Eu quero é botar, meu bloco na rua. É com este somzaço, pela voz do próprio, que termina este filme, que é não só história, mas também uma bonita homenagem à carreira e ao talento incríveis de Ney Matogrosso, que aos 84 anos segue firme e com muito mais energia que muita gente jovem!
Ao contrário de outros biopics, é também a voz dele que vamos ouvindo nos vários momentos musicais do filme, e não a do ator que o interpreta, mas isso não tira grandeza nenhuma à performance entregue por Jesuíta Barbosa, uma força da natureza representando outra.
A fórmula é mais ou menos básica e comum, começando na velha história da infância e da relação conturbada com o severo pai militar, até à emancipação, entrada na banda Secos e Molhados, partida e trabalho a solo, pontuada também pela ditadura, pela epidemia da SIDA nos anos 80, e pela inevitável relação com outra lenda, Cazuza.
Pegando talvez um pouco leve demais naquilo que sabemos – ou imaginamos – que foi a loucura dessa era (um pouco à imagem do que acontece no ainda mais famoso biopic de Freddie Mercury), não deixa de entreter e emocionar, pois é bem produzido, bem interpretado e, no final de contas, o que vemos aqui é a história de alguém maior que a vida.
Vale para quem é fã e para quem não conhece, desfrutar do prazer de descobrir mais. Confesso que eu próprio desconhecia certas músicas ou momentos incríveis, como o poema Rosa de Hiroshima, de Vinicius de Moraes, ou Requiém de Matraga, de Geraldo Vandré, que ganham uma vida absurda na sua voz.
A rever e a reouvir, sempre.
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