito mais do que tem apresentado e o resto é conversa. É mandarem os cancros fora, incutirem espírito e fazerem um planeamento digno desse nome a todos níveis que as coisas acontecem, mas isto é pedir muito.

    O golo do Matias acabou com tudo.

    Sem dúvida o melhor jogo da época. Por mim acabava já aqui, mas venham de lá o padrasto da Mariana e o namorado da Orsi. Fica pra pensar.

  • Hard Chorus

    Já vem tarde, mas não posso deixar de partilhar.

    Eu já devia ter reparado nestes anúncios da Puma há mais tempo, visto que são especialmente relevantes para mim, que na minha semana de Dia dos Namorados levei a minha special one a ver o Sporting em Liverpool! Isso foi secundário na viagem, mas fica a ideia.

    Versão britânica

    Versão italiana

    Digam lá se a cultura ultra não é uma coisa linda. Arrepia ou não?

  • England, the end

    Bom, lá tivemos nós que regressar à base. Acaba por ser sempre frustrante visitar Londres, porque nunca saímos satisfeitos, nunca vemos tudo o que queremos, esta cidade tem muito, muito para oferecer. O que vale é que sabemos que havemos de por lá passar novamente.

    De Liverpool não tenho muito a dizer, mas para quem ama o futebol, é sem dúvida uma cidade a visitar: respira-se futebol, a rivalidade entre os reds e os toffees está sempre a pairar no ar (até os caixotes do lixo são de cores diferentes consoante as ruas), em cada esquina há um pub a dar a bola ou uma casa de apostas, contagia.

    De mais, tenho a dizer que até agora, a semana toda, não tínhamos visto neve a valer, só aquela neve falsa misturada com chuva a que os ingleses chamam sleet. Hoje de manhã, como atesta a foto, ficamos todos entusiasmados porque acordamos com um valente nevão em cima, por todo o lado no caminho até Luton só se via era neve.

    O entusiasmo arrefeceu assim que chegamos ao aeroporto: 3 voos da easyjet já tinham sido cancelados, e todos os restantes não tinham estimativa de partida, por todo o lado o alvoroço e o rumor de que todos os voos seriam cancelados porque a pista estava coberta de neve. Felizmente a perspectiva de passar uma noite à Tom Hanks não se confirmou, e lá voamos, 5 horas depois do previsto.

    E cá estamos, e lá se foram as férias, e tudo o que é bom acaba depressa e etc. Mês que vem bem podia ser Agosto.

  • London, Day 6

    Como eu tinha dito, chegou a vez dos chineses celebrarem o ano novo. Este ano que entra é o do Tigre, que até é o nosso signo chinês (meu, da Irina e de todo o pessoal de 1986).

    Apesar da chuvinha foi um dia de festa, e isso notou-se desde cedo logo à porta de casa, com uma forte batucada e um dragão dançante a parar em tudo o que era loja e restaurante chinês e a cortar um legume que não percebi bem o que era, para dar sorte.

    Este jornal era interessante

    Chinatown estava especialmente representativa da China natal, mas não era por causa dos chineses, era a sobrelotação! Eram algumas dez mil pessoas por quilómetro quadrado. Os chineses em si aproveitavam mais para fazer negócio, vender estalinhos de carnaval, tigres de papel e uns bolinhos fritos.

    Eu em Trafagal a fazer cara dum chinês à espera que me digam que isto é cara dum jap afinal

    Estivemos grande parte da tarde em Trafalgal Square a ver os diversos números de variedades dos chineses: danças, lutas, cânticos e stand-up à chinesa (intragável esta parte).  Não ficamos a tempo dos fogos de artifício, mas foi bonita a festa, grande ambiente.

    Tudo neste dia soou a despedida: quando chegamos à base, estava um irlandês no pub à nossa frente a cantar Loosing my religion, dos REM. Ficou pra pensar.