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  • Rosmersholm

    Nesta peça é a primeira vez que o Gonçalo Waddington além de protagonizar, encena. É também a primeira vez que assistimos a uma peça com ele e não gostamos.

    Rosmersholm é considerada uma das obras-primas de Henrik Ibsen, sendo o nome da peça tirado ao local onde ela se desenrola, uma mansão onde habita Rosmer, o antigo pastor da localidade, e Rebecca, que o ajudou a cuidar da casa e da sua mulher antes do seu suicídio. Tudo gira à volta da forma como ambos estão aprisionados ao desejo não consumado (nem referido) que sentem um pelo outro, e ao medo da loucura e da perda da fé.

    A história é bastante interessante, mas o texto é maçudo e enfadonho. Não sei se é fiel ou não ao original, mas achei demasiado difícil de mastigar.

    Apesar de protagonizada por bons actores, não me transmitiu grande chama (sem contar que todos eles falharam com frequência nas falas), cabendo o melhor e desempenho ao Tiago Rodrigues, que só esteve duas vezes em palco durante uns poucos minutos, mas foi o único que conseguiu despertar o público.

    Para piorar, o Teatro Maria Matos está com umas cadeiras (não percebi o motivo nem se são temporárias) indignas de um estádio da terceira divisão, que me deram vontade de ir embora após 15 minutos lá sentado.

     

     

  • Porta 65 Jovem

    Para quem, como nós, ainda não se aventurou a comprar casa, até à próxima segunda-feira é possível concorrer à terceira fase de 2011 do programa porta 65 jovem.

    Precisam de apresentar contrato, último recibo, IRS e ter a morada que vão indicar para a candidatura como residência fiscal nas finanças. Não podem (o agregado) ganhar mais que quatro salários mínimos, nem a renda extrapolar o valor máximo permitido por município (para um T2 aqui em Almada, por exemplo, o valor é 516€). A renda também não pode ser superior a 60% do rendimento bruto do agregado.

    Se os ascendentes tiverem rendimentos inferiores a três salários mínimos, também podem (e devem) incluí-los no processo (tem efeito positivo para a candidatura).

    Boa sorte.

  • Bram Stoker’s Dracula

    Falo aqui do romance de 1897 e não do filme homónimo, o primeiro clássico que o Kindle me deu o prazer de ler.

    Não foi uma leitura fácil de arrancar, primeiro, pela linguagem e pelos maneirismos do inglês da altura; depois, pelo próprio ritmo da narrativa: é um romance epistolar, em que a história é desenvolvida através de cartas, jornais e diários dos personagens, e nas primeiras páginas todos estes elementos são extremamente descritivos e vagarosos. Passado o choque inicial, achei bastante interessante esta estrutura e a forma como vai juntando as peças e nos fornecendo diferentes perspectivas dos acontecimentos, bem como todo o ambiente gótico que os envolve.

    Na minha opinião o Conde em si nem entra na competição para personagem mais interessante do livro, cabendo este papel a Renfield, o louco, seguido pelo professor Van Helsing. Todos os outros “bons” chegam a ser insípidos, de tão bons e puros que são e a forma como isso é constantemente salientado em cada página (e o quão maligno e repugnante é o Dracula, em contraste). Ao louco cabe um papel ambíguo, na forma como é usado pelo mal, e o modo delicioso como é relatado o  “method in his madness”. Já o velho Van Helsing, apesar de também ser extremamente bom e magnânimo, possui alguma frieza no seu raciocínio e métodos pouco ortodoxos de convencer os restantes e a levar a sua luta avante. As suas dissertações acerca das origens do Drácula, do comportamento humano (e desumano), sobre necromancia e etimologia, são qualquer coisa de brilhante.

    Em suma, é um romance cativante e indispensável quer se goste ou não da temática, que tão em baixo tem andado. É pena (pelo menos nesta versão) não possuir ilustrações, pois proporciona um imaginário bastante propício a isso.

    Gostava de poder avaliar a fidelidade do filme (ainda o do Coppola, entre inúmeros outros) ao livro, mas vi-o quando era muito, muito novinho, e pouco mais me lembro do que ter ficado fascinado com as maminhas da Monica Belucci e das amigas e de resto ter me escondido debaixo do cobertor por grande parte do tempo. Fica pra rever.

  • Home

    Sem muito para escrever, informo que estamos vivos e de boa saúde, já habitando no novo ninho.

    As mudanças decorreram mais ou menos sem percalços, tirando uma proeza minha: na última leva do último dia, deixei cair as chaves da nova casa no poço do elevador do prédio antigo, tendo que pedir uma deslocação de urgência da Otis e pago para o efeito a módica quantia de cinquenta euros mais o belo do iva. Foi bonito.

    De resto, tudo nos conformes, tirando faltar-nos um sofá. Quem quiser se chegar à frente, esteja à vontade.

    O fim-de-semana foi mais cansativo do que uma semana de trabalho, e por isso dá mesmo jeito amanhã ser feriado devido a ser o dia de nascimento da mulher da minha vida. Uma musiquinha das preferidas para ela:

    Tá-se bem aqui.

  • Totobola 1 X 2

    Este fim-de-semana o Totobola fez 50 anos. É um jogo de que hoje em dia pouco se ouve e do qual muito provavelmente as próximas gerações nem ouvirão falar, mas é o jogo… ao qual devo a minha existência.

    É verdade, se não fosse o Totobola eu não estava aqui. Diz que  em meados dos anos 70 um jovem madeirense de dezasseis anos de idade ganhou o segundo prémio do dito cujo, no valor de 70 contos.

    Não fosse ter errado o resultado do Marinhense-Leiria, completaria o famigerado 13 e ganhava sozinho 2400 contos, mas o segundo prémio já foi suficiente para pagar os seus estudos e ir-se embora para o Brasil, primeiramente para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, onde conheceu uma carioca e… o resto já se sabe.

    Obrigado, Santa Casa!

  • Moving Out

    Um ano e um mês depois, vamos novamente mudar de casa. Não dá para ver o mar, mas tem duas varandas, uma delas com bastante verde à vista. Tem mais um quarto; por este ritmo, em 2015 estaremos num T6.

    É a primeira vez que moro fora da Costa desde que viemos do Brasil, mas também a Sobreda não é tão longe isso (e termina em “da Caparica”).

    O nosso actual apartamento vai ficar sempre nos nossos corações como o primeiro, e aquele onde passamos a nossa noite de núpcias. Já agora, por enquanto ele ainda está vago: quem quiser arrendar um apartamento cheio de história, siga isto (o anúncio diz que é preferencialmente para estudantes, mas é negociável).

     

  • Eye View Design – The End

    Como já tinha referido, a Eye View Design está a acabar de vez, e andamos a limpar os despojos.

    Sem desprimor para o meu local de trabalho actual e o que lhe antecedeu, a EVD foi o local onde gostei mais de trabalhar. Ajuda ter trabalhado entre amigos, aos quais só tenho a agradecer o que vivi e o que aprendi, mas não era só isso. Fazíamos um trabalho de qualidade, éramos dedicados  e bastante preocupados com os nossos clientes. Éramos honestos, e não vivíamos acima das nossas possibilidades (saímos de cena antes que isso fosse hipótese). Nunca nos quisemos fazer parecer mais do que éramos.

    Não éramos muitos, não estávamos em grandes centros nem conhecíamos grandes personagens. Não jogávamos golfe, não aparecíamos em publicações de renome nem andávamos em grandes carros.

    E tudo isto não nos levou a lugar nenhum. Talvez tenhamos pecado por ingenuidade em determinados momentos, mas não é por aí que mudaria algo, e muito provavelmente o que mudaria não nos teria salvo.

    Não quero choramingar ou reclamar do país que temos nem nos ilibar de responsabilidades, mas são factos. Não estamos num país propício ao investimento, à ambição, à juventude. Brada-se ao empreendedorismo mas estrangulam-se as pequenas empresas com impostos absurdos, cortam-se-lhes as pernas à nascença em concursos com vencedores pré-definidos, ignora-se a competência em abono dos títulos, sobrenomes ou compadrios. Obrigam-nos ou a resignarmo-nos e a juntarmo-nos ao “sistema”, ou a ir embora.

    Fica pra pensar.

  • Afiliado Wook

    A partir de agora este blog passa a ser oficialmente um blog afiliado à livraria online Wook.

    Aliando o meu gosto de escrever sobre livros a esta oportunidade, vou publicar aqui links directos para a wook, bem como alguns banners da loja, que ainda estou afinando. Por cada acesso através daqui eu tenho a oportunidade de ganhar uma pequena comissão conversível em vales.

    Sou, cada vez mais, um vendido.

  • Friends With Benefits

    Não tenho muito a dizer sobre este filme; é uma comédia romântica acima da média das que andam aí, tem os seus momentos divertidos, bom ritmo, o casal em questão tem uma grande química no ecrã, mas falta qualquer coisa para ser mais do que um filme giro.

    Duas notas: gosto do Timberlake, o gajo está mesmo cada vez melhor nessa história de ser actor, e a Mila Kunis também, mas desilude-me de vez com tanto ossinho à vista.

  • Boca do Vento

    Desde a última sexta até ao dia 22 de Setembro decorrem algumas iniciativas da Semana Europeia da Mobilidade aqui no concelho de Almada; a esmagadora maioria são para inglês ver, mas ontem aproveitamos que a descida do Elevador da Boca do Vento era gratuita e lá fomos.

    Para quem não conhece recomendo; já não ia lá há tantos anos que me tinha esquecido o quanto aquele espaço é bonito, apesar de só estar aproveitado em certa parte.

    Tão bonito que incita as hormonas da juventude à pouca-vergonha em terreno público, mesmo de frente para a ponte do elevador, com imensa gente a passar ao lado.

    Fica pra pensar.