Y.

Women are more dangerous than shotguns.

Autor: Y.

  • 2012

    E ao 12º dia do 12º ano do século, o homem voltou a escrever.

    Não andei a dormir, mas a refletir imenso, e pela primeira vez vou dizer aqui o que pretendo fazer este ano, para me ser atirado à cara, se não cumprir.

    O “refletir” sem o “c” do cão é intencional, vou fazer um esforço para adotar o acordo ortográfico. Porque ele está aí para ficar, porque não vale a pena ser casmurro, porque a grafia na qual ele se baseia contribui imenso para disseminar a bela língua portuguesa, e porque não quero parecer um dinossauro do Restelo perante os meus filhos, daqui a uns anos.

    Semana que vem vou fazer o exame IELTS, que já estava planeado há bastante tempo. Mais ou menos porque sim, porque quero, mas também porque pode vir a ser muito útil tê-lo. Depois disso falarei sobre a preparação, sobre a estrutura e sobre o meu fracasso ou sucesso.

    Até ao fim do ano pretendo fazer uma grande viagem, uma que cruze pelo menos um oceano. Porque navegar é preciso, viver não é preciso.

    Pretendo escrever mais, e pretendo deixar de ser maricas e publicar mais. Porque é das coisas que mais me dá prazer.

    E porque já estava farto do anterior tema gráfico do blog, e os seus autores já não davam suporte há algum tempo, mudei para este, mais clean, com maior enfâse no conteúdo, e abandonado recentemente por um blog defunto.

    Um bom ano aos que me lêem, aos que não me lêem, e aos que nem ler sabem.

  • Filme do Desassossego

    Antes de mais, é preciso ter tomates e muita criatividade para adaptar um livro destes. Felizmente o João Botelho teve os dois. Um livro que não é bem um livro deu num filme que não é bem um filme, um desfile de personagens ridículas em momentos oníricos, espelhando na Lisboa actual os devaneios e fragmentos de uma mente brilhante numa outra Lisboa.

    É claro que é difícil conferir visibilidade a um filme destes, mas é um enorme prazer ouvir as declamações do brilhante texto pessoano, e assistir a cada um dos momentos musicais (sem eles o filme não seria tão bom), começando desde logo com o Manuel João Vieira a atropelar o Aznavour, do qual deixo o curto excerto que está no youtube, mais o da Carminho, que com certeza toca.

    Assim de cabeça, dos filmes portugueses de que mais gostei.

  • Kindle em Português

    Na minha opinião o maior ponto fraco do Kindle (para nós, amantes da lusofonia), é a escassez de conteúdos em português. Eu até agora encontrei o seguinte:

    Quem souber mais que se chibe.

  • Australian Rules

    Antes de mais, Australian Rules é um desporto que não é rugby, não é futebol, não é futebol americano; nem sei bem explicar o que é, apesar de volta e meia assistir quando apanho um jogo a dar na Eurosport. São 18 para 18 num campo oval com uma bola oval, todos de manga cava, 4 traves (3 balizas) de cada lado e porrada de meia noite durante todo o jogo.

    Este é um filme australiano que retrata uma equipa de juniores de Australian Rules numa pequena vila piscatória do outback, fortemente dividida entre brancos e aborígenes. Aparentemente os putos não são afectados pela tensão racial, sendo os protagonistas (do filme e da equipa) amigos inseparáveis, apesar de cada um pertencer a uma etnia diferente.

    No entanto, quando o aborígene não recebe (injustamente) o prémio de melhor jogador da final do campeonato, a sua revolta despoleta uma série de eventos trágicos que põem a nu a tensão e a paz podre que existiam.

    Uma boa e pertinente história, que peca por ter sido realizada de forma um bocado ingénua (as cenas de jogo por exemplo são ridículas, de tão amadoras). Tem, no entanto, bons desempenhos por parte dos miúdos e o condão de chamar a atenção para um problema que durante muito tempo foi negligenciado na Austrália (o filme é de 2002).

  • Natalício

    Está naquela altura do ano, em que este blog fica cheio de caspa.

  • A vida não é bela

    Não falo da vida em si, que por mais austera que seja, merece ser vivida, mas dos vouchers d’A Vida é Bela.

    Quem diz d’A Vida é Bela diz das outras empresas que por aí andam. Não me ofereçam mais prendas do género, que eu também não o farei. É um embuste.

    Já recebi duas vezes vouchers do estilo, e já mandei 17 (!) vezes e-mails a tentar reservar alojamentos com os mesmos, e nunca, nunca há disponibilidade. Eles servem para escoar dias mortos (que tipicamente ou não tenho ou gasto em outros sítios), ou quartos de menor qualidade; de outra forma não sugerir-me-iam constantemente que tentasse daqui a não sei quantos meses, em dias da semana ou em um quarto superior pagando mais uma taxa.

    Prefiro que me entreguem o dinheiro, façam um donativo para uma ONG ou me dêem um abraço. Obrigado.

  • Midnight in Paris

    Não sou dos maiores fãs do Woody Allen, mas gostei bastante deste, talvez por me identificar um bocado com essa história de querer ter vivido no passado (ainda que a minha onda fosse mais um Rio Antigo).

    O ambiente parisiense é excelente e todos os “cameos” das figuras do passado são muito bons, destacando-se o Hemingway e a muita breve mas deliciosa aparição do Salvador Dali, no corpo do Adrien Brody.

    Fiquei irritado comigo mesmo, pois não sabia que o “Façamos” do Chico Buarque é uma adaptação do “Let’s Do It” do Cole Porter. Agora sei.

  • The Sunset Limited

    Dois velhos e uma sala de estar. É tudo o que é necessário para fazer um grande filme.

    Protagonizado por Samuel L. Jackson e Tommy Lee Jones e realizado por este último para a televisão americana, é imensamente superior a 90% dos filmes que estreiam comercialmente nas salas de cinema. Para isso muito contribui o brilhante texto de Cormac McCarthy que lhe dá origem e que opõe Black, um preto cristão evangélico, a White, um pessimista professor ateu.

    White é salvo à última hora de um suicídio na linha do metro por Black, que o leva para o seu apartamento, sucedendo-se uma série de intensos diálogos entre os dois sobre o sentido da vida e da morte, os valores da sociedade e das religiões, e demais trocas de argumentos sobre a visão completamente oposta que os dois possuem do mundo. Por vezes dramáticas, outras divertidas, em todos os momentos estas conversas são lições de inteligência e de interpretação.

    Ver isto ao vivo, num teatro, seria um privilégio e tanto.

  • Fiz greve aos transportes

    Vi o autocarro passar e vim a pé.

  • Diogo Infante demitido do D. Maria II

    Mais um português que, com provas de competência dadas, com um trabalho de qualidade à vista de todos (e a favor de todos), é obrigado a entregar os pontos, por não estar disposto a compactuar e a pagar por erros que não cometeu. Como eu e como tu, no fundo.

    Triste, é muito triste é demasiado triste.