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  • Ted

    Tenho andado a falhar nas reviews de filmes, já vi este há quase um mês e nada disse. Mas muito gostei, como há já algum tempo não gostava de uma comédia à americana.

    Nesta em particular, a história centra-se à volta da amizade entre um rapaz e o seu urso de peluche, que ganha vida após o puto fazer um pedido. Os dois vão crescendo juntos, e às tantas são dois trintões que se recusam a crescer, sendo o urso o expoente máximo da vadiagem e do politicamente incorrecto, atrapalhando a todo o momento a já problemática vida amorosa e profissional do comparsa.

    Primeiro que tudo, não sou fã do Family Guy. Os desenhos enervam-me e noto que muitas vezes as situações são semelhantes a outras que vi nos Simpsons. O humor aqui empregue segue de forma mais ou menos óbvia a mesma linha, mas parece-me mais original, mais certeiro, e estranhamente mais plausível (!).

    É preciso coragem para arriscar uma ideia destas dada o panorama das comédias que fazem sucesso atualmente, e só pela originalidade o filme já ganha muitos pontos. Mas o seu forte principal é a forma como rapidamente “desprende” o enredo do urso. Podia ser um gajo qualquer que ali estava, mas é um urso.

    Bom devaneio.

  • Recado Para Alguém no Futuro #3

    Pode-se dizer que a tua história começou há 5 anos atrás.

    Mais ou menos por volta desta hora, exatamente neste ponto geográfico da cidade de Setúbal, a tua mãe pregou-me um beijo. A verdade é que eu também me pus a jeito, e ainda bem. Mudou a minha vida, e agora dá origem à tua.

    Dizem que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Eu quero a minha é do meu lado, sempre.

  • Ajuda a Gaula

    Tipicamente tendo a duvidar deste tipo de iniciativas, mas esta foi-me dada a conhecer por uma pessoa de confiança, da minha família.

    Os meus tios vivem em Gaula, e felizmente conseguiram combater com os seus próprios meios o fogo antes que este inflingisse algum dano à sua casa.

    Várias pessoas da Freguesia não tiveram a mesma sorte, tendo visto desaparecer casas, carros, hortas, animais… em alguns casos, o seu único meio de subsistência.

    Quem quiser ajudar com um euro que seja, pode fazê-lo através do NIB 0038 0000 4009 1856 77197, de uma conta criada pela Junta de Freguesia para esse efeito. Por mais que a vida custe, ajudar não custa.

    Quem estiver na Madeira e quiser apoiar com o seu trabalho, com entrega de roupa, comida ou outros pode fazê-lo contactando a Junta de Freguesia, pelo telefone 291526262. Quem quiser simplesmente partilhar isto, pode fazê-lo através deste evento do Facebook.

  • Recado Para Alguém no Futuro #2

    Cresceste bem desde a última vez que nos vimos, estás com 66mm agora.

    Lembras-te quando eu disse que não te parecias com nada? Agora já dá para ver que és uma pequena pessoa. Bracinhos, perninhas, mãos, pés… está tudo no sítio.

    Também já conseguimos ver que te mexes bem, mas já estavas a chatear o Doutor quando não quiseste ficar de perfil para ele medir a translucência da nuca. Depois de muito te sacudir, lá se entenderam. Talvez tenhas a timidez do pai, ou quem sabe não gostes de fotos. Vai ficar pra pensar. O pai diz muito esta frase, sabias? Aprendeu com um senhor chamado Joaquim. Um dia te conto.

    Ah, e é verdade, o palpite do médico é que és uma menina, portanto agora espero mesmo que o sejas e que este post não te embarace no futuro.

    De qualquer das formas, te amo. Até já.

  • Zambujeira do Mar

    Primeira viagem a três que fizemos, sendo que não nos sentindo confortáveis com andar de avião nesta altura nem com ficarmos a grandes distâncias do lar, escolhemos a Zambujeira do Mar para passar uns dias, e para uma grávida de primeira viagem relaxar um bocado do stress destes primeiros tempos.

    E a Zambujeira leva um bom pregnancy seal of approval. Quase tudo o que aqui escrevo é uma transcrição completa das recomendações do meu amigo Torre, devidamente comprovadas in loco.

    Comecemos pelo caminho. O Google Maps recomendava sair em Aljustrel na A2, mas o dito Torresmo recomendou sair antes, em Grândola Vila Morena, e ir por Sines e Vila Nova de Milfontes que é quase sempre em frente, evitando as curvas e contra-curvas de Santiago e do Cercal, propícias aos enjoos matinais da mulher amada.

    Ficamos na Herdade do Sardanito da Frente, que é agradável, calmíssima, espaçosa e com um preço honesto para o que oferece. Fica bastante perto da Zambujeira em si e do “abastecimento” em São Teotónio. É bastante melhor localizada que o badalado ZMar, por exemplo, e fornece pão alentejano quentinho pela manhã e fruta colhida nos diversos pomares da herdade, extrema e deliciosamente roubável pelos mais audazes (que não nós, claro).

    E das praias da Zambujeira pouco a dizer, todas belíssimas. Só vimos a dos Alteirinhos de cima, porque a escadaria também não animou a gestante. Isso ou a perspetiva de uma praia naturista me levar a ficar peladão em público. O Jorge Palma terá escrito a música abaixo vestido ou em pelota? Fica pra pensar.

    O único senão que nos tinha sido avisado era a falta de alternativas boas/baratas para comer. O Restaurante “O Manel” safa-se, o peixe da “Ti Vitória” leva um nim, era fresco mas caro e com um serviço muito demorado. A pizzaria Casino da Ursa já leva um Bom+, com umas belas saladas de polvo ou de ovas para abrir o apetite, um ambiente agradável e um preço razoável.

    Lamento não ter provado o famoso marisco da Azenha do Mar (proibido para a grávida, faria de mim um torturador sádico), vai ficar para pensar.

     

  • Recado Para Alguém no Futuro #1

    Hoje vimos-te e ouvimos-te pela primeira vez.

    Tens 13mm e ainda não te pareces com nada, mas já consegues por o pai e a mãe a chorar.

    P.S.: Agora que sabemos que está tudo bem contigo, já podes deixar de meter a mãe a vomitar que nem um dinossauro, sff.

  • Música Que Salva Vidas

    Não sou amigo do Gonçalo Bilé, mas conheço-o dos tempos da escola básica. Foi com alguma surpresa que percebi que este gajo que andava a fazer sucesso nas rádios era ele (não por duvidar do seu talento, mas por desconhecer essa faceta).

    Indo direto ao assunto e ao título do post, além da música dele ser boa, um pequeno grande fator leva-me a promovê-lo: o Gonçalo salvou-me a vida.

    Não sei se ele se recorda disto, mas o ano era 2004, eu era mais jovem e estúpido, e estava bandeira vermelha nas praias da Costa da Caparica. Eu e mais três amigos, chamemos-lhe “Penas” (tínhamos ambos muito mais cabelo), “Mataloto” e “Sactus”, ignoramos por completo a agitação do mar, e seguimos a nadar intrepidamente… atrás de um peixe (!), a tentar agarrá-lo. O Sactus ainda se apercebeu da burrice e conseguiu voltar para trás a meio, mas quando eu e os outros dois olhamos para trás, parecia que estávamos quase no Brasil, e sem capacidade nenhuma de conseguir nadar de volta, contra a maré.

    Nunca senti tanto medo na minha vida. Penso que eu era mesmo o mais borrado dos três (borrado da cabeça aos pés?), porque na altura era o que nadava pior, mas conseguimos não entrar em pânico, e passado uns minutos, fomos resgatados por surfistas. E eu vim na prancha do Gonçalo, pelo que lhe sou eternamente grato.

    Portanto, meninos e meninas, respeitem o mar e os salva-vidas. E ouçam a música do Gonçalo Bilé.

  • Nomes admitidos em Portugal

    Este post é dedicado aos meus queridos amigos portugueses que me brindaram com a piada “não me venhas com nomes brasileiros esquisitos”.

    Como é natural nesta altura, já perdemos algum tempo a olhar para a famosa lista de “Vocábulos admitidos e não admitidos como nomes próprios” pelo Instituto dos Registos e Notariado. É uma obra-prima.

    Portanto, se estivéssemos para aí virados, o nosso bebé podia se chamar Acúrsio. Acúrcio é que nunca. Poderia também ser Africano, mesmo não podendo ser Moreno.

    Quem não conseguir chamar o filho de Cristo, ou se consola batizando a filha como Cristolinda, ou chama o filho de Judas, para se vingar.

    Falcão só é permitido como segundo elemento do nome, mas Falco já serve como primeiro, o que torna Falco Falcão um nome perfeitamente válido, sendo a mesma lógica aplicável a Leo Leão.

    Pode-se ter uma filha India, mas nunca um filho Indio. Quem quiser ter um filho Lindo, tem que se contentar com Lindorfo ou Lindoro.

    Até há alguns estrangeirismos forçados. Jonatã para Jonathan, Jóni para Johny, Kévim para Kevin. Quéli para Kelly, Pégui para Peggy, Mágui para Maggy.

    E as Marias? Uma Maria pode ser de São José ou de São Pedro, mas não pode ser de São Luís. Pode ser do Mar, mas não pode ser do Sol nem da Lua. Não poder ser Imaculada já tem mais lógica, visto poder ser dos Prazeres ou das Dores.

    Marx, Lenine (ou Vladimir), Estaline, Guevara ou Fidel estão fora de questão, mas Salazar é à vontade. Maradona, Nani ou Futre nem pensar, mas Luís Figo tudo bem. Até mesmo quem é fã dos Beatles tem que se contentar com Ringo, estando descartados George, Paul ou John (e ainda Lenon).

    Uma criança não pode nascer Rei nem Rainha, mas pode nascer Primitivo ou Primitiva, Sátiro ou Sátira. Pode nascer Especiosa,Gloriosa e até mesmo Matrosa, mas nunca Amorosa nem Virtuosa.

    Com a minha letra preferida anda só liberaram Yara, Yasmin e Yuri, e com Z ninguém sabe que critério Zerá que usaram…

  • Pai

    Faz hoje uma semana que descobri uma pessoa que vai mudar a minha vida e a da Irina.

    Ainda não conheço essa pessoa, mas já a amo incomensuravelmente. Já penso nela em grande parte do que faço, do que decido, do que quero daqui para a frente.

    Quero que ela chegue, quero que me abrace, quero que cresça, que me peça, me pergunte, me surpreenda.

    É tudo muito estranho. É tudo bom demais.

  • This Must Be The Place

    Parece que não fez grande sucesso, mas eu gostei muito deste primeiro filme em inglês do Paolo Sorrentino. De quase tudo, mas principalmente da originalidade da história. Sean Penn encarna e bem a figura ridícula de Cheyenne, uma estrela de rock reformada, desiludida e completamente desapegada do mundo atual. Após a morte do pai, descobre que este passou a vida inteira à procura do seu torturador nazi, e decide retomar essa perseguição.

    Um ponto de partida que parece absurdo mas que é bastante mais plausível do que possamos pensar à primeira vista, o que vamos vendo enquanto vamos acompanhando a jornada e remoendo os fantasmas do passado, da família e do showbiz, sem grandes dramas ou moralismos.

    Os road movies andam a fazer falta. E a música que lhe dá nome não me sai da cabeça.