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  • Mini-Maratona

    As minhas pernas não me deixam mentir: foi ontem que pela primeira vez corri na mini-maratona da ponte 25 de Abril. E espero que venha a ser uma experiência a repetir, pois adorei, tudo. Gosto muito de correr aqui no paredão da Costa, mas em meio àquele povo todo (e ao ver de vez em quando os brutos da meia-maratona passarem que nem flechas ao lado), com aquele caminho e um objectivo definido, dá outro feeling. By the way, fiz o percurso em 42 minutos, e o meu parceiro Francis Valentim em 38.

    Este ano demorei a carburar, mas neste momento sinto-me no topo da minha forma física e mental. Espero vir a capitalizar isso em breve.

    Aviso desde já que quem não gosta de lamechices pode parar no parágrafo anterior, mas não posso deixar de dizer que para esse momento muito contribui ter a meu lado uma grande mulher, a mulher que amo, e noto isso em cada pequeno detalhe. Assim que entrei na Avenida de Brasília, e já completamente à rasca e em esforço depois de andar a jardar na ponte, o que me motivou a continuar a correr não foi pensar que faltava pouco para a meta, foi pensar na Irina e tentar imaginá-la lá à frente.

    Fica pra amar.

  • Viatecla

    É oficial, vou juntar-me à equipa da Viatecla.

    Eu já sabia que ia mudar de rumo, mas não sabia especificamente qual seguiria, e sequer se continuaria em Portugal.

    Para já, continuarei, e fá-lo-ei porque mais do que a oferta que me foi feita, agradam-me a postura e a mentalidade da empresa, porque sei que posso ser útil e ao mesmo tempo continuar aprendendo e, ouro sobre azul, porque neste momento a Viatecla encontra-se em expansão e essa expansão inclui a minha terra natal, o que me pode trazer boas perspectivas num futuro próximo.

    Em relação à ITDS, não fiz tudo aquilo que gostaria de ter feito na empresa, mas saio plenamente satisfeito com o meu trabalho e acreditando plenamente ter deixado boas sementes, que o futuro ditará se serão semeadas.It’s official, I’m joining the Viatecla team.

    I already knew I was going to change my route, just didn’t know to where.

    The offer was good, I like the company attitude and, last but not least, they are expanding and that expansion contemplates my beloved Brazil, which may bring me good perspectives in the near future.

    Regarding ITDS, although I have not fulfilled everything I wished and planned to, I’m leaving completely satisfied with my work, and believing I left very good seeds. Future will tell if they’ll be grown.

     

  • True Grit

    O segundo filme do fim-de-semana foi o excelente True Grit, com a enfadonha tradução portuguesa “Indomável”. Sendo grande fã de westerns e grande fã dos manos Cohen (e já agora de histórias de vingança), não havia muito por onde correr mal, e assim foi.

    Na verdade, é muito menos um western que um filme dos Cohen e menos um filme dos Cohen que… um filme dos Cohen. Passo a explicar. Apesar de não seguir absolutamente a linha dos clássicos, não é propriamente uma reinvenção do género, é simplesmente uma história do género contada à moda dos Cohen, com tudo de bom que isso acarreta: crueza, imprevisibilidade e humor onde supostamente não existiria. Isto tudo sendo muito mais seguro e consensual que a maior parte dos seus filmes, e daí o sucesso comercial que vem tendo.

    Difícil dizer muito mais, sendo que a cereja no topo do bolo e aquilo que confere o sal ao filme são as interpretações brutais do Jeff Bridges, como habitual, e da “imberbe” e transcendente Hailee Steinfeld que, tendo ou não futuro, tem aqui um início do caraças. Vão vê-los que vale a pena.

     

    Second movie of the weekend was the excellent True Grit. Being both a western’s and a Cohen Brother’s fan (and a revenge story’s fan by the way), nothing could go wrong. And it didn’t.

    Actually, it is less a western than a Cohen’s film, and less a Cohen’s film than… a Cohen’s film. I can explain. Although it doesn’t follow the classics, it isn’t sort of a reinvention of the genre either. It’s simply a story of the genre told with the Cohen’s style, with all the good ingredients it carries: rawness, unpredictability and humor where it wasn’t supposed to. All of this in a much secure and consensual fashion, hence its commercial success, I guess.

    On top of the cake and giving the movie its true strength, the brutal performances of old Jeff Bridges, and the vernal Hailee Steinfeld; her future is unknown, but this is a hell of a start. Go watch them!

  • The Fighter

    Este fim-de-semana tínhamos bilhetes para ir ver a peça Azul Longe das Colinas, mas uma das actrizes aleijou-se, a coisa foi cancelada e deram-nos bilhetes para dia 19 de Março. Restou-nos fazer duas cinemadas em vez de uma.

    A primeira foi esta, em cuja pré-produção de certeza que o Mark Wahlberg andou a emborcar batidos da carne que se esvaiu do carocho do Christian Bale. E que carocho do caraças, mas já lá vamos. Começo por dizer que gostei mais do filme do que à partida esperava. Sem demasiadas pretensões, tem tudo no sítio: bem escrito, bem realizado e bastante bem interpretado por todos, até pelos personagens mais insignificantes, como as chulas das irmãs que os lutadores levam a reboque, conseguindo tirar o melhor partido possível de um género de história relativamente batido.

    É como se estivéssemos a assistir a dois documentários em paralelo, um a acompanhar a decadência de Dicky Ecklund, que em tempos derrotou Sugar Ray Leonard e era conhecido como “The Pride of Lowell” mas agora vive entregue ao crack, e o irmão mais novo, Micky Ward, que por mais que lute não consegue sair da cepa torta graças às trapalhadas da família. Às tantas a paciência chega ao limite, motivado por uma nova namorada que não papa grupos (Amy Addams também em grande plano) e pela perspectiva de ser um falhado por toda a vida.

    Não sei até que ponto Bale deveria ser considerado actor principal do filme, porque é ele o fio condutor da história e quem efectivamente rouba a cena, com a entrega do costume. Deliciosas as cenas em que canta “I started a joke” dos Bee Gees (e mais tarde dos Faith no More), e principalmente “Here I Go again” dos whitesnake, com o mano.

    Uma nota também para as cenas dos combates em si, brutalíssimas, utilizando os comentários, cameras e operadores originais dos combates antigos na HBO, recriando o verdadeiro ambiente do desporto.

    Não é brilhante, mas entretém bastante. A rima não é intencional, mas fica aí.

    This weekend we were supposed to go to the Theater, but one of the actresses of the play got injured and they got us tickets for 19th March. The alternative was catching two movies instead of one.

    The first one was The Fighter, in which pre-production Mark Wahlberg surely has eaten huge meat chops of his junky colleague Christian Bale. And what a junky! I enjoyed this movie more than expected. Without being to pretentious, it took the most of a usual and sort of commonplace history; great direction, argument and portrayal from each actor, even the most insignificant ones, like the useless bunch of sisters the brothers share.

    Its like watching two documentaries in parallel, the first one about the decadence of Dicky Ecklund, who defeated Sugar Ray Leonard in the past and was know as “The Pride of Lowell” but now is totally devoting to ruining his life with crack, and his little brother, Dicky Ward, who fights really hard but never goes nowhere, because of the constant fuck-ups the family makes. At some moment he reaches the boiling point, motivated by his new “take no shit” girlfriend (also a great job by Amy Addams) and the perspective of being a looser his whole life.

    I guess Ecklund should be considered the lead character, since he leads the story and Bale definitely steals the show with his usual commitment. Delicious moments singing “I Started a Joke” from the Bee Gees (and later on from Faith no More) with his mommy and, especially, “Here I Go Again” from Whitesnake with his little brother.

    Not brilliant, but very, very entertaining.

  • Preguiça

    Eu ia dar a este post o título de procrastinação, mas acho o nome demasiado pretensioso para aquilo que volta e meia me aflige.

    Na verdade tenho andado tudo menos preguiçoso, mas vinha adiando a escrita no blog desde que saiu a última versão (3.1) do WordPress, e meti na cabeça que o motivo era não ter saído ainda a respectiva versão do plugin qTranslate, que utilizo desde o início do ano para manter o blog bilingue. Uma desculpa de merda, porque além de não escrever tanto conteúdo em inglês assim, ainda me era possível fazer uso da capacidade de separação entre línguas que o plugin oferece, metendo eu as respectivas tags à mão. De qualquer das formas, a tal versão compatível já saiu e obriguei-me a deixar de ser tangas, porque escrever é das coisas que mais me dá prazer, por mais inócuas que sejam as minhas palavras.

    Tenho papado filmes antigos a uma velocidade bem maior do que a minha capacidade (e tempo livre) de escrita me permitem falar sobre eles, mas prometo a mim mesmo que falarei aqui em breve pelo menos sobre Macunaíma, o Pagador de Promessas, Ópera do Malandro e Dona Flor e Seus Dois Maridos. Sim, são todos clássicos brasileiros, estou numa de recordar os velhos tempos em que o extinto canal Brasil da antiga TVCabo fazia as minhas delícias (a par do GNT), me permitindo tomar contacto com Zé do Caixão, Glauber Rocha ou Anselmo Duarte. Hoje em dia não tenho paciência absolutamente nenhuma para a baixaria da Record.

    Estou lendo o e-book Poke the Box,do guru do marketing Seth Godin, do qual nunca tinha lido nenhum livro mas de quem tinha bebido algumas dicas no blog e por referência, nomeadamente pelo pessoal do Rework; coisa inédita em minha vida, paguei por esse mesmo e-book, aproveitando a excelente iniciativa dele ter estado disponível por um mísero dólar até à segunda-feira passada. Este homem sabe cenas.

    O livro falha sobre inconformismo, capacidade de ter iniciativa e de meter as mãos na massa. Calha bem o tema, numa altura em que enceto esforços para levar a cabo o meu primeiro projecto paralelo verdadeiramente pessoal, aquele que mencionei no último post e do qual espero mostrar os frutos assim que possível.

    Tanto quanto posso, também estou fintando o frio e fazendo umas corridas nocturnas para me preparar para a minha primeira mini-maratona da ponte, no dia 20 de Março.

    Last, but not least, estou deixando a ITDS, sendo a próxima semana a minha última na empresa, e aquela na qual irei revelar o que farei de seguida. Fica para pensarem!

    I was going to call this post “Procrastination”, but that sounds too pretentious to describe this feeling that haunts me now and then.

    Actually, I have not been lazy at all, but I was delaying writing here since the release of wordpress last version (3.1), and kept convincing myself that the reason was that the qTranslate plugin (the one I use to keep this blog bilingual) was not compatible with WP 3.1 yet. That was just plain bullshit, since I don’t write that much of English content regularly, and I could even keep using the plugin capabilities, manually adding the tags it requires to divide content. Anyway, the compatible version was just released and I decided to stop bullshitting, since writing is one of my greatest pleasures.

    I have been watching old movies non-stop, with a rhythm that makes it impossible to write about them as I wish, but I promise I’ll soon say some words about Macunaíma, o Pagador de Promessas, Ópera do Malandro e Dona Flor e Seus Dois Maridos sonn. Yes, all of them are brazilian classics.

    I’m reading marketing guru Seth Godin’s new e-book Poke the Box. I have never read any of his previous books, but regularly catch some tips at his blog and had some indirect references through the Rework folks; for the first time in my life, I actually paid for that e-book, taking advantage of the great opportunity of buying it for a buck, which was possible until last monday. This man know things.

    The book talks about nonconformity, taking initiative and having the power of actually doing things. Great theme for the moment I’m living, as I’m struggling to realize my first complete personal project, the one I’ve mentioned in the last post, and from which I expect to see some juice in the near future.

    I’m also doing some nightly runnings, trying to be fit for my first Lisbon half-marathon, next 20th March.

    Last, but not least, I’m leaving ITDS, the next week being my last at the company, and the one where I’ll reveal what’s up for me next. Stay tuned!

  • Questionário

    Seguinte:

    Estou a coordenar um projecto que visa recolher informação sobre estudantes que tenham passado alguma temporada fora (Erasmus, programas de intercâmbio, iniciativa própria, etc).

    Se conhecerem alguém que esteja ou tenha estado nessa situação, divulguem / reencaminhem / peçam (com carinho) para responder a este pequeno questionário.

    Muito obrigado!Here’s the deal:

    I am coordinating a project that aims to gather informations from students that have spent some time abroad (Erasmus, fullbright, self-initiative, etc).

    If you know somebody that is or has been in that situation, please feel free to forward this brief questionnaire.

    Thank you!

  • Caveira!

    A primeira vez que ouvi falar que iam fazer uma sequela do Tropa de Elite, fiquei bastante de pé atrás, achando que iam tentar esticar a corda da popularidade do filme com uma história qualquer de encher chouriço só para tentar recuperar alguns dos cobres que tinham perdido com a pirataria que abalou a estreia do primeiro. Ainda bem que fiquei assim, porque a surpresa foi boa, o filme é esplêndido.

    O José Padilha manteve firme o leme, e decidiu tomar um rumo de certa forma arriscado, mas completamente certeiro. Não sei se possa dizer com absoluta certeza que a sequela suplanta o original, pois são demasiado diferentes, mas no cômputo geral acho que, para mim, consegue ser superior sim.

    Se o primeiro filme desferia um murro no estômago, este tem uma trama (muito bem orquestrada) que enfia o dedo em várias feridas e chafurda até a infecção alastrar. A adrenalina descomedida dá lugar a uma viagem mais detalhada pela podridão dos diversos “sistemas” que corroem a sociedade carioca (e brasileira, em geral), desde as forças policiais até às elites políticas. As diversas caricaturas dos policiais e dos políticos teriam muito mais piada se não fossem verdade, ou seja, se na vida real não se continuasse a trocar vidas por votos e progresso por poder, como as mais recentes tragédias teimam em atestar.

    A nível de interpretação em si, de Wagner Moura não preciso falar, fiel a si próprio e ao peso de ter uma personagem com o mundo às costas; destaco, no meio dos diversos maus da fita, o polícia Rocha, um vilão atípico que paradoxalmente consegue se destacar precisamente pela sua mediocridade, pela naturalidade e pelo desplante com o qual vai levando o seu esquema avante, como se nada fosse.

    Uma indústria cinematográfica que consegue nos oferecer um filme desta maturidade, e que o faz sem abalar o seu sucesso junto do grande público, não fica a dever nada a Hollywood, senão algumas lições.

  • Crazy Heart

    Prossegue a regularização da minha agenda cinematográfica, tendo visto esta semana o filme que finalmente valeu ao Jeff Bridges uma estatueta d’oiro.

    O homem é Bad Blake, um cantor country que é neste momento uma sombra do que já chegou a ser, arrastando as suas bebedeiras e hemorróidas por wonky-tonks ranhosos da América. Tudo nele é frustração, lamento e auto-destruição. O maior mérito do actor não é encarnar o falhado que Bad é neste momento, mas sim deixar transparecer a grandeza que em tempos possuía.

    E se a performance do homem é espectacular, o mesmo não posso dizer acerca do filme, do qual esperava mais um bocadinho. No fundo acaba por servir mais como veículo para o velho Jeff brilhar do que como obra em si, sendo um trabalho admirável de ver, mas do qual se extrai pouco sumo e do qual saio sem desejar rever (talvez escute as musiquinhas uma vez ou outra).

    And my cinematographic pile clean-up goes on. This weekend I saw Crazy Heart, the movie that finally gave old Jeff a golden statue.

    The man is Bad Black, a country singer who is now a shadow of the man he once was, dragging his drunkenness and hemorrhoids through shitty wonky-tonks all over the USA. He’s all frustration, regret and auto-destruction. The greatest accomplishment of the actor is not about representing the looser Bad is at the time, but demonstrate the greatness of his past.

    And if his performance is amazing, I cannot say the same about the movie itself, from which I was expecting a little more. It works well as a vehicle that allows the actor to shine, but there’s no much more than that, and I don’t wish to see it again (maybe I’ll listen some of the catchy country songs now and then).

  • Black Swan

    A cena da imagem acima nem é das melhores nem influencia absolutamente nada o resto do filme, havia muitas outras fotos artisticamente belas na cinematografia, mas…não resisti. Homem é bicho.

    Ora bem, concentrando. O Darren Aronofsky está em topo de forma. Este filme prima pela perfeição em aspectos vários, sendo que não me lembro de ver nos tempos recentes um thriller psicológico tão bom.

    Eu não percebo de ballet, mas quer-me parecer que foi feito um esforço para conjugar ao máximo o estilo da realização como se de uma dança se tratasse. O filme todo é uma fábula, ora encantada, ora sombria. Vai-se dançando de uma cena para a outra, sem nunca levantar demasiado o véu sobre o quanto do que se está a ver ser fruto da mente delirante da bailarina ou da realidade aterradora que a rodeia.

    Planos simples, de uma intensidade tremenda, e com momentos deliciosamente perturbadores no caminho da metamorfose da personagem, bem transportada por uma banda-sonora visceral, estranhamente não nomeada para os óscares em detrimento de uma tão insípida quanto a do Social Network.

    A minha estimada Natalie Portman está brilhante, o filme é ela e ela carrega-o bem nas suas ossudas costas, mas não muito atrás o estão Vincent Cassel, na sua ambiguidade mentor/vilão,  Barbara Hershey (e principalmente esta), ternurenta e terrificamente assustadora ao mesmo tempo, e Mila Kunis, de quem talvez menos se esperasse uma alter-ego tão boa à Natalie, mas que pode ter aqui a prova de que é bem mais que uma carinha bonita, roubando a cena em mais que um momento. Corrijo o alter-ego, porque no fundo o alter-ego de Nina é ela própria, mas isso fica pra pensar.

    Só temo uma coisa: que o homem se agarre demasiado a este fórmula que no fundo já foi a base do Wrestler, mas por agora parece que vem aí uns blockbusters para o gajo encher a mala, no futuro logo se vê.

    Ainda sobre os óscares… que se fodam os óscares.


    The scene above is not particularly relevant, there were other artistically beautiful images in the cinematography, but… I’m a man, thus an animal, couldn’t help it.

    Ok, concentrating. Mr. Darren Aronofsky is on top-shape, undoubtedly. This film is perfect at several levels, and I don’t remember seeing such a good psychological thriller recently.

    I’m not really into ballet, but it seems that the man tried to direct the film as a dance, a fable, sometimes a fairy tale, sometimes a dark fantasy. We go dancing from a scene to another, without knowing if what we’re seeing belongs to the ballerina’s atrocious reality or to her delirious mind.

    Simple scenes with tremendous intensity, and deliciously disturbing moments on the way to her metamorphosis, well carried by an amazing soundtrack, strangely forgotten by Oscars who nominated a tasteless score such as the Social Network one.

    My dear Natalie is brilliant, she is the movie and carries it well through her skinny shoulders, but so are Vincent Cassel in his mentor/villain ambiguity, Barbara Hershey (and mainly her), sweet and terrifically scary at the same time, and Mila Kunis, from whom maybe we could have expected less to be such a good alter-ego, but proves that maybe she is much more than a pretty face, stealing the show at some moments. I correct the alter-ego, as Nina’s alter-ego is no one but herself, actually.

    I just fear one thing: that the man gets too attached to his formula already used on the Wrestler, but now is time for him to make some cash with his next blockbusters, in the future we’ll see.

    Yet about the oscars… ok, fuck them.

  • Liedson

    Liedson, em conjunto com Polga (e Moutinho no ano passado), era dos últimos sobreviventes daquilo a que se pode chamar uma geração de falhados, a que perdeu tudo numa determinada semana de 2004/2005 que tinha tudo para ser mágica. A partir daí, zero. No entanto, ainda assim, seco de títulos, consegue escrever o seu nome na história do clube e no imaginário dos sportinguistas. É obra.

    Refeito do choque, não consigo ver nenhum aspecto positivo em deixar ir embora por meia truta o jogador que mais suor deixou nos miseráveis relvados de Alvalade na última década. Vender o Liedson é estúpido, sob qualquer ponto de vista.

    A idade ainda não lhe pesa. Ainda corre mais que os restantes, decide mais que os restantes, e mesmo em baixa de forma cria mais expectativas na bancada que os restantes. Isto é tanto verdade para o Sporting quanto para a selecção portuguesa, no que a pontas de lança diz respeito.

    A propalada poupança de não sei quantos milhões nos ordenados só demonstra mais estupidez, para quem há tão pouco tempo fez um esforço financeiro para lhe dar o salário que merecia, contrariando um dos únicos actos acertados de uma gestão ao desbarato.

    Tão cedo nenhum jogador há-de marcar mais de 150 golos pelo nosso clube. Nenhum avançado depois de Beto Acosta ou Mário Jardel chegou sequer perto dos calcanhares de Liedson. Os que eventualmente podiam ter chegado (assim de cabeça só Deivid e talvez Pinilla se tivesse juízo), deram à sola antes de conseguirem demonstrar que o conseguiriam, e assim há-de ser sempre.

    Por mais que tenha feito birras, que tenha mandado alguém levar num certo sítio, que tenha feito o Sá Pinto passar-se da cabeça, dentro de campo, ninguém nos últimos anos respeitou o clube como ele fez.

    É um ídolo, é “o” ídolo dos últimos anos, e um ídolo num clube amorfo, descaracterizado e desprovido de referências é um olho em terra de cegos. Mas é assim que acaba para os nossos.

    Obrigado por tudo Liedson, finalmente vou comprar uma camisola 31.