Y.

E toda a gente pergunta, a quem é que ele sai?

Autor: Y.

  • Chullage

    chullage

    O Chullage é o meu rapper português de eleição. Não sei se por ignorância minha em relação “à cena” ou não, mas considero que nem preciso de todos os dedos das mãos para contar rappers portugueses de qualidade, e este é o que gosto mais.

    Esta entrevista com ele já tem mais de um ano, mas entre aviões, comboios e autocarros estou numa de recuperar terreno em filmes, livros e outros que tais, e identifiquei-me particularmente com o que ele diz nesta conversa. Os pontos onde me revi são estes:

    Mediocridade dos mídia (4m45s): melhor definição que vi nos últimos tempos, jornalismo de microondas. Parte do problema, quando devia ser parte da solução.

    Pirataria (7m45s): Vindo de um gajo que não está nem de perto nem de longe próximo dos tops, é de valor. Defende o ponto de vista do sofrimento do artista, mas admite a mudança de paradigma da indústria e desmarca-se de agarrar-se à mama como muitos artistas consagrados.

    Voto (11m15s): A desilusão completa com o sistema político/económico vigente, a falta de sentido no acto do voto, e a ironia do voto ser no fundo a derradeira desresponsabilização da nossa parte. Acrescento a isto a desilusão com a população votante, que não só elege sempre os mesmos, como os elege por serem eles não mais que o espelho da população em geral, infelizmente.

    A relação amor-ódio dos Portugueses com a emigração (17m34s) e a questão racial (23m19s): não sou preto nem cresci no Asilo, mas ter sotaque, família e amigos diferentes também marcou e muito a minha infância e adolescência (e felizmente, para o bem, a pessoa que sou hoje).

    Materialismo (37m30s): “Hoje em dia interessa-me muito mais dar amor ao meu filho do que um par de ténis.”, e esta diz tudo.

    Finalmente, e de forma menos óbvia, uma coisa que me agrada nesta postura é a forma despretensiosa com que discursa e mostra inteligência sobre assuntos interessantes. Digo isto porque acho que cada vez mais, e de forma demasiado evidente na minha geração, há uma preocupação excessiva em se fazer parecer culto, cool, indie ou o que quer que seja que fique bem no facebook, no instagram ou no raio que o parta.

    Fica aqui um exemplo dessa inteligência, numa dissertação irónica sobre um dos defeitos nacionais de que falava acima.

  • Meu querido mês de Agosto

    SAM_0843

    Agosto, o mês do emigrante. Eu que sempre gozei com esta época, me vejo agora querendo dar tudo por mais uma semana desfrutando dela.

    O que é que eu vi nestas férias?

    Vi a minha pele ficar vermelha pela primeira vez em muitos anos e, também de forma inédita, isso ter sabido bem.

    Vi, em outros tantos, o meu Sporting me entusiasmando na silly season, mesmo não sendo candidato.

    Vi o turismo aparentar funcionar, com matrículas e línguas estrangeiras minuto sim, minuto não, mesmo acima do Allgarve.

    Vi desejar pela primeira vez que ventasse na Fonte da Telha, para fazer parapente. Ficou para a próxima.

    Vi a minha filha pisando pela primeira vez a areia da praia e sentindo a água do mar, e o quanto isso me emocionou.

    Vi que, apesar dos erros que vão persistir e das pessoas que não vão mudar, mais cedo ou mais tarde, vou ter que voltar.Agosto, o mês do emigrante. Eu que sempre gozei com esta época, me vejo agora querendo dar tudo por mais uma semana desfrutando dela.

    O que é que eu vi nestas férias?

    Vi a minha pele ficar vermelha pela primeira vez em muitos anos e, também de forma inédita, isso ter sabido bem.

    Vi, em outros tantos, o meu Sporting me entusiasmando na silly season, mesmo não sendo candidato.

    Vi o turismo aparentar funcionar, com matrículas e línguas estrangeiras minuto sim, minuto não, mesmo estando bem acima do Allgarve.

    Vi a minha filha pisando pela primeira vez a areia da praia e sentindo a água do mar, e o quanto isso me emocionou.

    Vi que, apesar dos erros que vão persistir e das pessoas que não vão mudar, mais cedo ou mais tarde, vou ter que voltar.

  • Poeminha para Carolina

    Carolina dos olhos de céu,
    Menina dos olhos de mar,
    Me diz o que queres saber,
    Eu aprendo para te ensinar.

    Carolina da pele clara,
    Menina na noite escura,
    Me diz do que tens medo,
    No meu colo estarás segura.

    Carolina no colo serena,
    Menina no chão agitada,
    Me diz onde queres ir,
    Te acompanho na caminhada.

    Carolina do sorriso bonito,
    Menina da boca sem dente,
    Me diz como descrever
    O amor que esse teu pai sente.

    In FR7035 FAO-DUB, 12 Agosto 2013

  • 6 Anos

    No mês em que se comemoraram os 6 meses de vida da minha filha, comemoram-se também os 6 anos de namoro com a mãe dela. Se a minha pífia matemática não me falha, é também a última vez em que os anos de namoro correspondem ao dobro dos anos de casados. Adoro joguinhos parvos com numerologia, mas vamos ao que interessa.

    Há 6 anos atrás, depois de um jantar em Setúbal, eu me entreguei à mulher com quem estou até hoje. Confesso que me entreguei sem fazer a mínima ideia ao que ia, nem o que é aquilo ia dar. Fui no fluxo. Já tive sorte com o acaso em outras ocasiões, mas dessa vez foi a melhor decisão irreflectida que tomei em toda a minha vida.

    Eu já a conhecia bastante bem à época, mas não tinha completa noção da grande mulher que ela é, e ainda hoje, por vezes me surpreendo e emociono. Até à data, os melhores momentos que vivi na minha vida foram ao lado dela, e é assim que pretendo que continuem a ser. Como dizia Renato Russo, com ela por perto, eu gosto mais de mim.

    Para meu prejuízo, sei que por mais que tenha feito disso uns dos meus objectivos de vida, nem sempre lhe fiz bem, mas mesmo aí ela soube me aturar, lutar por nós e reverter isso a favor do nosso amor.

    Quando referi há um post atrás o quanto a minha filha tinha mudado e melhorado a minha vida, não referi, precisamente para tirar essa carta hoje da manga, que ela está apenas dando continuação ao excelente trabalho que a mãe dela iniciou há seis anos atrás.

    É uma bonita história, é uma história sem fim à vista, é uma história que em 6 anos nunca foi minimamente aborrecida.

    Não sou religioso, mas me julgo imensamente abençoado por poder amar duas mulheres, de forma sempre tão intensa.

  • 6 Meses

    Carol 6 Meses

    Desta vez o papai atinou com escrever o post numa redonda data!

    Incrível como meio ano se passou num ápice. Mais ainda, como o tempo voou desde que comprei um teste Clearblue na Farmácia Vaz Carmona, em Vale Flores, há um ano e dois meses atrás.

    Da beleza dessa menina, estamos conversados.

    Sobre as medidas, já vai em 67cm em 6990g. É bom, um bocadinho acima da média na altura, um bocadinho abaixo no peso, estica daqui e puxa dali e está tudo bem. O perímetro cefálico é 44 cm, o que corresponde a uma boa (e grande, vá…) cabeça, como a do pai!

    Acerca da alimentação, já come sopa com bastantes legumes e com carnes brancas, frutinha de sobremesa, papas sem glúten (quando está para aí virada), e já tens diversas manhas para tudo: para brincar, para dormir, para nos chamar a atenção… é fascinante perceber e acompanhar a formação da sua personalidade.

    Já voa, tranquilamente! Tem duas viagens de avião na bagagem, ambas com na mais pura serenidade, para inveja de outros pais a bordo.

    Agora, para mim o que realmente sobressai desses 6 meses, é o quanto ela mudou e melhorou a minha vida, e do muito, muito que tenho aprendido com ela. Acima de tudo o que pudesse imaginar. Obrigado, filha.

  • RIP Dominguinhos

    A sanfona (acordeão) mais consensual e mais virtuosa do Brasil não chora mais.

    Descanse em festa, Dominguinhos.

  • Bebé Real

    “Bebé real já nasceu. É rapaz e está de boa saúde” – in Diario de Notícias

    Alguns sectores condenaram os gastos com este bebé real” – in Público

    Pergunta:

    Os outros bebés são falsos?

  • Listas

    Para tentar ser mais produtivo e manter alguma organização no meio do pequeno caos que é a minha cabeça, tento manter listas para tudo o que tenho/quero fazer, filmes que quero ver, livros que quero ler, por aí vai.

    Já fazia isso muito antes de ouvir falar em GTD e outros jargões, pois sempre vi (e até hoje vejo) o meu pai manter listas em folhas A4 na sua mesa de cabeceira.

    Acontece que eu recorro aos meios ditos tecnológicos para manter esse hábito, mas parece que há alguma espécie de maldição que paira sobre os serviços que eu escolho. Primeiro foi o Ta-Da list dos 37 signals; depois de meter lá a minha vida toda, saíram de cena. Escolhi o Astrid em seguida, e comunicaram há pouco tempo que foram comprados pela Yahoo e me deram boa noite e um queijo também.

    Existem outras zilhentas apps para o efeito, mas agora estou na dúvida se escolho outra ou simplesmente mantenho e centralizo as listas num bloco de notas no Evernote, que não acho tão prático só para esse efeito.

    PS: Definitivamente não ao Google Keep, não gosto e nem lhes vou confiar as minhas notas, depois do que fizeram com o Google Reader.

  • Quinny Buzz

    Alguns de vocês terão acompanhado a compra do primeiro carrinho da Carolina, e o quanto ficamos contentes com o mega-desconto que apanhamos.

    Pois bem, quase 6 meses de uso depois, decidimos comprar outro.

    Não podemos falar muito mal do anterior em relação custo-benefício, mas a verdade é que ele está a uma grande distância de ser considerado um bom carrinho, a nível de qualidade de construção, de conforto, de praticidade e de durabilidade . Não lhe demos tanto uso assim para o desgaste que ele já apresenta.

    Outro factor que também desconsideramos foi a protecção que o carrinho oferecia, a nível das condições atmosféricas, factor esse que se tornou ainda mais visível num local com um clima tão complicado quanto o Irlandês.

    Assim, aconselho pais e futuros pais a ponderarem melhor do que o que nós fizemos na compra do vosso carrinho de bebé.

    Actualmente, e depois de um mês de uso intensivo, não podíamos estar mais satisfeitos com a aquisição do Quinny Buzz, que nem é da gama mais alta da marca. Nota-se claramente que a baby vai bem mais confortável, é bastante mais leve, mais prático (abre e fecha com um clique, o que é excelente para não sermos barrados no Dublin Bus quando o lugar de carrinhos já está ocupado), e dá-nos muito mais confiança para passear com ela para qualquer lado, sejam quais forem as condições atmosféricas. Traz de origem uma capa de chuva/vento que não precisa de instruções e deixa a criança completamente protegida e bem ventilada. A única queixa que tenho até ao momento é o tamanho do cestinho, demasiado pequeno para quem está acostumado a trazer as compras no carrinho!

    A boa engenharia faz a diferença.

    PS: Ter uma criança altera completamente os vossos desejos de consumo. Há dois anos atrás sonhava com e-readers, tablets, smartphones e outros gadgets que tais, agora é próximo acessório do Quinny, cadeirinha automóvel, cadeira de alimentação…

  • Street Performance World Championship 2013

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    Este fim de semana decorre aqui em Dublin o Street Performance World Championship 2013, no Merrion Park.

    Diz que amanhã a onda de calor já desvanece, mas mesmo assim acho que é de aproveitar. Organização muito boa para um evento de entrada gratuita, cheio de animação, barraquinhas de doces e de churrascada, num verdadeiro circo (sem animais, felizmente) ao ar livre.

    Tirando os animadores avulsos acabamos por só ver a performance de um dos finalistas, o duo australiano “The Doogans“, um casal ainda mais pirado do que os pais da Carolina.

    Falando nessa menina, uma nota para a tamanha sorte que temos com ela. Para onde quer que a levemos, pelo tempo que seja, a confusão que for, ela encara tudo sempre com boa disposição e aquele sorriso de derreter papai e mamãe.

    Great stuff.