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  • Hosting e Google Malware

    Nos últimos dias estive a mudar o blog de servidor. Antigamente ele morava confortavelmente num servidor da Eye View Design e, com o fim definitivo da empresa (sobre o qual também falarei mais tarde), teve que fazer as malas.

    Escolhi a Bluehost como serviço de hosting, sem pensar muito sobre o assunto, dado o preço e as recomendações. Até agora não tenho muito a dizer, instalar e gerir o wordpress pelo control panel deles é automágico, mas mais para a frente logo veremos como corre o relacionamento.

    Quem esteve aqui ontem provavelmente deparou-se com um alerta avisando que este site era perigoso e que tinha sido infectado com vírus e malwares e o diabo a oito; passei uns ficheiros do antigo servidor que não devia, de tempos em que ele tinha sido hackado, e o senhor Google meteu-me na lista negra. Já agora, explico como é que se pede ao dito senhor que nos retire da shitlist, que é bastante fácil:

    Vamos às Google Webmaster Tools, adicionamos o nossos site (se ainda não o tivermos feito), fazemos o processo de verificação que eles pedem e, assim que clicarmos no site pretendido na página inicial, aparece um aviso vermelhão a dizer que andamos por aí a distribuir malware:

    Quando clicamos em More Details, ele diz-nos o que é que se passou e quando é que detectou a situação, e aí temos a possibilidade de pedir uma review, para mostrar que já estamos limpos. Obviamente que só o devemos fazer na certeza de que realmente estamos, mas se não o estivermos também pode ser uma ajuda, pois é mostrado novo relatório com os problemas encontrados.

    Have fun.

     

  • Guias de Viagem KLM

    Esta é digna de realce, por ser algo completamente gratuito. No site da companhia aérea KLM, podem escolher uma cidade, preencher um formulário com os vossos gostos particulares e receber um guia de viagem personalizado em casa (cheio de mapinhas do gmaps), sem pagar um tusto.

    De nada.And now something completely free: on the KLM website, you can choose a city, fulfill a form with your particular preferences and receive a personalized travel guide on your home, without paying a nickel.

    You’re welcome.

  • Madeira

    Durante a semana passada estive mais uma vez na pérola do atlântico com a mulher amada, e ainda a sobrinha e a cunhada mais nova.

    Como grande parte dos sítios que lhes mostramos já aqui foram descritos em relatos anteriores, vou só falar de duas “novidades”:

    Parque Temático de Santana

    Só peca por ser algo caro (10€/8€ crianças) para o tamanho e o número de atrações que tem, mas tudo o que tem é cuidado e bem feito. O espaço é agradável, os funcionários extremamente simpáticos e prestativos, e as atrações são todas bastante educativas de uma forma divertida, sem serem maçadoras.

    Destaco o “teatro virtual” raízes da madeira, um teatro feito com projecções sobre a história da ilha desde o descobrimento até aos dias de hoje (com algumas histórias bastante interessantes, como o grande saque de piratas ao Funchal a 3 de Outubro de 1566), o típico comboio de parque de diversão “à descoberta das ilhas” e as réplicas perfeitas (exteriores e interiores) das casas de Santana.

    Quinta do Santo da Serra

    Um segredo bem guardado, que ao contrário do anterior, é inteiramente gratuito. Nem apanhei bem se o nome oficial é mesmo Quinta do Santo da Serra, mas é o antigo Parque Blandy, e está mesmo no centro da freguesia, a seguir da igreja. Animais (estilo quinta pedagógica), imensa vegetação devidamente cuidada e catalogada e miradouros deslumbrantes. Grande lufada de natureza e ar fresco.

    Fica pra voltar.

     

  • BookPortugal

    Hoje foi para o ar o site BookPortugal, o primeiro projecto da Viatecla com a minha participação directa.

    Trocando por miúdos, o objectivo do site é vender Portugal (especialmente para o exterior), no que diz respeito a tudo o que sejam vertentes turísticas (voo, alojamento, transfers, rent-a-car, seguros e as combinações existentes entre elas). É um grande investimento numa altura complicada, num dos sectores em que Portugal ainda possui grande (e mal-aproveitado) potencial, e um projecto que irá trazer mais novidades, mais para a frente.

    Fica para verem.Today the BookPortugal website was officially launched. It’s the first Viatecla project where I am directly involved.

    Straight to the point, the goal of this project is to “sell Portugal”, in each and every possible touristic meaning available (flight, rent-a-car, transfers, insurance and the combinations among them). It’s a big investment in a complicated time, in one of the sectors where Portugal still have some potential to explore.

    Till the end of the year I will bring more news about it.

  • Kindle

    Passada a primeira semana de uso intensivo, aqui vai a prometida review do bicho.

    Começo por dizer que gosto mais dele do que esperava. O que me movia no desejo de ter uma coisa destas era mais a curiosidade e a vontade de tirar a teima se era capaz de ser seduzido por algo sem cheiro a livro, eu, informático, mas purista no que à leitura diz respeito.

    É extremamente leve (240g), tem uma interface do mais simples e prático possível e quando dedicado à sua função principal, a de me entregar à leitura, faz-me esquecer que estou a dar uso a um dispositivo electrónico. Prender os meus olhos num ecrã destes não tem nada a ver com fazê-lo num computador ou num smartphone (nunca tentei num tablet, mas é a mesma coisa). Não cansa. A tecnologia E-Ink é de uma suavidade, rapidez e qualidade impressionantes, mesmo para fotos e imagens.

    Além disso, torna a experiência de leitura interessante, mas mais uma vez de forma transparente e rápida; com um ou dois toques é possível consultar significados de palavras no dicionário, fazer “cortes” e anotações e sincronizá-las com a nossa conta automaticamente. Apesar de os seus ficheiros nativos terem um formato próprio, podemos enviar para o aparelho PDF’s que são convertidos sem espinhas, de forma não perfeita mas bastante satisfatória.

    Ainda não paguei por nenhum dos livros que lá estão; na primeira utilização adquiri gratuitamente (adoro ver encomendas com o valor total de 0€) diversos clássicos: Frankenstein, Ilha do Tesouro, Count of Monte Cristo, The Man Who Would Be King, e por aí vai, sendo o meu primeiro grande teste à ferramenta o Dracula, de Bram Stoker, que acabarei de ler em breve.

    Dei também uso exaustivo aos 15 dias de assinatura gratuita de diversos jornais e revistas (Globo, Time, Público, etc). Aproveito para dizer que o Público, o único jornal português com versão kindle, confirma aqui aquilo que eu já achava: é o jornal nacional que melhor aproveita e dinamiza a sua presença em meios não tradicionais. No entanto, tem um pequeno grande senão que me impede de optar por subscrevê-lo no kindle, e do qual pretendo lhes dar conta através do provedor ou outro meio qualquer: não disponibiliza nesta versão os suplementos (fugas, ipsilon, pública, etc), o que deita um bocado por terra a motivação de pagar por um conteúdo que é um bocado mais barato que o tradicional, mas que é extremamente penalizado em relação a este.

    Com uma semana de uso diário, de manhã (autocarro) e à noite, a bateria mal deu sinal de si (baixou um “ponto”, dura 2 meses sem wifi, segundo consta). Todo o processo de compra e subscrição também é extremamente simples, podendo ser feito directamente no aparelho ou através do site, sendo tudo sincronizado eficaz e  automágicamente quando o wifi é ligado.

    O que não gosto nele:

    Comecei por não gostar do efeito de transição de uma página para outra, mas agora já nem sequer o noto, é uma habituação rápida.

    A falta de conteúdos em português, mas creio que isso tem tendência a ser ultrapassável.

    A loja quando acedida pelo kindle tem menos funcionalidades do que quando acedida pelo browser; por exemplo, não podemos (ou ainda não vi como possamos) em cada categoria escolher a opção de só ver livros gratuitos.

    Também não gosto muito da filosofia da centralização do processo de compra/empréstimo na kindle store, apesar da praticidade que isso permite. É um mal menor e não é um mal do kindle em particular, tudo neste momento se encaminha neste sentido; num processo deste perco o meu anonimato, não posso comprar um livro e tomá-lo como efectivamente meu e fazer dele o que quiser como antigamente, mas é um preço que se paga (ver opinião do Richard Stallman sobre o assunto).

    E assim, rendido estou a este e-book reader, e fico na expectativa do que a Amazon irá fazer quando se intrometer no mercado dos tablets, podendo ser a única a me fazer desejar uma coisa dessas. Fica pra pensar.

    With a week of intensive use, here comes the review of my new toy.

    I like him much more than I’ve ever thought. What led me to desire this thing was more the curiosity of seeing if I could be seduced by something without the distinct smell of paper, me, a computer guy who is a purist concerning reading and literature.

    It’s extremely light (240g) and thin, and couldn’t have a simpler interface to deal with. When dedicated to its main function, makes me forget I’m using an electronic device. Attaching my little eyes to this thing has nothing to do with making the same thing with a computer or a smartphone (never tried a tablet, but it’s the same thing). They don’t get tired. The e-ink technology its quite impressive for its smoothness, speed and quality, even for photos and images.

    Besides that, the reading experience tends to be more interesting, in a transparent and simple way; with a few touches, we can consult dictionary meanings, make clippings and annotations and synchronize them with our account automatically. Although its native files are in a propietary format, we can send PDF’s to the device and they are converted seamlessly, not in a perfect shape but in a very satisfactory one.

    I haven’t paid for any of the contents I have in it yet; in my first use, I acquired free of charge lots of classics: Treasure Island, Frankenstein, Count of Monte Cristo, The Man Who Would Be King, and so on, Bram Stoker Dracula being my first big test. I’m also taking advantage of several 15 trial subscriptions of newspapers and magazines around the world (Times, Globo, Público and so on).

    With a week of intense use, the battery barely gave signs of usage (they say it can last two months without wireless).

    What I don’t like about it:

    At first I didn’t like the transition effect, but now I don’t even notice it anymore, it’s very easy to adapt to.

    The lack of contents in my mother language, but I thing that will get better with time.

    The store has less functionalities when accessed with the device; for example, we cannot (or I don’t see how we can) only select the free books when in a category.

    I’m also not an enthusiast of the philosophy inherent to its buying and using process, although it is very practical. In fact, that’s not Kindle’s problem, but a growing tendency in everything. In other words, just read Richard Stallman’s opinion about it, but I guess it’s the price to pay, and not really a big problem for me.

    Conclusion: I’m totally delighted and convinced with this e-book reader, and eager to discover how Amazon will get into the tablets market; I think at this time they’re the only ones who can make me desire such a thing. Let’s see.

     

  • Ads

    Em tempos de crise e na iminência de deixar de ter alojamento gratuito para o blog, pela primeira vez decidi ter pequenos anúncios do Google Adsense aqui no blog. Eu escrevo fundamentalmente para meu próprio prazer e o tráfego que gero está a anos luz de me proporcionar lucros relevantes, mas também não dói nada. De qualquer das formas, sempre que se lembrarem, cliquem-nos.

    Sempre proporciona também alguns momentos engraçados, como no post sobre o livro “Jesusálem”, em que apareceu um anúncio dizendo “Date Hot Catholics”.

    Se se sentirem incomodados com o conteúdo de algum anúncio, avisem, que eu nada farei.In this tough times, and about to stop hosting this blog for free, for the first time I decided to include google adsense ads on it. Tipically I write for my own pleasure, and the traffic the blog generates is far, far away from allowing me to obtain measurable profits, but it doesn’t hurt.

    If you feel unconfortable with the content of any ad just tell me, as I won’t do a thing.

  • Clippings

    Ultimamente tenho beneficiado da assinatura gratuita (momentânea) de alguns jornais e revistas do mundo, e tenho (re)descoberto como o humor e a leveza de espírito da minha terra mãe perfumam o que lemos sem beliscar a qualidade.

    Um pequeno exemplo; a propósito do evento do UFC que decorre no Rio de Janeiro, ontem no jornal carioca “O Globo”, coisas que nunca seriam escritas numa reportagem de um jornal “sério” português:

    Quando o americano Brendan Schaub, adversário de Minotauro, tirou a camisa, um rapaz virou de lado e,meio sem jeito, comentou – e eu me achava sarado…

    Quando Schaub se aproximou, um grupo aplaudiu e gritou: “valeu, viado.” Ele achou que era elogio, sorriu e acenou.

    Mas Copacabana esperava mesmo por Anderson Silva, para saudá-lo como um ídolo. Mas estamos no rio. Quando ele  surge com um agasalho do Corinthians, que o patrocina, o povo explodiu: “Mengo, Mengo”.

    Assim como Minotauro, que deu um show de simpatia. Foi até a grade para apertar a mão de cada torcedor. Até um jovem apontar para um amigo e disparar: Minotauro, esse aqui xingou a tua mãe. O UFC está no rio.

    E também eu hei-de estar…

     

     

  • Gainsbourg

    Gainsbourg não é mais um biopic sobre a alucinante e atribulada vida de um génio musical. Ou melhor, é, mas não segue a fórmula habitual do género, e esse é o seu grande mérito.

    Num tom mais onírico que dramático, vai desfiando parte dos acontecimentos que o celebrizaram tentando ao mesmo tempo dar um vislumbre da sua total loucura de génio, com personagens e divagações imaginárias que o perseguem por toda a vida. O filme acaba por se perder um bocado nestas viagens pela maionese, mas tudo o que é momento musical compensa e bem, tanto pelas músicas em si, quanto pelas memoráveis encenações que as compõem.

    No que a representação diz respeito, aqui não se foge (e bem) à regra e o actor principal transforma-se e é o homem, naquele momento, num grande trabalho de Eric Elmosnino na pele do feio homem que conquistou Brigitte Bardot ou Jane Birkin.

  • Jesusalém

     

    “Jesusalém é seguramente a mais madura e mais conseguida obra de um escritor no auge das suas capacidades criativas”, é o que diz na contracapa do último romance de Mia Couto, Jesusalém (Antes de Nascer o Mundo, no Brasil).  Não consigo reiterar a primeira parte da frase porque não li todas as suas obras e nem consigo me decidir entre este e Terra Sonâmbula, mas que está indiscutivelmente no auge das suas capacidades, está.

    Silvestre Vitalício é um velho amargurado que, dada uma tragédia familiar, decide alhear-se do mundo levando consigo os seus dois filhos (Mwanito e Ntunzi), uma jumenta e um serviçal, fundando num povoado distante da sociedade uma nova terra, Jesusalém, onde dizia que Jesus haveria de regressar e se “descrucificar”.

    O corte estabelecido entre Jesusalém e o “velho mundo” é de tal modo profundo que Silvestre alterou o seu nome e dos seus filhos, e indicou-lhes que o mundo terminara e eram eles os últimos sobreviventes. Impedia o mais novo de aprender a ler e escrever, e esconjurava tudo o que fossem resquícios de lembranças da sua antiga vida. O único que possuía autorização para cruzar as fronteiras de Jesusalém era o seu cunhado Aproximado, que de tempos a tempos abastecia-lhes de mantimentos.

    Todo este mundo de ilusões é abalado pela presença de uma mulher portuguesa, que vem despertar ainda mais a curiosidade e a revolta das duas criançar, e reavivar os fantasmas que Silvestre pretendia enterrar.

    O grande forte do livro é o tom poético (diria quase mágico) como Mwanito e o irmão vão amadurecendo e se questionando sobre o não-mundo onde enterram as suas infâncias, inventando emoções e lembranças e descascando aos poucos a complexa realidade que seu pai fabricou para se esconder. Outro ponto interessante é o modo como, não existindo mulheres em Jesusalém, a presença feminina não cessa de ser evocada e quase divina, materializada posteriormente pela portuguesa.

    De brinde, o livro está povoado de excertos de belíssimos poemas no início de cada capítulo, (vários) de Sophia de Mello Breyner Andresen, Hilda Hilst, Adélia Prado e outras mais.

    Fica pra ler.

  • Kindled

    O meu grande amigo Frederico (que escreve com bastante regularidade e brilhantismo neste premiado blog) veio da Austrália satisfazer um dos meus desejos de requinte. Review em breve.My great friend Fred (who wrotes with regularity and brilliance in this wonderful blog) came from a Land Down Under and cleared an item of my wishlist. Review coming soon.