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  • Palavra (En)cantada

    Acabou de passar na RTP2 Palavra (En)cantada, um documentário musical que faz uma pequena retrospectiva histórica da música brasileira, utilizando depoimentos e antigas gravações de alguns dos grandes nomes que a compõem (como Chico, Caetano e Bethânia) e de outros menos conhecidos (Lirinha, Black Alien ou Ferréz, por exemplo).

    Essa retrospectiva difere das habituais no sentido de que não entra em homenagens ou bajulações aos monstros sagrados da MPB, nem despeja meras constatações e cronologias do que foi acontecendo na música brasileira ao longo dos tempos, optando simplesmente por utilizá-los como veículo para falar da música enquanto personagem principal e elemento de ligação e difusão da literatura, poesia e língua portuguesa.

    Ensina-nos bastantes curiosidades e deixa-nos a pensar em questões essenciais da nossa cultura e de como, mais uma vez, uma arte popular se substitui ao estado numa tarefa fundamental. De forma leve, prazerosa e muito recomendável.

  • Atlético x União

    Hoje fiz uma coisa que adoro e que este ano ainda não tinha tido oportunidade (ou vontade) de fazer: ver a bola com o meu pai.

    E lá fomos nós para o Estádio da Tapadinha, nesta tarde de condições perfeitas para a prática do desporto rei, assistir ao jogo que opôs o Atlético Clube de Portugal e o União da Madeira, em jogo a contar para o playoff de acesso à Liga de Honra.

    Alcântara estava ao rubro, em grande parte devido ao facto da entrada ser livre, como forma de incentivo à possível subida de um clube que, à imagem do União, já viveu melhores dias mas mantém uma massa adepta fiel. Infelizmente, a vitória acabou mesmo por sorrir aos da casa, fruto de um belo pontapé de bicicleta (!) de Rudi.

    Tão estranhando? Eu sou do União desde pequenino! Mais do que um clube da terra do Cardoso mais velho, era o clube do coração do Cardoso mais velho ainda. Ficou para lembrar.

  • Há sempre um mas

    Este vídeo que anda por aí espalhado em todo o lado é espectacular, bem montado, esgalhado e tudo mais mas… borra a pintura toda ao minuto 5:53. Nunca foi nem nunca será.

    There’s only one Ronaldo.

  • Meio Ano

    Diz que uma imagem vale por mil palavras, mas eu vou acrescentar mais algumas à de cima, a minha preferida do evento em causa.

    Faz hoje 6 meses desde que fizemos a boda na Quinta do Pavão. Quem lá esteve, sabe que foi de longe o dia mais feliz da minha vida. Estava escrito na testa. Não escrevi aqui nada sobre a festa nem sobre a lua-de-mel, porque pela primeira vez foram acontecimentos e tempos que transcenderam a minha capacidade de síntese, perfeitos exemplos da beleza dos momentos efémeros.

    A esses 6 meses somar-se-ão muito em breve 4 anos juntos; com alguns baixos, mas altos altíssimos, incomparáveis com qualquer coisa que já tenha sentido.

    Amo essa mulher dos olhos azuis, caraças.

  • O Ginjal

    Visto que perdemos duas peças que queríamos ver ultimamente (as duas últimas do Gonçalo Waddington), ontem houve um rebuçado para compensar: fomos ver uma peça de teatro amador, na Faculdade de Ciências Médicas da UNL. O Ginjal, de Tcheckov, pelo Grupo de Teatro Miguel Torga.

    Não vou fazer uma crítica habitual minuciosa das minhas nem destacar ninguém, mas posso dizer que foi uma boa surpresa. Apesar de ter sido a primeira peça de Tcheckov que vi in loco, estou mais ou menos familiarizado com a obra, e esperava uma versão mais light da coisa, mas nada disso, o pessoal entrega-se mesmo de corpo e alma a um texto que não é pêra doce, proporcionando momentos muito bem conseguidos, dadas as limitações. Não limitações de talento (que claro que existem, uns com mais outros com menos), mas de ser levado a cabo por pessoal que dá no duro nos seus regular jobs.

    Isto tudo feito por mero amor à arte, mais que bonito é uma lição.

  • Rio

    Não é preciso muito para levar-me a arrastar a minha sobrinha (enquanto não há filhos aqui no ninho) para ver bons filmes de animação; sendo um novo filme com o dedo da Blue Sky e tendo como mote um bicho que foi arrancado do Rio de Janeiro ainda pequeno e levado para uma terra fria, este era mais que obrigatório.

    Blu é uma arara azul carioca que vive feliz e domesticada no Minesotta, sem nunca sequer ter aprendido a voar. Certo dia, descobre-se que Blu é o único macho da sua espécie,e a sua dona é dissuadida a levá-lo à terra natal para acasalar com uma fêmea; pelo meio, as duas aves são roubadas por traficantes e toda uma aventura típica é desencadeada.

    Portanto, não sou azul mas nunca serei completamente isento numa viagem pessoal e naïf como esta, assim como o próprio realizador (Carlos Saldanha, carioca mago do CGI) não o foi. Coração de parte, o filme está muito bem conseguido, toda a envolvente paisagística carioca está espectacular, ainda que nem sempre realista (o que não era o objectivo, as favelas por exemplo estão pitorescas, não degradantes),  sendo cerca de hora e meia de muita cor e alegria, apresentadas de forma simples.

    Não posso deixar de implicar com enfiarem os Black Eyed Peas pelo meio; até nem atrapalham nem desvirtuam muito a coisa, mas os momentos musicais verdadeiramente brasileiros são imensas vezes superiores aos que eles apresentam, mas compreendo a jogada.

    Doesn’t take much for me to grab my niece to catch a good animation movie; being a Blue Sky movie about an animal that was stolen from Rio de Janeiro in tender age and taken to a cold land, this one was definitely mandatory.

    Blu is a carioca Blue Maccaw that lives happy and domesticated in Minnesota, without even ever learning to fly. Someday, a scientist discovers that Blue is the only male of his specie, and convinces her owner to take him to Rio to copulate with a female Maccaw; meanwhile, the two birds are stolen by smugglers, and a whole typical adventure begins.

    So, I’m not blue, but obviously I’ll never be impartial enough in such a personal and naïf trip like this, as even the director Carlos Saldanha (carioca CGI guru) wasn’t. Heart apart, the film is very well achieved, all the carioca landscaping and surroundings are gorgeous (although not always realistic, but that was not the point, the slums for example are picturesque rather than degrading), and its a one hour and a half full of color and joy, presented in a simple fashion.

    Personally, I don’t like the way they stick the Black Eyed Peas on it; although they make no harm, the truly Brazilian musical moments are way superior, but I have to understand the option.

  • Fica pra pensar

    A pedido de muitas famílias, venho por este meio explicar a frase que está no título do blog, que é também a punchline com que encerro muitos dos posts, com uma ou outra adaptação pelo meio.

    Sucede que, nos meus ainda não longínquos tempos de faculdades, tive um professor, do qual obviamente não revelarei o nome (nem o sexo) que invariavelmente, a cada dúvida que colocássemos, atirava-nos a resposta “isso fica pra pensar”; assim, a seco e com ar de superioridade. Nunca desarmava, nunca admitia falta de capacidade ou de traquejo, ficava sempre pra pensar, em jeito de aparente desafio.

    Até hoje, tudo o que foi dado naquela cadeira ficou pra pensar e, mais do que achar graça ao lema (e acháva-mos imensa, numa de rir para não chorar), percebi que encaixa em toda e qualquer situação. Concordam? Fica pra pensar.A pedido de muitas famílias, venho por este meio explicar a tagline que está no título do blog, que é também a punchline com que encerro muitos dos posts, com uma ou outra adaptação pelo meio.

    Sucede que, nos meus ainda não longínquos tempos de faculdades, tive um professor, do qual obviamente não revelarei o nome (nem o sexo) que invariavelmente, a cada dúvida que colocássemos, atirava-nos a resposta “isso fica pra pensar”; assim, a seco e com ar de superioridade. Nunca desarmava, nunca admitia falta de capacidade ou de traquejo, ficava sempre pra pensar, em jeito de aparente desafio.

    Até hoje, tudo o que foi dado naquela cadeira ficou pra pensar e, mais do que achar graça ao lema (e acháva-mos imensa, numa de rir para não chorar), percebi que encaixa em toda e qualquer situação. Concordam? Fica pra pensar.

  • Open Day

    É amanhã, dia 7, que a Viatecla vai abrir as portas ao mundo para dar a conhecer os nossos produtos actuais, visão de negócio e perspectivas de futuro.

    Apareçam, a qualquer altura durante as 9 e as 19h30.Tomorrow, 7th April, Viatecla is opening its doors to the world, in a opportunity to take a peek at our current products, business vision and some perspectives about the future.

    Come on in, anytime between9h and 19h30.

  • Balanço

    Antes de mais, muito obrigado a quem respondeu e ajudou a divulgar o meu apelo anterior; o formulário vai estar disponível por pelo menos mais duas semanas, portanto, quem ainda não respondeu ou não divulgou, tenha a bondade.

    A título de curiosidade e de balanço, até à data deste post, tivemos 311 respostas de:
    – 29 países
    – 4 continentes
    – 119 cidades
    – 8 programas de intercâmbio

    A distribuição geográfica das mesmas é a seguinte:


    Esta iniciativa teve mais adesão do que eu esperava e isso é extremamente positivo, pois sendo este um projecto embrionário, aquilo que mais necessitamos neste momento são dados concretos, para avaliar a viabilidade de meter as mãos na massa.

    É prematuro desenvolver mais, mas tão cedo quanto possa revelarei os frutos que espero que isto venha a dar.
    First of all, I would like to thank all the people that answered and published this initiative of mine; the questionnaire will be up for two more weeks, so whoever did not have the time or opportunity to answer it before, be my guest.

    By the time of this post, we had 311 answers from:
    – 29 countries
    – 4 continents
    – 119 cities
    – 8 interchange programs

    The geographical distribution of the answers is the following:


    It had a lot more adhesion than expected and that’s extremely positive, since this is an embryotic project and the most important thing about it right now is to have data to play on.

    It’s premature to tell more about this project for the moment, but as soon as possible I expect to get into details about its future.

  • Azul Longe Nas Colinas

    Quase que me escapava falar um bocado sobre esta peça que finalmente fui ver com a mulher amada no passado sábado. Não é particularmente relevante, visto já não estar em cena, mas sabem como eu gosto de mandar a minha laracha.

    Portanto, isto foi uma encenação de Beatriz Batarda sobre um texto de Dennis Potter, no Teatro Nacional D. Maria II. A peça versa sobre um grupo de crianças, com a particularidade destas serem inteiramente representadas por adultos, só sendo denunciados pela linguagem utilizada e, claro, pelas situações em que se envolvem, completamente infantis apesar da crueldade que aqui e ali despontam.

    Posso começar por dizer que o texto é muito bom e não acredito que tenha perdido muito na tradução; é de muito mérito assentar toda uma narrativa em linguagem infantil e mesmo assim manter um enredo interessante. Mais meritório ainda é, dadas as cenas, que os actores não caiam em overacting, e tal também não acontece, estão todos impecáveis, sem excepção, com realce para o Dinarte Branco (que é brilhante na sua simplicidade) e para o Albano Jerónimo (que eu não conhecia e que mete nojo e cospe e baba-se muito bem).

    Posto isto, e apesar de tanto mérito e de passar bem a (perversa) mensagem, para mim faltou uma pitada qualquer que fizesse com que a peça cativasse, não sabendo bem o quê. Fica pra pensar.