Y.

Produzimos diamantes.

Autor: Y.

  • England, the end

    Bom, lá tivemos nós que regressar à base. Acaba por ser sempre frustrante visitar Londres, porque nunca saímos satisfeitos, nunca vemos tudo o que queremos, esta cidade tem muito, muito para oferecer. O que vale é que sabemos que havemos de por lá passar novamente.

    De Liverpool não tenho muito a dizer, mas para quem ama o futebol, é sem dúvida uma cidade a visitar: respira-se futebol, a rivalidade entre os reds e os toffees está sempre a pairar no ar (até os caixotes do lixo são de cores diferentes consoante as ruas), em cada esquina há um pub a dar a bola ou uma casa de apostas, contagia.

    De mais, tenho a dizer que até agora, a semana toda, não tínhamos visto neve a valer, só aquela neve falsa misturada com chuva a que os ingleses chamam sleet. Hoje de manhã, como atesta a foto, ficamos todos entusiasmados porque acordamos com um valente nevão em cima, por todo o lado no caminho até Luton só se via era neve.

    O entusiasmo arrefeceu assim que chegamos ao aeroporto: 3 voos da easyjet já tinham sido cancelados, e todos os restantes não tinham estimativa de partida, por todo o lado o alvoroço e o rumor de que todos os voos seriam cancelados porque a pista estava coberta de neve. Felizmente a perspectiva de passar uma noite à Tom Hanks não se confirmou, e lá voamos, 5 horas depois do previsto.

    E cá estamos, e lá se foram as férias, e tudo o que é bom acaba depressa e etc. Mês que vem bem podia ser Agosto.

  • London, Day 6

    Como eu tinha dito, chegou a vez dos chineses celebrarem o ano novo. Este ano que entra é o do Tigre, que até é o nosso signo chinês (meu, da Irina e de todo o pessoal de 1986).

    Apesar da chuvinha foi um dia de festa, e isso notou-se desde cedo logo à porta de casa, com uma forte batucada e um dragão dançante a parar em tudo o que era loja e restaurante chinês e a cortar um legume que não percebi bem o que era, para dar sorte.

    Este jornal era interessante

    Chinatown estava especialmente representativa da China natal, mas não era por causa dos chineses, era a sobrelotação! Eram algumas dez mil pessoas por quilómetro quadrado. Os chineses em si aproveitavam mais para fazer negócio, vender estalinhos de carnaval, tigres de papel e uns bolinhos fritos.

    Eu em Trafagal a fazer cara dum chinês à espera que me digam que isto é cara dum jap afinal

    Estivemos grande parte da tarde em Trafalgal Square a ver os diversos números de variedades dos chineses: danças, lutas, cânticos e stand-up à chinesa (intragável esta parte).  Não ficamos a tempo dos fogos de artifício, mas foi bonita a festa, grande ambiente.

    Tudo neste dia soou a despedida: quando chegamos à base, estava um irlandês no pub à nossa frente a cantar Loosing my religion, dos REM. Ficou pra pensar.

  • London, Day 5

    Hoje o dia prometia, fez sol que se fartou, para os London Standards.No entanto, o dia não correu assim tão bem: a estação mais próxima de nós estava fechada, além de duas linhas inteiras do metro, e amanhar-mos-nos com o bus é um bocado mais complicado. Além disso, demos uma caminhada do caraças para encontrar a pizzaria italiana La Porchetta, que é só a melhor do mundo e arredores, e chegamos lá… e não servem almoços aos sábados! Maledettos!

    Ainda assim, deu para irmos ao British Museum visitar as múmias, os gregos com as pilas de fora e coçar a barba em sinal de sapiência, faz parte.

    Este rapaz que está acima não foi mumificado, mas está conservadinho há milhares de anos devido a ter secado naturalmente de andar a bulir no deserto. O pessoal que anda no ginásio a mamar água destilada devia era pôr os olhos nele e ir encher para o Saara.

    O resto foi andar a ver as montras na Oxford Street (só ver, que o dinheiro já não estica) e descansar um bocado, que também merecemos. Amanhã comemoraremos pela segunda  vez o reveillon, no espaço de dois meses: é o ano novo chinês, com celebrações chinocas em Trafalgal Square e Chinatown (óbvio).

  • London, Day 4

    Nesta manhã demos granda passeio pelo Hyde Park; mesmo assim, não conseguimos percorrê-lo todo. Andamos a dar comida aos patos, gansos, esquilos, a tudo o que se mexia menos aos pombos, que é proibido.

    À tarde fomos passear para os lados da Tower of London e fomos ao London Dungeons, depois de uns bons 30 minutos na fila: neste a compra online não adianta nada, é tudo ao molho e fé em Deus.

    Não é bem o que estávamos à espera: nem aos putos mete medo, e dos actores, poucos se aproveitam, apesar do makeup. É, no entanto, muito interessante do ponto de vista da recriação histórica, de ficar a saber mais sobre o tempo da peste negra, das torturas que se infligiam aos infiéis e traidores, das histórias do Jack the Ripper, etc. Sentar na cadeira do Sweeney Todd também tem um efeito interessante: ficamos às escuras enquanto vamos ouvindo as tesouras e as giletes a cortarem e o bafo do gajo no pescoço.

    Esta noite estiveram -5 graus na rua. Aperta!

  • London, Day 3

    Neste dia fomos visitar a Madame Tussauds logo pela manhãzinha. Fiz a reserva dos bilhetes pela net, e é a melhor coisa que se pode fazer: a fila para as entradas normais dava a volta a vários bilhares grandes. Lá dentro é que foi pior, estava difícil até para respirar, com tanta gente.

    Deu no entanto para ver o essencial, tirar foto com a mão no rabo da Jennifer Lopez, dar soco no Muhammad Ali, a Irina aganfar-se ao Brad Pitt, etc.

    A tarde foi dedicada a andar à chuva, e isto é sina: sempre que eu vou andar no London Eye, chove pra caraças, não falha. Mas vale sempre a pena.

    Me Love no Eye com o tio Ben ao fundo

    Amanhã vamos ver se apanhamos um cagaço no London Dungeons, mas pelo pouco que a Irina sofreu no Chamber of Horrors do Madame Tussauds, não sei não. Fica pra pensar.

    BÓNUS: A próxima foto é dedicada a todos os meus amigos que praticam Krav Maga. Eles sabem quem são e o porquê.

  • Liverpool & London, Day 2

    Ainda não ficamos com autoridade para dizer que conhecemos verdadeiramente Liverpool; aquilo que fizemos durante a manhã deste dia, até à partida do comboio do tio Richard Branson, foi uma espécie de speed tour pela cidade. Deu para ver aquilo que nos disseram que era o principal: Albert Dock, St George’s Hall e o tal do mítico pub “The Cavern”, onde os Beatles tocaram no tempo da avó cachucha.

    Ygor Cardoso e John Lennon

    Pode ser que um dia lá voltemos para conhecer melhor, mas honestamente, a cidade não me pareceu tão interessante quanto isso.

    De regresso a Londres, e depois de um passeio por Oxford e Picadilly Circus, fomos experimentar assistir um musical no West End Londrino; assim a olho e numa decisão rápida, aquele com o qual mais nos identificamos foi o “Thriller Live”, um tributo ao MJ que nem é bem um musical, é mais um debitar das canções do gajo ao longo dos diversos períodos da sua vida (Jackson 5, Thriller, McCaulay Culkin, etc), pela voz e pelas pernas de diversos performers, masculinos e femininos.

    Não é tão lamechas quanto seria de esperar (até porque já está em cartaz desde antes da morte) e o elenco é bastante talentoso, apesar de exagerarem no overacting de vez em quando; há, no entanto, grandes momentos de música e coreografia (smooth criminal à cabeça) e gostei do facto de utilizarem bastantes músicas das menos conhecidas. Bom entretenimento.

    Ficou definido que a música oficial desta viagem é “Can You Feel It”, do tempo dos J5, grande pinta. Fica pra dançar.

  • Liverpool, Day 1

    Neste dia viemos até Liverpool apoiar o Sporting contra o Everton, em jogo a contar para a Liga Europa (taça UEFA). Conhecer Liverpool a sério ficou reservado para a manhã seguinte; foi chegar do comboio, meter as coisas no hotel, enfardar um buffet chinês e partir para o estádio. Só deu para sentir que ali o frio faz jus a São Ramalho.

    A rivalidade entre Liverpool e Everton está sempre a pairar no ar; por todo o caminho fui ouvindo palavras de incentivo dos adeptos dos Reds, incluindo do taxista que nos levou até à porta do estádio: um gajo com um sotaque indecifrável, uma gargalhada à Moura dos Santos, e que passou o tempo todo a fazer piadas com “Lisbons” e “Lesbians”, a dizer que estava a levar-nos para o meio da merda e a barafustar com a proximidade que o futuro estádio do Liverpool terá com o Goodison Park.

    Eu tinha prometido que independentemente do resultado, ia me abster de comentar as incidências futebolísticas em si, e isto vale até ao final da temporada. Em relação à envolvência do jogo, saí do estádio plenamento satisfeito, e com a sensação de dever cumprido.

    O Goodison Park é dos estádios mais antigos do mundo (1892), tendo sido palco de, por exemplo, o célebre Portugal-Brasil de 1966 em que arrumaram com o Pelé; só daí já valia a pena tê-lo conhecido. É um estádio acolhedor, à moda antiga, com catracas de rodar e bancadas assentes em madeira.

    Dois Grandes Leões no Goodison Park

    Os leões que lá estiveram foram grandes, tendo apoiado a equipa durante todo o jogo, conseguindo calar os muitos toffees presentes (estes eram bastante fraquitos, diga-se de passagem). Entre nós estava o grande Ricardo Sá Pinto, a quem tive a oportunidade de dar um palmadão. Foi uma grande, grande lição do sportinguismo que não se deixa morrer.

    Amanhã conto mais.

  • England, Day 0

    Bom, cá estamos nós outra vez em Londres, e lá vou eu ver a bola outra vez. Pode-se pensar que todas as minhas visitas ao Reino Unido são por esse motivo, mas desta vez calhou o Sporting tar cá ao mesmo tempo que eu. Boa desculpa para conhecer a cidade dos Beatles e etc.

    Ainda tou à espera que me expliquem porque é que sinto menos frio com 2 graus aqui do que com 6 ou 7 na Caparica, tá bué leve.

    Apertem!

  • Cota Gil

    Antes de mais: FÉRIAS!

    É bom ter tempo para ler as coisas com olhos de gente; quase que me ia passando despercebido no Público de ontem que o velho Gil Scott Heron está aí com um álbum novo, 16 anos depois.

    Do pouco que conheço do homem, muito gosto: é dos verdadeiros. Diz que foi ele um dos inspiradores do nascimento do hip-hop, mas não tenho grande conhecimento para falar sobre isso (e sempre achei que esse fosse um dos motivos para ele desaparecer, desiludido com toda a merda que anda por aí).

    Fica aí o clássico poema cantado “The Revolution Will Not Be Televised” (o vídeo não é dele) e uma música do tal novo álbum, cuja análise fica para quando efectivar a sua aquisição (o Manuel Machado não diria melhor).

  • God Save the Football

    Este post é só para eu me mentalizar que para a semana começo finalmente a coçar: esta semana ainda é carregada, culminando com a apresentação da primeira fase da tese, na sexta-feira.

    No ano passado, em Fevereiro, fui a Londres ver um grande Brasil-Itália. Semana que vem vou a Liverpool, ver um não tão grande Everton-Sporting.

    Falando assim até parece que todas as minhas visitas ao Reino Unido se devem a motivos futebolísticos, mas desta vez foi pura coincidência: já estava marcada uma viagem para a Irina conhecer Londres e eu descomprimir da tese, por pouco que seja.

    Uma boa oportunidade para conhecer a cidade dos Beatles e o Goodison Park, um dos mais antigos estádios do mundo. Eu não conseguiria estar no mesmo país que o meu Sporting e não ir dar o meu apoio. Ainda que este não seja verdadeiramente o meu Sporting, aquele que eu aprendi a amar, eu não viro a cara ao meu clube, por pior que a situação esteja.

    Um pint de Guiness preta, à vossa!